sábado, 19 de janeiro de 2013

A LEGITIMIDADE DO CARÁTER: ESTUDO DE CASO SOBRE O CARÁTER DE SAUL (ESBOÇO DE MINHAS AULAS PARA A 10ª EBO DA AD EM CAMPINA GRANDE-PB)



CONCEITUANDO “CARÁTER”

caráter é o conjunto das características, boas ou más, de um indivíduo que determinam a sua conduta e a concepção moral. O caráter de uma pessoas é resultado de fatores subjetivos e da sua relação com o meio.

Na perspectiva bíblica, o caráter legitima ou reprova um indivíduo para o exercício, ou no exercício da liderança cristã e do santo ministério (1Tm 3.1-13; Tt 1.5-9; 1 Pe 5.1-4).

SAUL: UM CARÁTER REPROVADOR

Nem todos os traços do caráter de um líder se manifestam antes que este ocupe as funções ou cargos de liderança lhes confiados. A máxima: “Quer conhecer o caráter de uma pessoa? Dê poder a ela”, parece fazer sentido. Há muitos que mudam de comportamento e postura quando alcançam maiores patamares de poder e autoridade. Tornam-se quase que irreconhecíveis. Analisaremos, partindo desta premissa, o caso de Saul, o primeiro rei de Israel.

A CONDUTA DE SAUL ANTES DE TORNAR-SE REI DE ISRAEL

Antes de se tornar rei em Israel, não há evidências claras de que Saul possuía deficiências graves em seu caráter. Observemos algumas questões:

- Demonstrou obediência ao pai (1Sm 9.1-4).
- Demonstrou obediência a Samuel (1Sm 9.19-27).

A CONDUTA DE SAUL APÓS TORNAR-SE REI DE ISRAEL

No início de seu reinado Saul demonstrou ter um caráter que legitimava a sua condição de líder:

- Demonstrou bom senso ao aceitar a companhia de homens cujo coração Deus tocara (1Sm 10.26).
- Demonstrou tranquilidade diante dos seus opositores (1Sm 10.27).
- Demonstrou sensibilidade e solidariedade para com a causa alheia (1Sm 11.5-11).
- Demonstrou misericórdia para com os seus opositores (1Sm 11.12-13).
- Demonstrou gratidão e alegria ao ser reconhecido como rei pelo povo (1Sm 11.14-15).

Os primeiros sinais de falhas graves no caráter de Saul são manifestos após um ano de reinado (1Sm 13.1). Quando pressionado em meio à guerra contra os filisteus, Saul desobedeceu as orientações claras dadas por Samuel (1Sm 10.8), oferecendo holocausto (1 Sm 13.8-10). O fato desencadeou o seguinte diálogo:

Samuel perguntou: Que fizeste? Respondeu Saul: Vendo que o povo se ia espalhando daqui, e que tu não vinhas nos dias aprazados, e que os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, eu disse comigo: Agora, descerão os filisteus contra mim a Gilgal, e ainda não obtive a benevolência do SENHOR; e, forçado pelas circunstâncias, ofereci holocaustos. (1Sm 13.11-12)

Observamos no texto acima que:

- Saul transfere a responsabilidade para a conduta do povo (ele faria isso outras vezes).
- Saul transfere a responsabilidade para Samuel, devido a sua demora.
- Saul demonstra indisposição em buscar a direção de Deus na tomada de decisões.
- Saul transfere a responsabilidade para as circunstâncias.

Como resultado de sua atitude, e mais ainda, diante de suas alegações desprovidas de um caráter íntegro, de um caráter que assume as responsabilidades, Saul é reprovado como líder da nação:

Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou; pois teria, agora, o SENHOR confirmado o teu reino sobre Israel para sempre. Já agora não subsistirá o teu reino. O SENHOR buscou para si um homem que lhe agrada e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou. (1Sm 13.13-14)

Num primeiro momento parece-nos que Deus foi duro demais para com Saul, não lhe dando chance ou nova oportunidade. O fato é que o Senhor conhece os corações, e nunca reprovará injustamente aqueles que falham diante dele. Deus tem sempre razão em suas decisões. Ele nunca erra. O tempo sempre provará que o Senhor estava e estará certo em suas resoluções.

