quarta-feira, 10 de julho de 2019

Sobre Teóricos e Teorias

Tanto no campo hermenêutico, como no de qualquer outra ciência, nem sempre citar um teórico significa concordar com todo o seu pensamento. Você pode concordar com um teórico em algumas de suas afirmações, e discordar de outras.
No caso do crítico literário Robert Alter, discordo da sua posição e perspectivas em relação ao texto bíblico, conforme citação abaixo:
"Por estranho que pareça a princípio, vou sustentar que a prosa de ficção é a melhor rubrica geral para classificar as narrativas bíblicas. Ou, para ser mais exato, e tomando emprestado um termo fundamental do estudo de Herbert Schneidau, Sacred discontent, uma obra especulativa, às vezes questionável, mas sempre estimulante, talvez pudéssemos falar da Bíblia como prosa de ficção historicizada. [...] O que a Bíblia nos oferece é uma sequência irregular e um constante entrelaçamento de detalhes factuais com uma 'história' puramente lendária; aqui e ali, vestígios enigmáticos de tradições mitológicas; relatos etiológicos; ficções arquetípicas sobre proezas fabulosas de heróis e homens de Deus; personagens totalmente fictícios associados ao progresso da história nacional sob uma capa de verossimilhança; e personagens históricos tratados de forma ficcional." (Robert Alter, A arte da narrativa bíblica, 2007, p. 46 e 58).
Alinhar-se com o pensamento acima citado, é alinhar-se com o pensamento pós-moderno em relação às Escrituras.

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