domingo, 29 de dezembro de 2019

As Consequências do Pecado de Davi

A condição de Davi após pecar nos é revelada nos Salmos 32.3-4 e 38.1-8, onde as consequências na sua alma (depressão) e no seu corpo de (somatização) são relatadas.

O arrependimento de Davi e a  consciência que ele tinha do seu erro, mesmo antes de sua confissão diante do profeta, são  descritos no Salmo 32.5: "dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoastes a maldade do meu pecado", e no Salmo 51.3: "Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim".

Mesmo escritos após a sua confissão, os Salmos 32 e 51 revelam o estado anterior da alma de Davi. Revelam a consciência que tinha do erro cometido, as suas dores e o seu arrependimento.

No Salmo 32 verso 3 e 4 somos informados que enquanto Davi esteve calado, todo dia ele bramia, sentia o envelhecimento dos seus ossos e a aridez em seu humor, porque de dia e de noite a mão do Senhor pesava sobre ele. O seu pecado esteve sempre diante dele (Sl 51.3).

Quando Natã veio ter com Davi, ele não se percebeu na história contada (2 Sm 12.1-6).

As consequências interiores do pecado de Davi antecederam as consequências posteriores (2 Sm 12.10-12,14-15).

O perdão imediato de Deus mediante a confissão de Davi (2 Sm 12.13) não foi um ato de conivência com o erro, mas um ato de misericórdia do Supremo Juíz.

A disciplina Davi já estava sofrendo em si mesmo, e ainda sofreria mais.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Interpretando as Narrativas Bíblicas


O que é uma narrativa? O quanto deste gênero literário está presente na Bíblia? Quais as características estruturais de uma narrativa? As narrativas bíblicas possuem valor doutrinário e teológico? Qual o lugar das lições morais nas narrativas bíblicas? A crítica textual é importante na interpretação das narrativas bíblicas? De que maneira o método histórico-gramatical e a análise narrativa (servindo-se de pressupostos ortodoxos) cooperam juntamente na busca pela intenção autoral, o significado do texto bíblico e a sua aplicação nos dias de hoje?

Estas e outras questões são respondidas em "Interpretando as Narrativas Bíblicas", nosso próximo projeto literário a ser publicado pela Editora Santorini.

Esperamos com a obra poder contribuir para a difusão no Brasil da "análise narrativa",  uma metodologia hermenêutica já devidamente teorizada, aplicada e aprovada por eruditos no contexto literário e teológico mundial (pentecostal e não pentecostal).

A previsão de lançamento é para o primeiro trimestre de 2020.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

TEOLOGIA: CURSOS ACADÊMICOS OU LIVRES?

Fazer uma bacharelado, mestrado e doutorado em teologia é o objetivo de muitos irmãos e obreiros, que compreendem a importância e a necessidade de um melhor preparo para o exercício do ministério cristão.

Neste sentido, qual o melhor caminho a trilhar? Os cursos de teologia acadêmicos ou livres? Isso vai depender de alguns fatores e questões.

Se você deseja um grau superior reconhecido pelo MEC, e com isso a possibilidade de fazer carreira acadêmica e se tornar um pesquisador ou professor universitário, o caminho são os cursos de teologia acadêmicos. O problema é que na maioria dos casos, estes cursos não estão comprometidos com a ortodoxia bíblica, sendo propagadores de teologia liberal e heterodoxa. Os cursos teológicos acadêmicos, geralmente, não focam no preparo bíblico e ministerial.

No caso de estar buscando um melhor preparo bíblico e teológico para o exercício do ministério cristão, alinhados com a ortodoxia bíblica e com os sistemas doutrinários denominacionais, os cursos livres de teologia em seus níveis básico, médio, bacharelado, mestrado e doutorado podem ser a melhor opção.

Um curso teológico por ser livre, não significa que o seu nível de ensino é inferior ao oferecido por um curso teológico acadêmico. Há cursos acadêmicos de nível muito baixo, e não comprometidos, como já falamos, com a formação e preparo para o ministério e liderança cristã.

É a seriedade comprovada da instituição de educação teológica, o nível de competência, formação e experiência de seus diretores e professores, a vida piedosa destes, o compromisso com a sã doutrina, a excelência do currículo etc., que devem ser considerados por aqueles que buscam no estudo bíblico teológico um maior saber para um melhor servir.

Os cursos acadêmicos são geralmente mais caros, pois as exigências do MEC acabam inviabilizando a cobrança de mensalidades menores.

Os cursos livres em teologia mais recomendáveis, são aqueles oferecidos por instituições de ensino credenciadas junto aos Conselhos de Educação de igrejas, convenções locais ou nacionais.

Se você está em busca do profissionalismo ou do status acadêmico, os cursos e instituições acadêmicas poderão lhe oferecer isso.

Se o seu foco é uma melhor capacitação bíblica e preparo para o ministério cristão, os cursos livres, em seus diversos níveis, oferecidos por escolas, seminários, centros educacionais, faculdades e outras instituições de ensino teológico livre, conforme os padrões aqui citados, são os mais recomendáveis.

Infelizmente, em alguns círculos eclesiais, o status acadêmico ou teológico está valendo mais do que a própria vocação espiritual para o ministério.