O VOTO DE SAUL E A SUA APARENTE DEVOÇÃO

No capítulo 14 de 1 Samuel há uma série de atos de Saul que aparenta devoção e fervor espiritual. O capítulo se inicia com voto que tinha como objetivo a vitória contra os filisteus (1Sm 14.1). Há algo na fala de Saul que não soa muito bem. Ele trata da batalha como uma questão pessoal: “para que me vingue de meus inimigos”. Um líder espiritual não milita em causa própria, nem luta em defesa de sua honra, antes, entende que peleja para a glória de Deus e em benefício do povo.

Há outras ações de Saul que aparentam atos espirituais. Ele mobiliza o povo para oferecer uma grande sacrifício (1Sm 14.34), e edifica o seu primeiro altar ao Senhor (1 Sm 14.35). Toda aparente espiritualidade de Saul desaparece ao tratar do caso que envolve o próprio filho Jônatas, que quebrou o voto sem conhecimento do pacto firmado pelo pai (1Sm 14.27-28). Sem buscar a apuração dos fatos, Saul se precipita ao sentenciar o próprio filho à morte (1Sm 14.43-44). A tomada de decisão de Saul é tão insensata, que ele consegue comprometer a sua autoridade, na medida em que o povo toma partido em favor de Jônatas (1Sm 14.45). É lamentável quando a decisão de um líder é rejeitada pelo povo. Decisões precipitadas e injustas sinalizam um caráter fraco. Um caráter fraco enfraquece a liderança.

UM CARÁTER QUE NÃO ASSUME AS RESPONSABILIDADES

Os erros decorrentes da falha de caráter de um líder não são consertados com remendos ou paliativos. A desobediência e o pecado na liderança precisam ser tratados a partir do arrependimento, confissão e conversão daquele que erra. Para isso, é necessário que o líder assuma as responsabilidades por suas ações.

Saul, quando confrontado com a sua desobediência deliberada (1Sm 15.1-3; 10-18; 22-23), em vez de assumir o seu erro, tentou transferir a responsabilidade para o povo (1 Sm 15.9; 14-15; 20-21; 24-25). O resultado disso? Um líder rejeitado pelo Senhor (1Sm 15.23; 26-29). Quando Deus rejeita definitivamente um líder, não devemos ter pena, pois somente Ele conhece plenamente os corações (1Sm 16.1).

DIVERSAS MANIFESTAÇÕES DE UM CARÁTER REPROVADOR NA LIDERANÇA ESPIRITUAL

Saul é um daqueles exemplos de líder com quem aprendemos a não fazer as coisas. Outras falhas de caráter vão se avolumando ao longo de sua permanência no trono de Israel. Observemos algumas delas:

- Ciúme e inveja diante do crescimento da popularidade de Davi (1Sm 18.6-16).
- Intenções maléficas camufladas de atos de bondade (1Sm 18.17).
- Falta de compromisso com a palavra firmada (1Sm 18.18).
- Obstinação e nova tentativa de matar Davi (1Sm 19.8-11).
- Saul tenta matar o próprio filho por defender Davi (1Sm 20.30-33).
- Um caráter reprovável conduzirá o líder à apostasia (1Sm 28.5-25).
- Um caráter reprovável poderá conduzir o líder ao suicídio e à perda da própria salvação (1Sm 31.1-4).

Que cada um de nós possa olhar para si mesmo através do espelho da Palavra, e que tal atitude transforme e aperfeiçoe o nosso caráter, para que a nossa liderança seja legitimada, para que não percamos a nossa salvação, para que confirmemos a nossa gratidão para com aquele que nos fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que nos considerou fiéis, designando-nos para o ministério, mediante sua misericórdia, e sua graça transbordante (1Tm 1.12-14). 

ATENÇÃO: Durante o evento estaremos fazendo o lançamento da 2ª edição de nosso livro "O Perfil de Sete Líderes".

2 comentários:

João Ricardo disse...

Graça e Paz
Amado Pastor, qual o dia que o senhor irá ministrar em Campina Grande???
Pois está saindo uma caravana de Sapé para lá na terça, será que nos encontraremos??

Em Cristo
Pb João Ricardo

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Pb. João Ricardo, minhas participações serão na segunda e terça em horários que serão definidos pela organização do evento.

Paz do Senhor.