quinta-feira, 9 de março de 2017

A Teologia da Missão Integral tem alguma coisa haver com a Teologia da Libertação e ideologicamente com a teoria marxista?

Vejamos o que os principais propagadores da TMI no Brasil afirmam sobre a questão:
"Não (...). O primeiro artigo que li já me disse que a Teologia da Missão Integral NÃO TINHA NADA HAVER com a Teologia da Libertação." (Ed René Kivitz). Assista em https://www.youtube.com/shared?ci=YTcf-MDQAJk
"Na sua origem a Teologia da Libertação não era UM REFERENCIAL para a Missão Integral (...). Houve um segundo momento, mais tarde, onde se percebeu a necessidade de estabelecer alguns VÍNCULOS DE DIÁLOGO com algumas expressões da Teologia da Libertação. (...) que haviam preocupações, que haviam jeitos de fazer teologia que eram importantes também para UMA VERTENTE EVANGÉLICA na América Latina." (Valdir Stevernafel). Assista em www.youtube.com/shared?ci=YTcf-MDQAJk
"Dessa discussão surge a base para a Teologia da Missão Integral, UMA VARIANTE PROTESTANTE da Teologia da Libertação." (Ariovaldo Ramos). Leia em Le Monde Diplomatique, jornal de linha editorial de esquerda, em http://archive.is/usZmo
Do enfático "não" do Ed René Kivitz, passamos para a afirmação do Valdir Stevernafel sobre os vínculos de diálogos, o fato da TL ter se tornado posteriormente um referencial para a TMI, e que esta é uma vertente evangélica da TL, e terminamos com a declaração do Ariovaldo Ramos de que a TMI é uma variante protestante da TL.
A TMI tem alguma coisa haver com a TL? Existe uma relação ideológica da TL com a política de esquerda? Tem a política de esquerda relação ideológica com o marxismo?
Minha resposta para todas as questões acima é que sim.
E o que dizer da fala abaixo do Ariovaldo Ramos sobre a TMI e a sua relação com a perspectiva marxista e socialista?"
"Que óculos a TMI vai usar? (...) Eu uso os óculos das ciências sociais. (...) bem naquela cara do Carl Max. (...) no restante ela tem de usar a categoria da luta de classes (...). Ela tem que admitir que tem uma guerra no mundo entre classes (...). A posição de Deus é pela abolição das classes (...)." Assista em https://m.youtube.com/watch?v=EC7onU_jSWA&feature=youtu.be
A posição de Deus é pela abolição das classes? É claro que o ideal de Deus é pela prática da justiça em todos os seus aspectos. Mas qual é o método de Deus? O das ciências sociais? Não. A pregação do evangelho é o método de Deus. É a fé resultante do ouvir a pregação que salva e transforma os indivíduos (Rm 10.8-17), e estes com suas mentes renovadas trabalham em favor de uma sociedade mais justa, experimentando assim a boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.2).
Jesus ensinou a abolição das classes aqui e agora considerando a atual condição pecadora da humanidade? Não. Ele disse que sempre teríamos os pobres entre nós (Jo 12.8). Isso significa que devemos encarnar algum tipo de comodismo fatalista? Não. Enquanto tivermos oportunidade façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé (Gl 6.9-10).
A abolição das classes foi a prioridade missionária da igreja? Não. A proclamação do evangelho foi a prioridade (Mc 16.15-16; At 1.8), sem que isso implicasse em negligenciar o socorro aos necessitados (At 6.1-4; 2 Co 9.1-15; 1 Tm 5.3-16).
A abolição das classes foi o que Paulo ensinou? Não. A responsabilidade individual em trabalhar para se sustentar (2 Ts 10-12), assim como o bom relacionamento entre as classes (Ef 6.5-9), foram alguns dos ensinos de Paulo, que sempre considerou a realidade presente, sem contudo perder as esperanças do Reino futuro.
Paulo falou para a igreja sobre guerra no mundo entre classes? Não. A guerra (batalha, luta) que Paulo enfatizou foi a espiritual, que "não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (Ef 6.12).
Como em todas as teologias não ortodoxas em seus conceitos e/ou práticas, com certeza a manipulação das Escrituras através de uma hermenêutica tendenciosa está presente também na TMI. A mescla entre teologia cristã e ideologia marxista torna-se clara.
No que erram a TL e a TMI? Não entrando aqui no mérito ideológico, em termos conceituais e práticos, ao tentar combater uma ênfase demasiada da pregação evangélica no cuidado com a alma/espírito e com o destino eterno do ser humano, acabam indo para o outro extremo com um discurso onde a ênfase recaí sobre o cuidado com o corpo, e com o "aqui e agora".
Uma missão integral bíblica contemplará sempre esses dois aspectos, o imaterial e o material, o temporal e o atemporal. Por vezes, pelas mais diversas razões e contextos, um destes aspectos ganhou maior ênfase que o outro, mas nunca um deles deveria ou deverá negar a realidade e a necessidade do outro.
Concluo afirmando que acredito sim, segundo as Escrituras, na primazia do cuidado com as questões espirituais e eternas, mas sem prejuízo algum ao que chamo de bem estar consequencial e integral do ser humano, e sem a negação da necessidade de amar ao próximo como a si mesmo, aqui e agora, e de forma concreta, segundo a vontade de Deus e para a Sua glória.
Pr. Altair Germano
Mantova-IT, 9/3/2017

Nenhum comentário: