terça-feira, 2 de outubro de 2018

Uma Breve Análise do Livro “Em Nome de Quem?: A Bancada Evangélica e Seu Projeto de Poder”

Na referida obra, a jornalista Andrea Dip faz algumas críticas pertinentes a certas práticas religiosas e políticas dentro do pentecostalismo e neopentecostalismo brasileiro. Nos traz informações atualizadas sobre os últimos acontecimentos e ações de membros da bancada evangélica no Congresso, que vai desde a elaboração de Projetos de Lei, até acusações, processos e investigações contra os mesmos.

Contudo, fica evidente o uso de artifícios semânticos, de linguagem tendenciosa, que tenta apresentar de forma mais aceitável as ideias que trabalham em favor da desconstrução dos valores tradicionais da sociedade, da família, da educação e da religião. As expressões discurso de ódio, intolerância, fundamentalismo, homofobia, reacionários e preconceito, se encontram presentes em vários lugares da obra.

A autora concorda com a ideia de que a expressão “ideologia de gênero”, criada no interior de uma ala conservadora da igreja católica e no movimento pró-vida e pró-família, não condiz com os reais propósitos dos Estudos de Gênero. 

A preocupação com a posição e ação das igrejas evangélicas pentecostais e neopentecostais contra a ideologia de gênero ganha destaque no livro, que além de citar o termo “gênero” cerca de 105 vezes, ainda dedica um capítulo inteiro ao assunto.

O livro não tem apenas o caráter investigativo, informativo e crítico a que se propõe, mas é claramente uma defesa dos chamados “direitos” das minorias, sem criticar a tentativa de “privilégios” para a minoria. Alega ainda a não abertura da bancada evangélica para “discussão”, mas não critica a tentativa da “imposição” das atuais ideias sobre gênero e outros temas em questão.

Nenhum comentário: