segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A MULHER VIRTUOSA - SUBSÍDIO PARA LIÇÃO BÍBLICA



Preconceito e discriminação. Tais palavras refletem com precisão algumas condutas, palavras e preceitos, dirigidos e relacionados com a participação da mulher na sua vida em família, e em sociedade no Antigo Testamento. A mulher é forte. A prova disso encontra-se nos registros bíblicos, que nos revela a força com que superou as adversidades e a opressão  numa sociedade patriarcal e machista.

O termo “mulher virtuosa” de Provérbios 31.10, poderia ser traduzido por “mulher de força”, do hebraico esheth hail, conforme também Pv 12.4 e Rt 3.11.


FORÇA PARA VENCER OS PRECONCEITOS

No Pentateuco (Gênesis a Deuteronômio), as mulheres são quase sempre identificadas por meio dos homens que são seus pais, maridos, filhos, etc.

- Sara, Mulher de Abraão (Gn 16);
- Rebeca, a esposa de Isaac (Gn 25);
- Tamar, a nora de Judá (Gn 38);
- Asenate, filha de potífera e mulher de José (Gn 41);
- Zípora, filha de Jetro, mulher de Moisés, mãe de Gérson (Ex 2);
- Eliseba, filha de Aminadabe, mulher de Arão(Ex 6);
- Miriam, irmã de Arão (Ex 15);
- Joquebede, a mãe de Moisés (Nm 26).

Nos Livros Históricos (Josué a Ester), além de continuarem sendo identificadas pelos homens, a quem estão ligadas, elas tornam-se anônimas:

- A concumbina anônima de Gedeão (Jz 8);
- A filha anônima de Jefté (Jz 11);
- A esposa anônima de Manuá (Jz 13-14);
- A esposa anônima de Sansão (Jz 14);
- A mãe anônima de Mica (Jz 17);
- A esposa anônima de Finéias (1Sm 4);
- A serva anônima que salvou Davi (2Sm17);
- A esposa anônima de Jeroboão (IRs 14);
- A viúva anônima de Serepta (1Rs 17);
- A sunamita anônima (2Rs 4);
- A empregada anônima e a esposa anônima de Naamã (2Rs 5).

O valor de uma mulher era geralmente associado a sua capacidade de gerar filhos. Quando isto não acontecia, eram rejeitadas pela sociedade (2Sm 6.23, etc.).

As mulheres só podiam ter um marido (1Sm 25.44), enquanto um homem podia normalmente possuir muitas mulheres (Gn 16; 25; 29; Jz 8.30; 2Sm 1.2; 1Sm 18.27;25.42-43; 2Sm5.13; 1Rs 3.1; 11.3).

As mulheres eram consideradas propriedades dos homens (Nm 31.9; Dt 21.11-13; 1Sm 14.49-50; 2 Sm 3.2-5; 1 Rs 4.11-15; 2Rs 12.2).
A mulher não podia decidir com quem se casaria. A decisão era tomada pelos homens interessados (Jz 14.20; I Sm 25.44; 2Sm 3.15-16).

As mulheres eram as maiores vítimas da violência sexual (Gn 34.1-2; Jz 19; 2 Sm13).

Uma filha poderia ser vendida como escrava (Ex 21.7).

O pedido de divórcio era exclusividade dos homens (Dt 24.1-4), que segundo as escolas dos Rabinos Akkiba e Hillel, poderia pedi-lo por qualquer motivo, banal que fosse.

No caso de uma mulher ser estéril, poderia ceder uma escrava para dar filhos ao seu marido (Gn 16.1, 2). No caso de um marido estéril, o mesmo não acontecia.

As mulheres só herdavam propriedades e bens dos maridos ou pais, na ausência de um herdeiro masculino (Nm 27.7-8).

O voto de uma moça ou de uma mulher casada não tem validade, a não ser pelo consentimento do pai ou do marido, que podem também anulá-lo (Nm 30.4-17).

A mulher viúva, visto que não se encontrava ligada a qualquer homem, era marginalizada pela sociedade (Sl 109.9). Seus filhos, apesar de terem mãe, eram considerados órfãos (Jó 24.9).

As mulheres não comiam com os homens, mas ficavam em pé servindo-os à mesa.

Era impróprio para um israelita falar com uma mulher na rua (Jo 4.27).

No século II d.C. o Rabi Meir criou a seguinte oração “te agradeço ó Senhor, por não ter-me feito um gentio, um escravo, ou uma mulher”.

FORÇA PARA INTERFERIR NA HISTÓRIA BÍBLICA DE MANEIRA DECISIVA

Os preconceitos oriundos de uma cultura exclusivamente patriarcal e por vezes machista, não foram suficientemente capazes de ofuscar as brilhantes intervenções de mulheres, que protagonizaram vários momentos da história do povo de Deus:

- Sifrá e Puá, as parteiras corajosas (Ex 1.15-17);
- Joquebede, fé e objetivos claros (Ex 2.1-10);
- Raabe, decisão firme e certa (Js 2);
- Mical, livrando Davi da morte (1Sm 19.11-12);
- Ester, beleza, inteligência e prudência a serviço do seu povo (Livro de Ester);
- Ana, confiança e perseverança na oração (I Sm 1.10-18).

FORÇA PARA FAZER A OBRA DE DEUS

As mulheres foram, e continuam sendo usadas por Deus na realização das mais diversas atividades:

- Profetisas. Miriam (Ex 15.20), Débora (Jz 4.4) e  Hulda(2Rs 22.14);
- Musicista. Miriam (Ex 15.20);
- Líder Nacional. Débora (Jz 4.4-9);
- Intercessoras. Ana (1Sm 1.27) e Ana (Lc 2.36-37).

FORÇA NO DESEMPENHO DE SUAS TAREFAS COTIDIANAS

Essa força é claramente notada, pela maneira como ela cuida:

- Dos negócios (Pv 31.13-19, 24);
- Da sua casa (Pv 31.15; 27);
- Dos seus filhos (Pv 31.21, 28);
- Do seu marido (Pv 31.11-12, 23);
- De si mesma (Pv 31.22, 25, 26)

A mulher virtuosa, enquanto cuida da estética (aparência) e da auto-estima (valor próprio), não descuida de sua essência, de “ser” segundo o espelho da palavra, para que “sendo”, tenha o louvor e o respeito que lhe é devido:

Assim também você, esposa, deve obedecer ao seu marido a fim de que, se ele não crê na mensagem de Deus, seja levado a crer pelo modo de você agir. Não será preciso dizer nada porque ele verá como a conduta de você é honesta e respeitosa. Não procure ficar bonita usando enfeites, penteados exagerados, jóias ou vestidos caros. Pelo contrário, a beleza de você deve estar no coração, pois ela não se perde; ela é a beleza de um espírito calmo e delicado, que tem muito valor para Deus. Porque era assim que costumavam se enfeitar as mulheres do passado, as mulheres que eram dedicadas a Deus e que punham a sua esperança nele. Elas eram obedientes ao seu marido. 3.6   Sara foi assim; ela obedecia a Abraão e o chamava de “meu senhor”. Você será agora sua filha se praticar o bem e não tiver medo de nada. (1 Pe 3.1-6, NTLH)

Em tempos em que parecer vale mais do que o ser, o cuidado com a beleza interior não deve ser negligenciado pela mulher de Deus.

* Artigo publicado no  livro “Uma Igreja com Saúde”

Nenhum comentário: