terça-feira, 29 de abril de 2014

TODO CRENTE BATIZADO COM O ESPÍRITO SANTO TEM O DOM DE VARIEDADE DE LÍNGUAS?


O pentecostalismo clássico entende ser o batismo com o Espírito Santo uma segunda bênção, subsequente à salvação, evidenciado pelo falar em outras línguas, revestindo o crente de poder espiritual (Lc 24.49; At 1.4-8; 2.1-4, 39; 8.14-17; 10.44-47).

Dentro desta mesma perspectiva, o batismo com o Espírito Santo é para o pentecostalismo clássico uma realidade atual e acessível a todos os crentes. É exatamente aqui que pode surgir para alguns uma aparente contradição doutrinário.

Diferentemente do batismo com o Espírito Santo como experiência possível a todos, conforme o apóstolo Paulo nos escreve, o dom de variedade de línguas é restrito àqueles a quem o Espírito Santo em soberania e graça (1 Co 12.11, 18) resolver conceder: “Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?” (1 Co 12.30). A resposta óbvia para as perguntas retóricas acima é “não”. Basta examinar todo o contexto do capítulo 1 Coríntios 12.

Diante do acima exposto, passemos a considerar as seguintes questões:

1 – É possível um crente ser batizado com o Espírito Santo com a evidência de falar em línguas (At 2.4), e nunca mais voltar a falá-las, pois o sinal do batismo (falar em “outras” línguas, ou falar em línguas “estranhas”) difere do dom de variedade de línguas (1 Co 12.11, 30)?

2 – Em termos práticos, o ato comum no contexto pentecostal de chamar crentes já batizados com o Espírito Santo para que sejam “renovados”, e falem em línguas novamente, implica na seguinte questão: Esses crentes são chamados para que recebam o dom de variedade de línguas, ou para receber um “novo pentecostes?”, ou seja, uma repetição do derramar do Espírito Santo?

3 – Ser renovado espiritualmente, dentro de tal contexto, poderia ser algo limitado ao simples fato de falar novamente em línguas?

4 - Não seria a verdadeira renovação espiritual na vida de um crente evidenciada por uma mudança de conduta, e não apenas pelo fato de falar em línguas?

5 – Quantos crentes falam em línguas espirituais, mas ainda são carnais (1 Co 3.1-3), não manifestando o verdadeiro caráter cristão, evidenciado pelo fruto do Espírito (Gl 5.22-26)?

6 – Pode ser considerado bíblico rotular um crente de não ser espiritual ou fervoroso pelo fato de não continuar a falar em outras línguas depois de experienciar o batismo pentecostal, visto que o dom de variedade de línguas é concedido pela vontade soberana do Espírito Santo (1 Co 12.11)?

7 – Afirmando que as línguas faladas por ocasião do batismo com o Espírito Santo, sendo na perspectiva pentecostal a evidência do mesmo, já seria ao mesmo tempo o recebimento do dom de variedade de línguas, não estaríamos com isso afirmando que o batismo com o Espírito Santo, assim com o dom, não é para todos?

Compreendo que devemos (ou pelo menos alguns) repensar nossos conceitos pentecostais sobre a relação do falar em outras línguas por ocasião do batismo com o Espírito Santo, e o dom de variedade de línguas (1 Co 12.10), pois caso contrário, continuaremos a incorrer no mínimo, numa grande contradição bíblica e doutrinária.

Vale lembrar, que apesar de ser um importante e atual dom do Espírito  (1 Co 14.1-25), o dom de variedade de línguas é em muitos lugares supervalorizado, enquanto os demais dons são cada vez mais negligenciados e escassos no contexto pentecostal clássico e assembleiano brasileiro.


7 comentários:

Pr Alessandro Garcia disse...

Na perspectiva doutrinária pentecostal, um crente batizado com o Espírito Santo fala em línguas estranhas no ato do batismo. Se ele voltar a falar em línguas é porque recebeu o dom de variedade de línguas, caso contrário, ele apenas foi batizado sem ter recebido o dom de línguas. Diante do exposto, podemos dizer que as línguas como sinal são distintas do dom de variedade de línguas. Então seria possível um crente receber o dom de variedade de línguas sem ser batizado com Espírito Santo? É uma pergunta que merece a nossa total reflexão.

FATIN STEMM disse...

AS PASAGENS BÍBLICAS REFERENTE AO FALAR EM LÍNGUAS PARECE-ME NÃO EXPLICAR QUE A LÍNGUA FALADA PELA PRIMEIRA VEZ É DIFERENTE DA QUE É DENOMINADA DOM DE LÍNGUAS. AS INTERPRETAÇÕES NA CORRENTE TEOLOGICA PENTECOSTAL É QUE AS COLOCAM ASSIM.
EU PENSAR QUE AS ESCRITURAS ESTÁ DIZENDO O QUE EU ENTENDO POR DETERMINADO ASSUNTO É COMPLICADO.

tadeu disse...

Acredito que a evidência inicial do Batismo é falar línguas. Resumidamente, de acordo com 1Co 14, o cristão Batizado deve(isso é importante para ele) orar e cantar com o espírito pois é edificado; por isso eu digo "deve"(mas é claro, somente quando o Espírito agir). 1Co 12.30 NÃO se refere ao falar em línguas de forma devocional(oração, cântico), mas AO DOM DE VARIEDADE. Se Paulo diz que quem ora em língua ORA BEM, como admitir que alguém só falou em línguas no dia? Repito,não deve-se usar 1Co 12.30 para justificar que nem todos continuam falar em línguas, pois ali se refere ao DOM, e o contexto confirma.

