A mensagem de Obadias é rica
em advertências que se aplicam tanto às instituições, quanto para indivíduos.
Da perspectiva exegética o
texto trata dos pecados e castigos de Edom, povo descendente de Esaú, irmão de
Jacó, filhos de Isaque (Gn 25.24-26). Ainda no ventre de sua mãe, a soberania
de Deus determinou a relação entre a descendência dos dois irmãos (Gn
25.21-23). As relações entre Esaú e Jacó foram tensas desde os primórdios (Gn
27.38-41).
OS
PECADOS DE EDOM E SUAS APLICAÇÕES PARA OS NOSSOS DIAS
Na mensagem de Obadias
identificamos os seguintes pecados de Edom:
- A soberba;
A
soberba do teu coração te enganou, como o que habita nas fendas das rochas, na
sua alta morada, que diz no seu coração: Quem me derribará em terra? Se te
elevares como águia e puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te
derribarei, diz o SENHOR. (v.1.3-4)
O termo hebraico para “soberba”
é zadhon, que pode ser traduzido
também por arrogância, presunção, orgulho. Conforme a passagem bíblica, Edom
foi enganado pela soberba que estava presente em seu coração (sede das emoções,
pensamentos, sentimentos, vontade). Por habitar numa montanha, tal posição
estratégica fazia com que os edomitas pensassem ser indestrutíveis e
insuperáveis em combates. A confiança deste povo não repousava em Deus, mas em
suas defesas naturais e habilidades pessoais.
Nos dias atuais há quem
deposite a sua confiança em si mesmo, desprezando a ajuda e a proteção do
Senhor. Na vida escolar, acadêmica, profissional, empresarial, pública ou
ministerial, é preciso aprender a confiar e a depender de Deus que está sempre
pronto a nos ajudar. Nossas conquistas e progresso devem resultar em muitas
glórias a Deus.
Os que trilham o caminho de
Edom, e em soberba vivem, pensando que nada nem ninguém podem derribá-los dos
altos lugares, da falsa segurança e estabilidade que se encontram, a Palavra do
Senhor diz: “Se te elevares como águia e
puseres o teu ninho entre as estrelas, dali te derribarei, diz o SENHOR.”
(v. 4)
Perceba no texto que a “elevação”
de Edom não vem de Deus, mas de si próprio. A sua ambição não faz parte de um
projeto divino, mas meramente nacional. Devemos buscar e querer apenas os altos
lugares que o Senhor preparou para nós. Nem mais, nem menos.
Sobre a soberba encontramos
na Bíblia que com ela vem a afronta (Pv 11.2), que ela precede a ruína e a
queda (Pv 16.18). Devemos orar como orou Davi:
“Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de
mim; então, serei sincero e ficarei limpo de grande transgressão.” (Sl
19.13)
A soberba é um sentimento
tão pernicioso, que Davi pede que o Senhor o guarde dela, pois no geral ela
costuma dominar os indivíduos, tornando-os servos seus.
- A violência contra o
irmão:
“Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão,
e serás exterminado para sempre.” (v. 10)
O termo hebraico para violência
é hamas, que pode ser traduzido por
injustiça, crueldade, dano, maldade, afronta, agravo.
Como já citado, a
hostilidade de Esaú (Edom) contra Jacó (Israel) era um caso já antigo. Irmãos
deveriam se ajudar e se amar mutuamente, mas infelizmente, não foi o caso aqui.
Não seria a primeira vez que um irmão mais velho, motivado por ciúme, inveja e
outros sentimentos malignos, desejasse o mal a seu irmão. Caim, que deveria ser
o protetor e cuidador do seu irmão, pois a vida em família e sociedade deveria
seguir esse princípio, tornou-se o próprio assassino de Abel (Gn 4.8-10).
Edom é acusado de se unir
aos inimigos dos filhos de Judá contra seu irmão (v. 11), de se alegrar com a
sua ruína e angústia (v. 12), de se satisfazer com o mal de seu irmão (v. 13),
de estender a mão contra o seu irmão no dia de sua calamidade (v. 13), de
cooperar com a violência contra o seu irmão (v. 14).
Não é fato que testemunhamos
hoje as mesmas mazelas nas relações entre irmãos consanguíneos e de fé? Na
família, na igreja e no ministério não deveria haver hostilidades entre os
irmãos. Infelizmente, o que vemos é o contrário. Há ódio onde deveria haver
amor. Há contendas onde deveria haver união. Há competições onde deveria haver
companheirismo. Há guerras onde deveria haver paz. Há invejas onde deveria
haver alegria.
AS
CONSEQUÊNCIAS DOS ATOS DE EDOM
As atitudes insensatas de
Edom resultaram no juízo de Deus sobre aquele povo e nação. Obadias, como
profeta do Senhor anuncia que Edom seria:
- Desprezado entre as nações
(v.2);
- Derribado de sua altivez
pelo Senhor (v.4);
- Traído e enganado por seus
aliados (v.7);
- Exterminado em seu próprio
lugar de segurança, a montanha (v.8-10).
Conforme a lei da semeadura
e da colheita, a proporção do que se semeia é geralmente maior do que aquilo
que se plantou. No caso de Edom, a semeadura de todos os males contra seu irmão
resultaria em sua total destruição. Neste caso, mais uma vez, a proporção da
colheita foi maior que a do plantio: “como
tu fizeste, assim se fará contigo; a tua maldade cairá sobre a tua cabeça.”
(v. 15b).
CONCLUSÃO
“Partiu,
pois, Jacó de Berseba, e foi-se a Harã. E chegou a um lugar onde passou a
noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs
por sua cabeceira, e deitou-se naquele lugar. E sonhou: e eis era posta na
terra uma escada cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e
desciam por ela. E eis que o SENHOR estava em cima dela e disse: Eu sou o
SENHOR, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. Esta terra em que estás
deitado ta darei a ti e à tua semente. E a tua semente será como o pó da terra;
e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul; e em ti e na
tua semente serão benditas todas as famílias da terra. E eis que estou contigo,
e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra, porque
te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito.” (Gn
28.10-15)
Fica aqui o alerta para a
ideologia ou pensamento edomita que norteia os atos hostis de muitos na
atualidade, em especial na relação entre irmãos:
Não adianta desejar o mal,
nem lutar contra quem Deus resolveu abençoar!
Jundiaí-SP, 24/10/2012.

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