Vale lembrar, que não é o nosso diploma acadêmico, nem a nossa formação teológica livre (embora importante) que nos recomenda para o ministério cristão, mas a constatação dos pré-requisitos bíblicos em nossa vida.

A TEOLOGIA COMO HERMENÊUTICA DA EXPERIÊNCIA

"O objetivo da teologia é a interpretação da experiência. A teologia equipara-se a uma rede que podemos lançar sobre a experiência, a fim de capturar seu sentido. A experiência é vista como algo que deve ser interpretado e não como algo que possua por si só capacidade de interpretação. [...] A perspectiva de Lutero considera a experiência como algo de importância vital para a teologia; sem ela, a teologia é empobrecida e deficiente, como uma concha oca, vazia, que espera por sua pérola. Contudo, a experiência por si só não pode ser tida como fonte teológica confiável; ela deve ser interpretada e revista pela teologia. [...] A teologia interpreta nossos sentimentos, até mesmo a ponto de contradizê-los, quando são enganosos. Ela insiste na fidelidade de Deus e ba realidade da esperança da ressurreição - mesmo nas ocasiões em que a experiência parece sugerir o contrário. Portanto, a teologia fornece-nos um apoio para que possamos compreender as contradições da experiência. Pode parecer que Deus está ausente, distante desse mundo - a teologia, contudo, insiste no fato de que essa experiência é temporária, falha e que não podemos nos deixar levar pelas aparências". (Alister McGrath, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, Shedd Publicações, 2005, p. 236-237)

O pressuposto fundamental para uma teologia que interpreta fidedignamente a experiência é a crença nas Escrituras como a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus.
Uma hermenêutica apropriada para a interpretação das Escrituras precisa considerar o pressuposto acima, com todas as suas implicações.

Para os casos onde a teologia nega a experiência bíblica, e isso baseado em pressupostos racionalistas, cessacionistas etc., as Escrituras e a experiência coletiva contribuirão para a superação do equívoco exegético e teológico.

MESTRES OU DOUTORES DA ACADEMIA E DA IGREJA

A academia pode até produzir artigos teológicos, mas a última palavra em termos de doutrina é da igreja.

Uma obra acadêmica só deve ser publicada por uma editora confessional se passar pelo crivo e aprovação da comissão ou conselho de doutrina da igreja.

Mestres ou doutores acadêmicos em teologia não tem na igreja autoridade acima dos mestres ou doutores vocacionados espiritualmente por Deus (Ef 4.11), muito embora em alguns casos a vocação acadêmica coincida com a vocação espiritual para o ministério de ensino.

Alguns mestres ou doutores acadêmicos em teologia podem nunca ter experimentado o novo nascimento, mas mestres ou doutores dados por Deus à igreja são crentes nascidos de novo.

É importante que a academia e os acadêmicos entendam isso com muita clareza, para que não corram o perigo de se ufanarem em seus títulos, desprezando o ministério bíblico do ensino, que não depende dos títulos acadêmicos para ser exercido.

Entender estas questões é algo fundamental no processo de crescimento de acadêmicos no contexto pentecostal assembleiano brasileiro.

ASSEMBLEIA DE DEUS: UMA IGREJA IMPERFEITA COMO TODAS AS OUTRAS

Como todas as denominações evangélicas, as Assembleias de Deus é uma igreja imperfeita. Apesar disso, é possível constatar algumas mudanças e melhoras significativas ao longo da sua história. Obviamente, diante das diversidades regionais e locais, em alguns lugares estas mudanças e melhoras tiveram um maior ou menor avanço. São elas:

1. Melhor nível de formação bíblico-teológica de sua liderança;
2. Melhor qualidade do ensino e da pregação;
3. Maior atenção e investimentos no discipulado;
4. Implementação de estratégias de evangelismo diversificadas e contemporanizadas;
5. Maior investimentos em trabalhos sociais;
6. Incentivo aos membros e congregados a buscarem uma melhor formação educacional;
7. Promoção da necessidade de uma maior consciência política e cidadã dos seus membros e congregados;
8. Maior atenção e ação concreta para pessoas com necessidades especiais;
9. Uma liturgia que concilie tradição e contextualização;
10. Equilíbrio sobre as questões de usos e costumes.
É preciso dizer que há muito ainda no que melhorar, e que deficiências existem, mas no geral avançamos em diversas áreas.

Em outro post relacionarei alguns pontos onde precisamos buscar melhoras, suprindo algumas deficiências atuais e urgentes.

A BARGANHA DAS HONRAS

A barganha das honras é uma prática antiga. Jesus a denunciou nos seus dias.

Não se trata de honrar a quem é devida a honra, mas de honrar querendo honra em troca.

Quem usa da prática de barganhar honras, só assim o faz com quem está em cargo e posição que pode devolver a honra concedida em medida igual ou superior.

O barganhador de honras geralmente não honra quem não está mais em cargo de honra, não considera o serviço que prestou, e nem o que ainda representa para a instituição.

O barganhador de honras tem interesses narcisistas. Honra em nome de sua própria vaidade. Quando honra, busca honra para si mesmo.

Um olhar mais atento e é possível diferenciar quem honra pela honra devida, de quem honra barganhando honras.

Honrar sem barganhas é um ato aprovado biblicamente (Rm 13.7; 1 Tm 5.17; 1 Pe 2.17). Honrar com barganhas é um ato reprovado biblicamente (Jo 5.41-44).