segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O VOTO E O CAJADO: REPENSANDO A ATUAL RELAÇÃO ENTRE A LIDERANÇA DA IGREJA E A POLÍTICA



Durante todo o período que antecedeu as eleições 2012, em minhas viagens para atender as diversas agendas, e agora, após a apuração dos votos, pude testemunhar em nosso país um fato que precisa ser considerado: O chamado “voto de cajado”, assim denominado em razão da participação direta de pastores nos pleitos eleitorais indicando e apoiando candidatos, ou militando fervorosamente, não funciona mais. Não se trata de uma questão de desobediência das “ovelhas”, mas do exercício da liberdade no pleno exercício de sua cidadania como eleitor.

A influência dos pastores no voto das ovelhas, na maioria esmagadora dos casos é mínima (ainda há raras exceções). O que tem acontecido, é que quando um candidato indicado ou apoiado por um pastor ganha, é porque esse candidato já tinha o apoio popular, de grandes lideranças locais, estaduais ou nacionais.

A prova do que eu estou falando se dá, quando analisamos o resultado das eleições em dois municípios onde o pastor se posicionou politicamente. Num deles o candidato apoiado pelo pastor perde com uma margem de votos expressiva, enquanto no outro município  o candidato apoiado pelo pastor ganha da mesma maneira, ou seja, com uma diferença de votos considerável.

Pastores e políticos experientes concordam que a atual relação entre “voto e cajado” não tem sido interessante para a igreja, nem para a política. Como tenho sustentado, a igreja deve apoiar com oração e cooperação as ações dos governantes, mas sem nenhuma relação de barganha ou promiscuidade. A politização dos membros da igreja (formação de uma consciência política), seguida quando necessário do alerta em relação a candidatos maus intencionados, que com seus projetos e princípios destoam dos interesses públicos e dos fundamentos da palavra, sempre será essencial. Tudo isso feito com ética e responsabilidade.

A demonstração de força de um líder evangélico, ou de uma igreja local não está em eleger ou não eleger alguém, mas em buscar e fazer a vontade de Deus, e em tudo glorificá-lo. A força da Igreja de Jesus não é política, mas sim espiritual. 

Como observador do fenômeno “voto e cajado”, e com a intenção de alertar pastores e companheiros de ministério, afirmo que  precisamos urgentemente rever nossa relação com a política, antes que as coisas se agravem mais ainda, antes que percamos por completo o foco da nossa verdadeira vocação de cuidadores do rebanho do Senhor, e da prioritária missão de pregar o evangelho a toda a criatura.

É tempo de rever e restabelecer os limites entre “o voto e o cajado”!

Novamente, o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares. Então Jesus, disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás.” (Mt 4.8-10)

Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui.” (Jo 18.36)

Natal-RN, 08/10/2012.

2 comentários:

João Paulo M. de Souza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
André Gonçalves disse...

Graça e paz!

Pr. Altair,

O que falta em certas lideranças é a responsabilidade com o rebanho. Este concílio entre igreja e estado (política) não dá certo, a própria história já nos conta que quando Constantino estatizou a igreja foi grande ruína. Mas alguns pastores da atualidade insistem em cometer o mesmo erro.

Em Cristo,
André.