domingo, 17 de junho de 2018

O Calvinismo na CPAD - Os Tesouros de Davi - 2ª Parte


Apesar de na apresentação da obra ficar claro que a editora “oficial” não aceita a doutrina da dupla predestinação (embora publique tal doutrina), um erro grave foi a falta de notas de rodapé alertando o leitor sobre o calvinismo presente nos comentários de Spurgeon.
*O amplo trabalho realizado pela CPAD como a maior editora nacional e todos os méritos conquistados em sua história não estão em juízo nessa breve análise. Fazemos aqui apenas alguns questionamentos sobre determinadas posturas adotadas pela linha editorial da Casa nos últimos anos, culminando com a publicação de uma obra que se impõe abertamente contra nossa Declaração de Fé.
Vamos aos fatos:
- Salmos 69:28, pg.269 - Vol. 2 (Comentário de Spurgeon)
“A verdade é que ninguém que inscrito nos céus jamais pode se perder. Contudo, há quem objete esta declaração baseando-se neste versículo. Por conseguinte, deduzem que alguns nomes registrados podem mais tarde ser apagados. Mas esta opinião lança uma dupla aspersão no próprio Deus. Ou torna Deus ignorante das coisas futuras, como se ele não previsse o fim dos eleitos e dos condenados, e tivesse se enganado quando decretou alguns para a salvação os quais, na verdade, não serão salvos. Ou afirma que o seu decreto é mutável, excluindo aqueles nos seus pecados a quem Ele outrora escolhera.”
- Pg. 270, Vol. 2 (Comentário de Spurgeon)
“De forma que ser riscado do livro é na verdade, nunca ter sido escrito lá. Ser apagado é apenas uma declaração de que não foi inscrito.”
- Declaração de Fé das Assembleias de Deus:
É possível a perda da salvação. Rejeitamos a afirmação segundo a qual “uma vez salvo, salvo para sempre”, pois entendemos à luz das Sagradas Escrituras que, depois de experimentar o milagre do novo nascimento, o crente tem a responsabilidade de zelar pela manutenção da salvação a ele oferecida gratuitamente: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hb 3.12). Não há dúvidas quanto à possibilidade do salvo perder a salvação, seja temporariamente ou eternamente. Mediante o mau uso do livre arbítrio, o crente pode apostatar da fé, perdendo, então, a sua salvação: “Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniquidade, fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá” (Ez 18.24). Finalmente temos a advertência de Paulo aos coríntios: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Co 10, 12). Aqui temos mencionada a real possibilidade de uma queda da graça. Assim, cremos que, embora a salvação seja oferecida gratuitamente a todos os homens, uma vez adquirida, deve ser zelada e confirmada.
- Observação:
O comentário de Spurgeon encontra-se em claro conflito com a Declaração de Fé das AD no seu Capitulo 10:6, onde a mesma Declaração assevera em acordo com as Escrituras a possibilidade de um verdadeiro cristão abandonar a fé.
O pressuposto esposado pelo autor da obra Os Tesouros de Davi, claramente afirma a doutrina “uma vez salvo, sempre salvo”, doutrina essa que ao mesmo tempo em que carece de apoio escriturístico, não possui qualquer amparo histórico dentro da igreja até o então reformador João Calvino o sistematizar.
* Obs: Texto enviado por um colaborador

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