sábado, 17 de maio de 2014

CRÍTICA TEXTUAL DO NOVO TESTAMENTO

No meio evangélico pentecostal clássico brasileiro, em especial nas Assembleias de Deus, o tema "Crítica Textual" é bastante recente, considerando que nossa educação teológica formal tem o seu início em 1959.

Por esta razão, muitos pastore e obreiros em geral que lidam com a pregação e o ensino da Palavra, se chocam quando se deparam com a informação de que as traduções e/ou versões da Bíblia estão sujeitas a erros e correções textuais.

É também difundida entre os assembleianos brasileiros, a equivocada ideia de que a versão de Almeida Revista e Corrigida é a melhor tradução na língua portuguesa. Não são poucas as vezes que a "tradição" da igreja supera o bom senso e a reflexão inteligente, mesmo que tal reflexão se sustente em dados científicos comprovados e confiáveis.

Particularmente, prefiro a Almeida Revista e Atualizada, por ser uma tradução que parte do Novo Testamento Grego das Sociedades Bíblicas Unidas, que juntamente com a edição Nestle-Aland, é a mais conhecida e mais usada por comissões de tradução da Bíblia em todo o mundo. A quarta edição do Novo Testamento Grego foi precedida por um exame acurado de todos os manuscritos gregos disponíveis, bem como da evidência de versões antigas e citações de passagens do NT em escritos dos Pais da Igreja. Há menos que se descubram novos manuscritos, considera-se o estudo do texto do Novo Testamento Grego concluído.

O conhecimento da crítica textual nos proporciona uma maturidade ministerial na relação com o texto bíblico neotestamentário, sem que isso implique no descrédito  ou comprometimento de sua inerrância e inspiração dos autógrafos (texto original).

Minha recomendação, é que pastores, juntamente com todos aqueles que lidam com o estudo, pregação e ensino das Sagradas Escrituras, busquem a educação teológica formal, onde possam estudar o grego do Novo Testamento, e disciplinas como exegese do Novo Testamento, hermenêutica e bibliologia. 

Fazendo assim, poderão por si mesmos, com muito temor e tremor, adquirir conhecimento suficiente para não viver como "massa de manobra", sendo levado por ideias tradicionais e denominacionais, interesses comerciais, ou de qualquer outra natureza, que não mais se sustentam na era da informação e do conhecimento.

Para cooperar com o conhecimento da crítica textual, mesmo daqueles que de imediato não poderão fazer um curso teológico de nível avançado, segue abaixo algumas dicas literárias:

- O Novo Testamento Grego. 4ª ed. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007.

- Variantes Textuais do Novo Testamento: análise e avaliação do aparato crítico de O Novo Testamento Grego"/ Roger L. Omanson. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

- Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento/Wilson Paroschi. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012.

- O Texto do Novo Testamento: introdução às edições científicas do Novo Testamento Grego bem como à teoria e prática da moderna crítica textual/Kurt Aland e Barbara Aland. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2013.

- Tradução Bíblica: um curso introdutório aos princípios básico de tradução/Katharine Barnwell. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2011.

- Introdução Bíblica:como a Bíblia chegou até nós/Norman Geisler e William Nix. São Paulo: Editora Vida, 1997.

O conhecimento sempre será um grande investimento.




3 comentários:

Valdomiro Filho disse...

Parabéns Pr. Altair por buscar despertar nossos irmãos para essa preciosa questão.

Fico feliz em já possui praticamente todos os listados pelo irmão, justamente por ter também essa preocupação.

Certamente se esse chamado for atendido muitas portas se abrirão para um conhecimento mais preciso da palavra de Deus.

Indicaria também a Almeida Séc. 21 e a Versão Brasileira da Bíblia (SBB). Essa última resgata a colocação do nome (ou pelo menos do nome popularizado) de Deus onde aparece "Senhor" como substituto do Tetragrama nas Almeidas.(Bem interessante)

Conheçamos e prossigamos em conhecer a Yahweh!

Paz seja contigo!

João Paulo Souza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Paulo Souza disse...
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