quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

MOISÉS - SUA LIDERANÇA E SEUS AUXILIARES



A FORMAÇÃO DE UM LÍDER

A liderança é inata ou adquirida? As pessoas nascem já inclinadas à liderança ou aprendem a liderar? Não há unanimidade sobre a questão, mas tenho a  minha opinião sobre o assunto, e acredito fundamentar-se biblicamente. Creio, numa perspectiva bíblica, que a liderança é inata, mas que pode e deve ser desenvolvida através de vários meios e recursos. 

Ao afirmar que a liderança é inata, entendo que Deus decide em sua soberania e graça os que serão líderes, ou seja, eles já nascem com as características próprias de um líder, vocacionados para a liderança, precisando apenas desenvolver estas habilidades e vocação. No Reino de Deus os líderes não são forjados em instituições acadêmicas, através de cursos e treinamentos específicos, ou de qualquer outro meio, pois tais recursos servem apenas para aperfeiçoar aqueles que já são vocacionados para a liderança, em seus vários níveis e segmentos.

A soberania de Deus na vocação de líderes é comprovada claramente na Bíblia, através vida daqueles que foram chamados para liderar. Adão foi criado e estabelecido por Deus como o primeiro líder dentre os homens. A ele foi delegada a responsabilidade de lavrar e guardar o jardim do Éden (Gn 2.15). O termo hebraico para “guardar” é shamar, que pode ser traduzido por proteger, cuidar, preservar, que são características próprias de um líder. Na condição de líder, coube a Adão a responsabilidade de dar nomes às aves e os animais (Gn 2.19-20), e também a sua mulher (Gn 3.20). Quando a mulher comeu do fruto da árvore que estava no meio do jardim, desobedecendo às ordens de Deus, para em seguida dar ao seu marido, Adão foi responsabilizado por isso, pois era o líder no Éden (Gn 3.9-19).

A soberania de Deus na escolha de líderes é claramente evidenciada na vida de Noé (Gn 6.13-22), Abraão (Gn 12.1-4),  Isaque (Gn 17.19); Jacó (Gn 25.23; 28.10-15); José (Gn 37.5-11; 41.38-44), Moisés (Êx 3.1-10), Josué (Js 1.1-9), Gideão (Jz 6.11-16), Davi (1 Sm 15.28; 16.1-13); Jeremias (1.4-10), Neemias (Ne 2.4-12); Pedro, André, Tiago e João (Mt 4.18-22), e de Paulo (At 9.11-16; Gl 1.15; 1 Tm 1.12-16; 2 Tm 1.8-11). Estes servos de Deus desenvolveram suas lideranças através do aprendizado que a vida oferece, mas já nasceram vocacionados por Deus, e com  características inatas, próprias dos verdadeiros líderes. 

LIDERANÇA É INFLUÊNCIA

A verdadeira liderança não se fundamenta na força do cargo que alguém ocupa. O líder autêntico é seguido por aquilo que ele é, pela confiança que passa, pela credibilidade que possui, pelas habilidades demonstradas, pela maneira como trata e considera as pessoas, e não por títulos ou posições hierárquicas que venha a conquistar.

Ninguém é líder sem seguidores voluntários, que decidiram seguir apenas pela força de atração do líder, por sua capacidade de influenciar. 

A verdadeira liderança não se fundamenta nas qualidades carismáticas. A verdadeira liderança se estabelece pela força do caráter. Há muitos líderes carismáticos, mas sem caráter. A liderança que tenta se estabelecer apenas sobre o carisma logo ruirá. O caráter é a força que dá sustentação ao líder. A verdadeira liderança necessita do elemento credibilidade, e não há credibilidade sem caráter, sem integridade.

Um chefe, gerente, presidente ou diretor, pode passar muito tempo no comando de uma instituição ou organização, pois há vários artifícios e mecanismos capazes de mantê-los ali. Um líder, só conseguirá manter-se na condição de líder através do exemplo positivo, de uma vida inspiradora, da conquista e manutenção da confiança, do poder da influência. 

Conheço vários chefes que não são líderes, nunca foram e nunca serão. Falo de gente que compra gente e que manipula situações para conquistar ou manter-se no cargo. O verdadeiro líder é escolhido por Deus e reconhecido pelo povo. O verdadeiro líder busca o bem do povo e a glória de Deus.

Antes de avançar no propósito de liderar o povo de Deus, de desenvolver-se como líder de forma saudável, busque a certeza em Deus de vossa vocação à liderança. A liderança cristã é para os vocacionados, para os chamados, para os escolhidos por Ele, mediante sua soberania e graça (Mt 20.23; Mc 3.13-14; Hb 5.4).

MOISÉS – LIÇÕES DE LIDERANÇA

E aconteceu que, ao outro dia, Moisés assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde. Vendo, pois, o sogro de Moisés tudo o que ele fazia ao povo, disse: Que é isto que tu fazes ao povo? Por que te assentas só, e todo o povo está em pé diante de ti, desde a manhã até à tarde? Então, disse Moisés a seu sogro: É porque este povo vem a mim para consultar a Deus. Quando tem algum negócio, vem a mim, para que eu julgue entre um e outro e lhes declare os estatutos de Deus e as suas leis. (Êx 18.13-16)

Às vezes nos encontramos tão envolvidos com as atividades que não percebemos o quanto nos tornamos centralizadores. Moisés incorreu neste erro, e mesmo bem intencionado, caminhava em direção a uma profunda exaustão e alta carga de estresse. 

