segunda-feira, 16 de junho de 2014

ANÁLISE CRÍTICA E COMPARATIVA DAS VERSÕES DA BÍBLIA ALMEIDA REVISTA E CORRIGIDA E REVISTA E ATUALIZADA: TEXTOS ENTRE COLCHETES E CACÓFATOS


Uma peculiaridade da versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) é a identificação entre colchetes de textos que não constam nos melhores e mais antigos manuscritos, fato este omitido na versão Almeida Revista e Corrigida (ARC). Segue abaixo uma lista com alguns versículos onde constam tais casos, sendo necessário ter em mãos uma Bíblia nas versões ARC  e  ARA  para conferir as informações aqui passadas:

MATEUS

5.22; 6.13b; 6.15; 9.13; 18.11; 23.14; 27.24

MARCOS

9.44, 46; 10.24; 11.26; 13.33; 14.68

LUCAS

8.43, 45; 9.56; 12.39; 17.36; 23.17; 23.38

JOÃO

5.3b-4

ATOS

8.37; 15.34; 23.30

GALÁTAS

1.3

1 JOÃO

5.7b-8a

APOCALIPSE

22.14

Sobre o fato da ARA trazer textos em colchetes, em vez de omiti-los, segue a seguinte explicação:

Visto que a edição Revista e Atualizada se baseia numa edição crítica, esses acréscimos, típicos do “texto recebido”, deveriam ter sidos tirados na tradução. No entanto, em respeito a Almeida, o tradutor, e ao leitor familiarizado com esses textos, eles foram mantidos, só que entre colchetes [...]. Os colchetes indicam que o texto que eles contêm consta da tradução de Almeida, feita no século XVII, mas não faz mais parte do texto grego do Novo Testamento que hoje é considerado original.[1]

Insisto no fato de que não se trata aqui de “descartar” ou fazer uma “cruzada” contra a versão ARC, mas de trazer a tona os conhecimentos aqui expostos, para que o máximo possível de professores e estudantes da Bíblia possa ter acesso a essas informações.

OUTRAS RAZÕES PELAS QUAIS ENTENDO SER A ARA UMA VERSÃO MELHOR DO QUE A ARC

Na versão Almeida Revista e Atualizada foram eliminados cerca de dois mil tipos de cacófatos ou desagrados cacofônicos. Um cacófato é caracterizado pelo som desagradável, ou pelo vocábulo ora feio, ora risível, ora indecente, que se forma da contiguidade entre duas palavras.[2] Vejamos alguns exemplos:

- “tatu” (volta tu também, Rt 1.5)
- “alice” (e todo Israel ali se achou, Ed 8.25)
- “dentão” (Desde então, Is 44.8)
- “meja” (Teu nome Jacó, Gn 32.28)
- “porco” (Por comida, Is 62.8)
- “tetão” (Este tão grande, 1 Rs 5.7)

Há outros casos considerados repugnantes como “por Raquel” em Gn 29.18.

A própria impressão textual da ARA se destaca em relação a ARC pelos seguintes fatores:

- A primeira letra da palavra que inicia um parágrafo foi impressa em negrito
- Os textos poéticos, como, por exemplo, Salmos, passaram a ser impressos como poesia
- O nome de Deus (Javé), no Antigo Testamento, foi traduzido por SENHOR e impresso com letras maiúsculas (versalete)

Dessa forma, não apenas o texto da ARA em relação ao grego é melhor. A sua  leitura na língua portuguesa é também de qualidade superior. 



[1] Bíblia de Estudo Almeida. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006, p. 302 do Auxílio para o Leitor. 
[2] 1600 anos da primeira grande tradução ocidental da Bíblia – Jerônimo e a tradução da Vulgata Latina (Fórum de Ciências Bíblicas). Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006, p. 29

3 comentários:

João Paulo Souza disse...

O irmão poderia se posicionar acerca da NVI?

BOCA DOS ANJOS disse...

Paz querido, gostei da informação,não sabia disto que o senhor escreveu, uso normalmete a ARA, mas estou lendo também a NVI, o que o senhor acha dela?

Paz
Maribel

PB LUIZ RAMOS disse...

A paz do Senhor, querido PR.! Essas informações são importantes... Deus continue abençoando o senhor e sua família.