sábado, 11 de março de 2017

O Pacto de Laussane e a A Teologia da Missão Integral: Caminhos e Descaminhos no Brasil


O Pacto de Lausanne foi um documento elaborado durante o Congresso Mundial de Evangelização, realizado na cidade de Laussane, Suíça, em 1974, com a participação de representantes de mais de 150 países. Líderes de influência mundial como os pastores Billy Graham e John Stott se fizeram presentes de maneira muito significativa e atuante. A grande influência de René Padilha no evento e na elaboração do seu documento, ele que é um dos principais líderes do movimento da Missão Integral, foi notória e decisiva.
Apesar de não ter sido muito difundido no meio pentecostal clássico brasileiro, diferente do que aconteceu em outros segmentos evangélicos, dele participou, por exemplo, o pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos, um dos grandes líderes na história das Assembleias de Deus no Brasil. É possível que muitos assembleianos brasileiros que estão lendo este post, nunca tenham ouvido falar, ou não se interessaram em saber mais sobre este Congresso e Pacto.
O Pacto de Laussane, além de reafirmar alguns fundamentos e convicções teológicas, foi também considerado como um chamado à igreja para a reflexão e prática evangelística, tarefa esta tida como urgente e inacabada.
A responsabilidade social da igreja evangélica também ganhou destaque em Laussane, e uma vez reconhecida a sua negligência nesta área, foi orientada ao envolvimento sócio-político, e ao combate e denúncia de toda forma de alienação, opressão e discriminação. Leia o conteúdo do Pacto de Loussane em https://www.lausanne.org/…/pacto-de-lausa…/pacto-de-lausanne
O Pacto de Laussane cooperou significativamente para difundir a ideia de "Missão Integral", ou seja, uma missão que contemplasse as necessidades humanas de forma geral, e com isso uma postura da igreja tanto verbal (através evangelização) como encarnacional (através da ação social).
Outros encontros, antes e depois de Lausane, e a criação de organizações que se propunham a continuar a reflexão e promover a prática de uma "Missão Integral", contribuíram com a construção daquilo que atualmente se conhece como "Teologia da Missão Integral".
Ao longo dos anos, com uma maior prossimidade e diálogo com a Teologia da Libertação, a Teologia da Missão Integral assumiu abertamente a ideologia marxista e a partidarização política ali presentes. A alma socialista presente no texto de Laussane começava a ganhar corpo. Conforme escreveu Júlio Severo, o próprio Billy Graham não se deu conta inicialmente do problema. Leia em http://juliosevero.blogspot.it/…/o-espirito-de-karl-marx-em…
Caio Fábio, que nas décadas de oitenta e noventa abraçou e difundiu as ideias da Missão Integral no Brasil, critica os rumos tomados pelo movimento:
"A ação política daquele movimento, naquela época, na década de oitenta, não tinha nada haver com política partidária, aliás, isso era proibido entre nós.(...) Totalmente diferente da Teologia da Libertação, que tinha adotado o marxismo como chave hermenêutica para a interpretação da sociedade, e o Movimento da Missão Integral da Igreja não podia conceber tal coisa (...). Daí em diante as coisas entraram num estado de caotização. Eu acompanhei e achei tudo absolutamente estranho. Não carregava o espírito daquela caminhada de Lausanne. (...) e também vi que não havia o menor pudor quanto ao fato de se estabelecer uma opção nitidamente político-patidária, bem nítida, como grupo e como movimento, embora os membros do movimento possam não ser filiados a um partido, mas a vocalização partidária e partida pode ser uma tentativa íntegra de ser sincero, mas é uma contradição da própria ideia de Missão Integral fazer algo que chega em uma proposição de partido do ponto de vista, digo, não necessariamente de filiação, mas de partidarização de modo vocalmente comprometido." Assista em https://www.youtube.com/shared?ci=UNxELQfmJpo
A isenção de Caio Fábio no processo de ideologização da Missão Integral no Brasil nas décadas de oitenta e noventa, é contestada por Julio Severo em seu e-book “Teologia da Libertação versus Teologia da Prosperidade”, de 2013. Leia em https://www.scribd.com/…/Teologia-da-Libertacao-versus-Teol…
Augustus Nicodemus, teólogo calvinista e cessacionista, ideias teológicas estas com as quais não compactuo, falando e concordando sobre o problema do marxismo na Teologia da Missão Integral, diz que:
"(...) Infelizmente, nos últimos tempos, líderes do movimento tem assumido claramente essa postura (ideologizada e marxista), e nós repudiamos completamente essa associação. Não dá para juntar, é água e óleo, não dá para misturar." Assista em https://www.youtube.com/shared?ci=OwH92APsoeo
Atualmente, alguns líderes do movimento da Teologia da Missão Integral no Brasil e na América Latina, tem assumido sem cerimônias a prossimidade com a Teologia da Libertação e com o marxismo, fortalecendo assim o seu caráter ideológico, que de velado tornou-se escancarado. Assista em www.youtube.com/shared?ci=YTcf-MDQAJk e em https://m.youtube.com/watch?v=EC7onU_jSWA&feature=youtu.be
É essa Missão Integral adoecida por sua ideologização que rejeitamos, e que denunciamos como um mal que tenta tirar o foco da igreja de sua missão genuinamente bíblica, buscando infiltrar-se e influenciar o meio assembleiano e pentecostal através de suas instituições de ensino acadêmico e teológico, como aconteceu ultimamente nos fatos envolvendo a FAECAD, no Rio de Janeiro.
Neste exato momento, a liderança da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil) em suas várias instâncias, está se mobilizando no sentido de combater eficazmente as ideias e práticas ideologizadas da Teologia da Missão Integral no âmbito institucional e denominacional assembleiano.

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