sábado, 28 de junho de 2014

A BANALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO NO CONTEXTO DENOMINACIONAL ASSEMBLEIANO


Sem generalismo, e com muita preocupação, percebo uma clara frouxidão nos critérios de consagração de obreiros nas Assembleias de Deus no Brasil, principalmente nos casos de evangelistas e pastores, fazendo com que cada vez mais o ministério seja banalizado, descendo a níveis jamais antes testemunhados.

Sou de um tempo onde havia muito cuidado na indicação e consagração de ministros evangélicos nas Assembleias de Deus no Brasil, onde alguns reclamavam, inclusive, de excesso rigor por parte das lideranças locais. Bons e saudosos tempos! Devido a algumas questões denominacionais não tínhamos muitos obreiros com preparo teológico, mas tínhamos homens de caráter ilibado, e que serviam a Deus por amor a obra, e não em busca de cargo, poder e dinheiro. É claro que, como em todas as épocas, havia exceções.

Nossa denominação cresceu muito, e com o crescimento alguns problemas ganharam nova dimensão e proporção. Temos agora status social diferenciado entre os políticos, pois temos votos que fazem a diferença num pleito. Em razão disso muitos buscam o “poder ministerial” para alcançar benefícios pessoais do “poder temporal secular”. Diversos pastores estão trocando o púlpito pelo partido, ou se envolvendo com política de forma vexatória e escandalosa, não estabelecendo os  limites desejáveis e prudentes.

Há outros que buscam o púlpito, pois com o púlpito servindo de trampolim, alcançam prestígio e um bom salário. Não estão interessados no bem do rebanho, mas em seu próprio bem e conforto. É claro que o trabalhador é digno de seu salário, mas o salário não pode ser um fim em si mesmo. Aliás, qual foi a última vez que você testemunhou um trabalho pequeno, com uma renda inexpressiva, ser disputado calorosamente, pelo simples fato de ser uma oportunidade de servir a Deus. As disputas atuais entre os ministros do evangelho são geralmente por grandes igrejas, campos, ministérios e convenções.

Temos ainda o fato, de que para conquistar ou se manter no poder institucional (local, regional ou nacional), muitos líderes estão apresentando novos ministros, pois a quantidade dos apadrinhados é a garantia de grandes votações para cargos eletivos, ou para garantir, quando no caso, a indicação dos mesmos em mesas diretoras, conselhos e comissões. Nunca houve tantos ministros “enfeitando” tribunas e reuniões ministeriais e convencionais (quando aparecem) como dias atuais, sem mensagem, poder espiritual, credibilidade ou vocação. Um pregador ou pastor pentecostal é visto por muitos como um mero eleitor convencional.

Mais uma vez apelo às novas gerações, para que digam não a tais práticas, que voltem a buscar e a viver o ministério de acordo com o modelo bíblico, pois caso contrário, só restará o juízo divino, que de uma forma ou de outra virá, não havendo mudança e arrependimento.

Abreu e Lima-PE, 28/06/2014 

7 comentários:

Pr. Raimundo Campos disse...

Liderança, consagração ao santo ministério sempre foi um problema em nossa denominação. Requisitos como caráter e preparo teológico, são essenciais e devem ser preenchidos na separação do ministro. O caráter é fundamental, tanto quanto o preparo e conhecimento teológico. Portanto, tivemos sim, no passado, muitos homens extraordinários no que diz respeito ao caráter, mas fomos escravos de legalismos e outros absurdos males por considerarmos determinadas qualidades em detrimento de outras que também tinham fundamental importância. Hoje, é como foi bem argumentado neste artigo, pioramos: a separação ao santo ministério se transformou em manobras políticas, barganhas e toda sorte de ilícitos. Mercenários e toda espécie de raposa ardilosa ocupam os púlpitos, verdadeiros lobos na função de pastores. Lamentável! A matéria é pertinente e digna de ter nossa atenção. Parabéns!

Robson Aguiar disse...

Pr. Altair, Concordo plenamente com vosso texto. O que mais observamos hoje, são as consagrações políticas.

O resultado, tem sido o aumento de profetas de Acabe, se é que me entende.

Falar sobre esse assunto não é fácil.

São poucos os pastores, e principalmente conferencistas, que abordam esse tema, pois, o leque de alcance é muito grande.

Mas, o irmão frisou bem, "sem generalizar".

Mario Sérgio de Santana disse...

Concordo plenamente com seus comentários pastor Altair. É uma pena, pois avançamos nas questões teológicas (cursos, faculdades etc), mas regredimos nas áreas da ética e espiritualidade. Noto (e isso falo somente da nossa realidade aqui)que muitos dos nossos "pastores" estão muito áquem do que se espera para um obreiro. Na verdade mais parecem ser gerenciadores de massas do que líderes compormetidos com o evangelho.

israel colombari disse...

Uma grande verdade pastor Altair,na nossa denominação,hoje,estamos falhando naquilo que é o mais essencial na preservação dos bons costumes e na verdadeira doutrina teológica da biblia...é assustador o que vemos,ouvimos e vivemos.....ora vem senhor Jesus!!!ufa.

israel colombari disse...

É de se lamentar e chorar pastor Altair,e quero aqui reforçãr tudo isso que o pastor tem mencionado,pois é o que vemos,ouvimos e vivemos.Precisamos de muitos Neemias para reerguer nossas divisas e reutaurar nossa cidade(igreja)Ora vem senhor Jesus...

Newton Carpintero, pr. e servo. disse...

Caro pr. Altair Germano,

Paz amado!

É caótico o atual sistema na escolha dos que são consagrados ao ministério. É triste sabermos que interesses pessoais devastam e envergonham com os assembleianos.

Permita-me repetir parte da sua matéria:

Bons e saudosos tempos! Devido a algumas questões denominacionais não tínhamos muitos obreiros com preparo teológico, mas tínhamos homens de caráter ilibado, e que serviam a Deus por amor a obra, e não em busca de cargo, poder e dinheiro. É claro que, como em todas as épocas, havia exceções.

O Senhor seja contigo,

O menor

João Ricardo disse...

Paz do Senhor Pastor

Fico feliz por ver postagens como esta, isso me faz ver que ainda existem homens de caráter em nossa denominação, que infelizmente tem avançado para um declínio ministerial absurdo, mais Deus pode mudar essa história.