quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

ESPIRITUALIDADE CIRCUNSTANCIAL E INSTABILIDADE EMOCIONAL NA LIDERANÇA CRISTÃ


Chegando os filhos de Israel, toda a congregação, ao deserto de Zim, no mês primeiro, o povo ficou em Cades. Ali, morreu Miriã e, ali, foi sepultada.

Não havia água para o povo; então, se ajuntaram contra Moisés e contra Arão.

E o povo contendeu com Moisés, e disseram: Antes tivéssemos perecido quando expiraram nossos irmãos perante o SENHOR!

Por que trouxestes a congregação do SENHOR a este deserto, para morrermos aí, nós e os nossos animais?

E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?

Então, Moisés e Arão se foram de diante do povo para a porta da tenda da congregação e se lançaram sobre o seu rosto; e a glória do SENHOR lhes apareceu.

Disse o SENHOR a Moisés:

Toma o bordão, ajunta o povo, tu e Arão, teu irmão, e, diante dele, falai à rocha, e dará a sua água; assim lhe tirareis água da rocha e dareis a beber à congregação e aos seus animais.

Então, Moisés tomou o bordão de diante do SENHOR, como lhe tinha ordenado.

Moisés e Arão reuniram o povo diante da rocha, e Moisés lhe disse: Ouvi, agora, rebeldes: porventura, faremos sair água desta rocha para vós outros?
Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais.

Mas o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso, não fareis entrar este povo na terra que lhe dei.

(Números 20.1-12, ARA)

Mas uma vez Moisés foi confrontado pelo povo, que duvidava de sua liderança espiritual. Os constantes embates, injustiças, pressões e incompreensões da liderança podem deixar o líder debaixo de um profundo estresse.

A atitude inicial de Moisés foi bem espiritual, ou seja, buscou a presença de Deus na porta da tenda da congregação e lhe apresentou a situação em oração, com o rosto em terra. Aumentando mais ainda a espiritualidade envolvida no episódio, testemunharam a manifestação da glória do Senhor e o ouvir da sua voz dando-lhes a devida direção a ser tomada.

Que momento maravilhoso! Em meio às angústias e labores da liderança espiritual, nada melhor do que a perceptiva presença do Senhor e o ouvir a sua voz. Tal experiência é revigorante, renovadora e fortalecedora. Diante de um momento como este o líder geralmente se enche de convicção da sua autoridade espiritual, e descansa na direção daquele que tudo sabe e pode.

Moisés saiu daquela atmosfera espiritual e caminhou em direção ao povo. Acontece que entre aquele momento de singular e extraordinária experiência espiritual na porta da tenda da congregação, até a chegada diante do povo, algo acontece no mais profundo do ser de Moisés, que alterar o seu humor, e que lhe deixa cativo de suas emoções.

O resultado é que ele acaba não seguindo as orientações de Deus, lhe desobedecendo radicalmente, e ainda culmina despejando toda a sua ira no povo e na pedra. O povo é ferido com palavras, a pedra é ferida com a vara, e Deus é ferido com a desobediência de Moisés. As emoções fora do controle geralmente se tornam armas que ferem todos e tudo que nos cercam, nos fazendo perder grandes oportunidades e bênçãos.

Quando as nossas emoções saem do domínio do Espírito, quando nos deixamos ser controlados por elas, acabamos por repetir o erro de Moisés.

Saímos do culto onde pregamos, oramos, glorificamos, adoramos, rimos, choramos e nos alegramos com a presença e diante da voz do Senhor, para logo no pátio da igreja, no trânsito ou ao chegarmos em casa despejarmos violentamente em alguém as nossas contrariedades emocionais em forma de gritos, xingamentos, humilhações e outras expressões grotescas.

Já pude testemunhar oscilações de uma atitude espiritual para a instabilidade emocional em pleno culto, onde dirigentes discutem com músicos, com crianças, com adolescentes, com jovens, com sonoplastas, etc., e tudo isso em meio a uma atmosfera espiritual.

Mais do que simplesmente experiências circunstanciais e momentos espirituais, precisamos viver no Espírito para a glória de Deus. Somente assim não nos inclinaremos para sentimentos e atitudes carnais que não agradam ao Pai (Rm 8.5-8).

É preciso ter cuidado com as emoções, pois elas podem nos causar muitos danos. Quem nunca foi traído por elas?

Um comentário:

Juliano Cipriano disse...

È verdade, lembrei de algumas passagens de minha vida que descarreguei palavras em alguem que até pode ser que merecesse ouvir mas não daquele jeito, como moisés descarregou sua frustração com o povo na pedra... bela mensagem.

J. Cipriano