domingo, 2 de dezembro de 2018

Sobre as Raízes Históricas e Teológicas do Pentecostalismo das Assembleias de Deus no Brasil

Para Vinson Synan:
"O homem reconhecido pela maioria como formulador da doutrina pentecostal e fundador teológico do movimento foi Charles Fox Parham (1873-1929). Sua doutrina das línguas como "evidência bíblica" do batismo no Espírito Santo influenciou de forma direta o avivamento da Rua Azusa, 1906, e a criação do movimento pentecostal em todo o mundo". (p. 63-64)
Para Gary B. McGee:
"A distintiva contribuição teológica de Parham ao movimento acha-se na sua insistência de que o falar noutras línguas representa a "evidência bíblica" vital [...] do batismo com o Espírito Santo, claramente ilustrado nos capítulos 2, 10 e 19 de Atos. [...] A primeira questão que dividiu os pentecostais entre si surgiu em fins de 1906. Centralizava-se no valor teológico da literatura narrativa (Atos e os últimos versículos de Marcos 16) para fundamentar a doutrina do falar noutras línguas como a evidência inicial do batismo no Espírito Santo. Os que seguiam os passos de Parham consideravam as línguas como a evidência palpável do batismo no Espírito Santo". (p. 17, 19)
Para César Moisés:
"Ao mencionar os fundadores do Pentecostalismo Clássico brasileiro, a despeito de estes serem suecos, à época em que aportaram no Brasil, ambos viviam nos Estados Unidos e são, de alguma forma, fruto dos acontecimentos que conhecemos como "moderno Movimento Pentecostal [...]. Os dois primeiros parecem ter herdado o estilo wesleyano e conversionista do Movimento de Santidade [...]". (p. 309, 315)
Mesmo que Gunnar Vingren e Daniel Berg não tiveram contato direto com Parham, mesmo que alguns dos seus ensinos teológicos não foram por eles (e por outros pentecostais) adotados, e mesmo que as experiências pentecostais e bases teológicas dos nossos pioneiros tiveram a influência direta dos batistas suecos de Chicago, as raízes históricas e teológicas do pentecostalismo presente nas Assembleias de Deus no Brasil, não estão desassociadas dos fatos iniciais do Movimento Pentecostal nos Estados Unidos.
O avivamento entre os batistas suecos de Chicago não deve ser considerado algo fora do contexto do Movimento Pentecostal geral da época. Não deve ser isolado historicamente e doutrinariamente. Não deve ser ignorada a influência que sofreu, mesmo que indireta, do avivamento ocorrido em Topeka (Kansas).
O próprio termo "Missão da Fé Apostólica", cunhado por Parham, foi adotado pelos pioneiros Vingren e Berg aqui no Brasil. Conforme Isael Araujo:
"A partir de 18 de junho de 1911, as igrejas pentecostais que iam sendo iniciadas no Pará [...], passaram a ser chamadas pelo nome Missão da Fé Apostólica. Este foi o primeiro nome dado ao Movimento Pentecostal nos Estados Unidos a partir de 1901 e iniciado por Charles Fox Parham." (p. 16)
O pensamento inovador de Parham para a época (1901), de que as línguas seriam a evidência bíblica e inicial do batismo no Espírito Santo, é hoje reafirmado e consolidado em nossa Declaração de Fé:
"Cremos, professamos e ensinamos que o batismo no Espírito Santo é um revestimento de poder do alto [...]. Trata-se de uma experiência espiritual que ocorre após ou junto à regeneração, sendo acompanhada da evidência física inicial do falar em outras línguas." (p. 165)
As nossas raízes pentecostais históricas e teológicas podem sim, de acordo com o que foi aqui considerado, serem remontadas até Parham, em Topeka.
Referências Bibliográficas
ARAUJO, Isael. 100 acontecimentos que marcaram a história das Assembleias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
MCGEE, Gary B. Panorama Histórico in Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal, HORTON, Stanley (editor). Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
MOISÉS, César. Pentecostalismo e Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
SYNAN, Vinson. O século do Espírito Santo. São Paulo: Editora Vida, 2009.
Imagem: Chales Fox Parham

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