Tadeu Costa disse...

Tentarei responder aos questionamentos: 1.Não é possível por causa da natureza da experiência("recebereis poder" ao descer o Espírito) e também pela nova dimensão espiritual(ORA BEM, CANTAR COM O espírito, ORAR COM O espírito).1Co 12.30 não se refere ao falar em línguas devocionalmente, mas nem todos FALAM(DOM DE VARIEDADES). 2. Creio que deve ser um renovo de ÂNIMO, ALEGRIA, FORÇA, PERSPECTIVA, FÉ(AQUELES QUE ESPERAM NO SENHOR RENOVARÃO SUAS FORÇAS);mas, é evidente que não é só desse tipo de renovo que precisamos. 3.já comentei acima. 4.Essa é a principal,a mais importante, mas não é a única renovação;A experiência cristã mostra isso. 5.São muitos. 6.Na verdade, é questionável se ele(a) de fato foi batizado(a).AS LÍNGUAS ESTÃO PARA O BATISMO ASSIM COMO O FRUTO DO ESPÍRITO ESTÁ PARA A CONVERSÃO.Fervor é zelo,diligência.etc.Agora,há alguns mitos:"fulano foi queimado" ou sicrano foi "quase batizado".Isso não existe.Já existe até aqueles que diferenciam BATISMO NO ESPÍRITO(SÓ FALOU EM LÍNGUAS NO DIA) E O QUE FOI REVESTIDO DE PODER(SEMPRE FALA EM LÍNGUAS).Isso também é estorinha.

Tadeu Costa disse...

Continuando a responder seus questionamentos: 7. De acordo com Atos, alguns falaram em línguas e profetizaram.Joel 2 e Atos mostram que as manifestações dos dons de 1Co 12 somente ocorrem depois que o Espírito "cai" ou for "derramado"(BATISMO). Vão todos profetizar assim que são batizados? claro que não!(1Co 12.30).Vão falar em línguas os que receberem o REVESTIMENTO DE PODER? claro que sim! O livro de Atos está cheio.Resumindo: Vamos acabar com mitos(BATISMO/SELO, SÓ TEM O ESPÍRITO SANTO QUEM É BATIZADO, e tal)? Vamos! Todavia, minimizar as evidências da VIRTUDE DO ESPÍRITO SANTO QUE HÁ DE VIR SOBRE VÓS, reduzindo-a a uma mera experiência que traz uma "maior sensibilidade", negando a evidência contínua(as línguas e os dons), é ensinar sobre OUTRO BATISMO.

Tiago Rohem disse...

É pastor Altair Germano, parece que essa questão deixou Anthony D. Palma (Professor de NT, Grego e Teologia, Mestre em Divindade
(M.Div.) do New York Theological Seminary, Mestre em Teologia Sagrada (S.T.M.) e Doutor em Teologia (Th.D.) de Concordia.) desconcertado no comentário sobre 1 Corintíos: "Esta série de perguntas contém uma que é mais controversa do que as outras. "Falam todos diversas línguas?” Isto parece contradizer o ensino clássico do Pentecostes de que todos falarão em línguas no momento em que forem batizados no Espírito. A resposta Pentecostal é que as
perguntas de Paulo aqui tratam de minis­térios e dons que se relacionam a crentes e talvez a estranhos. Sua pergunta sobre o
dom seguinte, a interpretação de línguas, relaciona tanto este dom como a glossolalia a um contexto de adoração. Uma
situação de falar em línguas, no sentido de uma expressão audível em um contexto congregacional, que sejam obrigatoriamente interpretadas, realmente não é algo concedido a todos. Mas isto não exclui o falar línguas em um nível pessoal, não congregacional, Paulo se refere mais tarde à função auto-edificadora do falarem línguas. Será que Deus negaria a algum cristão algum meio de edificação espiritual? É ao
menos sugestivo, se não programático, o relato de Lucas em Atos 2,4 de que no dia de Pentecostes todos aqueles que foram cheios do Espírito falaram em línguas, já que o adjetivo grego p a n to s("todos") é
o sujeito de ambas as orações". (Sic - Comentário Bíblico Pentecostal)

Para continuar, que tal o pastor discorrer também sobre a "apostolicidade atual". O tema consta da Lição Bíblica que trata do ministério de apóstolo, questões como: Há apóstolos hoje? caso sim, que natureza tem esse ministério atualmente? Na assembleia de Deus porque há benção apostólica, embora não haja apóstolos? Alguns que carregam o título , o fazem com base em quê? Emfim o assunto é vasto e polêmico, mas pode e deve ser tratado biblicamente, servindo de subsídio à lição e também como esclarecimento para a Igreja.

Joao Souza disse...

Onde está na Bíblia que tem o dom de variedade de línguas e dom de línguas devocional?
Sobre o falar em línguas no momento do Batismo no Espírito Santo gostaria que me explicassem a resposta de Pedro EM aTOS 11, as palavras em maiúsculo por favor. Atos 11.15-17 "E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós AO PRINCÍPIO.E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água; mas vós sereis batizados com o Espírito Santo.Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que a nós, QUANDO HAVEMOS CRIDO no Senhor Jesus Cristo, quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus?"