sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Deixei Trófimo Doente em Mileto. (2 Tm 4.20)


Trófimo foi um cristão efésio, companheiro de Paulo em sua viagem da Grécia a Troade (At 20.1-6). Ele foi visto na companhia de Paulo pelos judeus em Jerusalém, razão pela qual Paulo foi acusado de ter profanado o templo (At 21.27-29), o que culminou num tumulto, espancamento e detenção de Paulo (At 21.30-36).
Em uma de suas passagens por Mileto, cidade situada no litoral sul do golfo da Latônia, provavelmente antes de sua última viagem a Roma, Paulo deixou ali o seu companheiro Trófimo doente, incapacitado para prosseguir com ele. Sobre esse fato aprendemos algumas lições.
Em primeiro lugar, ao longo da jornada, não são poucos os companheiros que vão ficando para trás, e isso pelas mais diversas razões. A doença é uma delas. Dependendo da gravidade, a doença física ou mental impossibilita a continuidade de alguns na realização da obra de Deus. Avançamos entristecidos, mas movidos pela necessidade de cumprirmos a missão a missão nos confiada pelo Senhor, mesmo sem a presença daqueles a quem amamos.
Em segundo lugar, a nossa impotência e fracassos humanos diante das adversidades alheias é aqui mais uma vez apresentada. Paulo, que segundo as Escrituras foi usado por Deus poderosamente para curar enfermos (At 19.11-12; 28.7-8) e até ressuscitar mortos (At 20.7-12), já havia recomendado a Timóteo que bebesse um pouco de vinho em razão das frequentes enfermidades que sofria (1 Tm 5.23), e agora informa ao próprio Timóteo por meio de carta, que Trófimo fora deixado por ele enfermo em Mileto. A cura divina, em última instância, é operada de acordo com a soberana vontade do Pai. Nos casos aqui citados, até onde consta, os enfermos e companheiros de Paulo não foram curados.
Em terceiro lugar, Paulo não se envergonhou em narrar a sua incapacidade de reverter a condição de Trófimo. Vivemos em uma época onde somente as conquistas e sucessos ministeriais são apresentados e divulgados publicamente. Omitimos muitas vezes os nossos fracassos e perdas dos nossos discursos, relatórios e biografias. Não queremos expor nossas limitações, imperfeições e debilidades. Nos esquecemos que em nossa fraqueza o poder de Deus se aperfeiçoa (2 Co 12.9-10). Nos esquecemos que em nada devemos nos gloriar, a não ser na cruz (Gl 6.14).
Em quarto lugar, ao demonstrar a sua preocupação por Trófimo, Paulo nos ensina que aquilo que devemos fazer para Deus não deve nos levar a nos esquecermos das condições adversas dos filhos de Deus. Companheiros de jornada não são coisas para serem usadas e descartas quando impossibilitados de cooperar conosco na obra. Companheiros de jornada devem ser lembrados, amados e cuidados.
Em quinto lugar, se a nossa condição for a de Trófimo, se a nossa jornada foi interrompida temporariamente por enfermidades, devemos nisso, com a graça de Deus, lhe tributar honra e glória. Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam, mesmo que não as entendamos (Rm 8.28). O nosso impedimento é usado por Deus para propósitos que estão para além do nosso entendimento.
A graça seja convosco.

Nenhum comentário: