quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O JULGAMENTO E A SOBERANIA PERTENCEM A DEUS - SUBSÍDIO PARA LIÇÃO BÍBLICA

O texto de Tiago 4.11-17, além de tratar sobre o julgamento e a soberania de Deus, aborda também sobre o pecado da maledicência e a arrogância humana.

O PECADO DA MALEDICÊNCIA

Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo? (Tg 4.11-12)

A Bíblia nos ensina que é possível entre os crentes regenerados haver quem fale mal do seu irmão. Falar mal significa: expressar hostilidade, caluniar, injuriar, insultar, ofender, ultrajar, vilipendiar, falar coisas ruins, etc.

O pecado da maledicência é veementemente proibido em vários textos:

O caluniador não se estabelecerá na terra; ao homem violento, o mal o perseguirá com golpe sobre golpe. (Sl 140.11)

Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. (Ef 4.31)

Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. (1 Co 5.11)

Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. (1 Tm 3.11)

Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, (1 Pe 2.1)

O verbo grego no imperativo presente katalaleite (falar mal), antecedido da negativa me (não) em Tiago 4.11, revela que a ação já estava em andamento na igreja, e que precisava ser refreada continuamente.

O juízo feito entre irmãos não tinha como propósito a motivação correta de  reparar um dano, antes, estavam causando danos uns aos outros através da maledicência. Tratava-se de crítica destrutiva, em vez de construtiva.

A MALEDICÊNCIA, O JULGAMENTO E A LEI

A declaração de Tiago de que o maledicente fala mal e julga a própria Lei, pode ser compreendida das seguintes maneiras:

- Ao falar mal de um irmão, falamos mal da Le e a julgamos, pois ela nos proíbe que o façamos (Lv 19.16, 18) (J. Gill);

- Quando falamos mal e julgamos os irmãos, geralmente o fazemos em áreas da vida sobre as quais as leis de Deus não se pronunciam com clareza ou que nos deixa a liberdade de agir como quisermos. Dessa forma, acabamos achando defeito na própria lei de Deus por não se pronunciar sobre esses assuntos (M. Henry);

- Ao falar mal de um irmão e ao julgá-lo, tomamos a lei em nossas mãos e assumimos o papel de legisladores. Ao fazer isso, julgamos a lei e até achando falta nela. (J. Calvino)

Vale lembra que o julgamento condenado por Tiago não diz respeito ao ato de avaliar os erros e pecados dos irmãos com o objetivo de corrigi-los e conduzi-los ao arrependimento (Mt 7.6; 18.15; Lc 17.3; Gl 6.1; 1 Jo 4.1; Ap 2.2). O procedimento que conduz a conversão de um irmão pecador é recomendado pelo próprio Tiago (5.19, 20).

Somente Deus, o único Legislador e Juíz soberano, através de suas leis, pode julgar os homens no âmbito em que Tiago censura a maledicência/julgamento (Tg 4.12).

A SOBERANIA DE DEUS E A ARROGÂNCIA HUMANA

Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.    Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna. (Tg 4.13-16)

A soberania de Deus, o faz Senhor absoluto sobre toda a criação, e nos é revelada conforme abaixo:

Soberania não é uma propriedade da natureza divina, mas uma prerrogativa oriunda das perfeições do Ser Supremo. Se Deus é Espírito, e portanto uma pessoa infinita, eterna e imutável em suas perfeições, o Criador e preservador do universo, a soberania absoluta é um direito seu. A infinita sabedoria, bondade e poder, com o direito de posse que pertence a Deus no tocante às suas criaturas, são o fundamento imutável de seu domínio (cf. Sl 115.3; Dn 4.35; 1 Cr 29.11; Ez 18.4; Is 45.9; Mt 20.15; Ef 1.11; Rm 11.36)  (Charles Hodge, p. 331, 2001).

Os textos abaixo nos falam sobre a soberania e a autoridade de Deus:

No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada. (Sl 115.3)

Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes” (Dn 4.35)

Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.” (1 Cr 29.11)

Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entreoutros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça. (Is 45.9)

Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? (Mt 20.15)

[...] nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, (Ef 1.11)

Deus não condena o planejamento em si mesmo, mas a maneira como ele algumas vezes é feito. Excluir a ajuda de Deus dos nossos planos, ou simplesmente pedir que ele os aprove sem opinar, é pecado de arrogância, pois transmite a ideia de que não precisamos ou dependemos dele para conseguir os nossos objetivos pessoais, profissionais, ministeriais, eclesiais, etc.

Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros.

Onde está Deus no projeto acima? Pelo contrário, há uma clara manifestação da presunção humana, da auto-suficiência, da independência de Deus. Tal atitude é condenada pela seguinte sentença:

Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.    Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões [...]

A efemeridade da vida é citada por Tiago, assim como o fez Oséias, demonstrando a falibilidade dos projetos meramente humanos;

Por isso, serão como nuvem de manhã, como orvalho que cedo passa, como palha que se lança da eira e como fumaça que sai por uma janela. (Os 13.3)

O salmista diz o mesmo:

Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará. (Sl 39.6)

Porque os meus dias, como fumaça, se desvanecem, e os meus ossos ardem como em fornalha. (Sl 102.3)

Ninguém pode garantir o sucesso de seus próprios planos. Somente com a ajuda de Deus poderemos prosperar e realizar conquistas para a sua glória. [...] se o Senhor quiser. Essa é a atitude que deve nortear os planos de um homem e mulher de Deus:

Então, disse o rei a Zadoque: Torna a levar a arca de Deus à cidade. Se achar eu graça aos olhos do SENHOR, ele me fará voltar para lá e me deixará ver assim a arca como a sua habitação. (2 Sm 15.25)

Mas, despedindo-se, disse: Se Deus quiser, voltarei para vós outros. E, embarcando, partiu de Éfeso. (At 18.21)

mas, em breve, irei visitar-vos, se o Senhor quiser, e, então, conhecerei não a palavra, mas o poder dos ensoberbecidos. (1 Co 4.19)

Porque não quero, agora, ver-vos apenas de passagem, pois espero permanecer convosco algum tempo, se o Senhor o permitir. (1 Co 16.7)

Isso faremos, se Deus permitir. (Hb 6.3)

Em relação aos planos futuros, o sábio nos ensina:

Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá. (Pv 19.21)

Que o Senhor nos ajude, e nos trate, nos curando e libertando de toda maledicência, orgulho, presunção, prepotência, soberba, altivez e arrogância. De tudo aquilo que não busca o bem do próximo, nem a glória de Deus.

Quem sabe o bem que deve fazer e não o faz, peca (Tg 4.17).

O conhecimento do dever que não é usado é pecado, o pecado de omissão (A. T. Robertson)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FRIBERG, Barbara; FRIBERG, Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico. São Paulo: Vida Nova, 2006.
HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando a Carta de Tiago. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
SHEDD, Russel P.; BIZERRA, Edmilson F. Uma exposição de Tiago: a sabedoria de Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2010.


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