Observando a conduta de Moisés, Jetro, seu sogro, resolveu intervir com um sábio conselho:

O sogro de Moisés, porém, lhe disse: Não é bom o que fazes. Totalmente desfalecerás, assim tu como este povo que está contigo; porque este negócio é mui difícil para ti; tu só não o podes fazer. (Êx 18.17-18)

O líder centralizador não faz com excelência, nem permite que outros façam. É eficiente, mas nem sempre eficaz.

O líder centralizador é um atraso para o crescimento e desenvolvimento de qualquer obra, inclusive de si mesmo.

O líder centralizador é um castrador de ideias, de sonhos, de desejos, e de vontades. 

O líder centralizador é um amante de títulos, cargos e posições. O que vale para ele é ser, mesmo que não faça o seu trabalho, ou faça com deficiência.

O líder centralizador acha que ninguém faz melhor do que ele. Somente ele sabe, entende, conhece e é capaz.

O líder centralizador pensa ser mais habilitado do que todos os demais cooperadores, para todas as tarefas.

O líder centralizador não consegue enxergar o talento alheio.

O líder centralizador tem medo que os outros façam melhor do que ele. A insegurança é uma de suas grandes marcas.

O líder centralizador tem receio de perder a autoridade ao delegar. 

O líder centralizador tem um pouco de imperialista, totalitarista e ditador.

O líder centralizador se mantém no cargo na base da compra, da ameaça, do favorecimento e dos conchavos políticos com outros líderes centralizadores. 

O líder centralizador finge escutar, mas no fim a opinião que prevalece é sempre a dele.

O líder centralizador é um promotor narcisista de sua própria imagem.

O líder centralizador se coloca acima da própria instituição. É personalista, e gosta de ver seu nome e imagem sempre em evidência.

O líder centralizador pode em alguns casos até ser uma boa pessoa, mas é um péssimo administrador.

O líder centralizador pode ter conhecimento, mas lhe falta sabedoria.

O líder centralizador perde tempo e energia em tarefas pequenas, secundárias e sem muita importância, quando poderia estar envolvido em questões de maior relevância e prioritárias.

O líder centralizador delega tarefas, para depois agir paralelamente, desmerecendo o esforço e a habilidade alheia, atropelando a ética.

O líder centralizador pode não ter consciência de sua própria condição.

O líder centralizador sacrifica a família. 

O líder centralizador se desgasta e desgasta os outros.

O líder centralizador tem vida curta e de baixa qualidade.

Ouve agora a minha voz; eu te aconselharei, e Deus será contigo. Sê tu pelo povo diante de Deus e leva tu as coisas a Deus; e declara-lhes os estatutos e as leis e faze-lhes saber o caminho em que devem andar e a obra que devem fazer. E tu, dentre todo o povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta e maiorais de dez; para que julguem este povo em todo o tempo, e seja que todo negócio grave tragam a ti, mas todo negócio pequeno eles o julguem; assim, a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo. Se isto fizeres, e Deus to mandar, poderás, então, subsistir; assim também todo este povo em paz virá ao seu lugar. (Êx 18.19-23)

A nossa subsistência na liderança depende também de nossa saúde física e mental. Nos preocupamos em cuidar dos outros, mas negligenciamos o cuidado pessoal. Deixamos de lado os exames de saúde periódicos, o cuidado com a alimentação, com o repouso, os momentos de lazer e prazer com a família e amigos. Cuide de si mesmo, e então você poderá cuidar dos outros. Moisés só conseguia enxergar a necessidade do povo, que já começava a ser prejudicado em longas filas de espera. Quantos líderes há na atualidade, que fazem as pessoas aguardarem horas, semanas e meses para serem atendidas. Sofrem do mal da centralização.

A solução apresentada por Jetro era simples e prática. O trabalho deveria ser repartido com outros, considerando a gravidade das questões e a capacidade dos assessores. 

Para o bem de todos, Moisés atendeu o sábio conselho de seu sogro: 

E Moisés deu ouvidos à voz de seu sogro e fez tudo quanto tinha dito; e escolheu Moisés homens capazes, de todo o Israel, e os pôs por cabeças sobre o povo: maiorais de mil e maiorais de cem, maiorais de cinquenta e maiorais de dez. E eles julgaram o povo em todo tempo; o negócio árduo traziam a Moisés, e todo negócio pequeno julgavam eles. (Êx 18.24-26)

Não basta apenas delegar, é preciso saber a quem estamos delegando as tarefas. Uma má assessoria comprometerá qualquer liderança, enquanto que bons e confiáveis assessores proporcionarão o seu fortalecimento. Ouse delegar, confiar e distribuir tarefas e autoridade. 

Lidere para o bem do próximo. Lidere, acima de tudo, para a glória de Deus!

Obs: Textos extraídos dos livros O Perfil de Sete Líderes e Uma Liderança com Saúde.

Um comentário:

Rosângela Oliveira disse...

Excelente texto, muito contribuiu para nossa aula de amanhã!Parabéns pastor e muito grata por compartilhar conosco grande tesouro!!!