terça-feira, 18 de setembro de 2012

A VERDADEIRA MOTIVAÇÃO DO CRENTE: COMO LIDAR COM O ANONIMATO NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

Dentro do contexto do tema do trimestre, uma das causas das aflições na vida de muitos filhos de Deus nos dias atuais é viver no anonimato, numa sociedade onde cada vez mais é enfatizada a necessidade de “aparecer”, de conquistar poder, fama e prestígio, de atrair para si os holofotes do mundo evangélico, de ser a “estrela” do momento, de se tornar o principal “produto de consumo” no mercado gospel, onde a pregação e adoração fazem parte do show business gospel, e onde o ministério tem se tornado uma atividade meramente profissional, onde pastores-executivos se gabam de suas posses, riquezas e grandeza.

FAMA: PERSPECTIVA BÍBLICA E SECULAR

E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo. E a sua fama correu por toda a Síria; e traziam-lhe todos os que padeciam acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos e os paralíticos, e ele os curava. (Mt 4.23-24)

E logo correu a sua fama por toda a província da Galileia. (Mc 1.28)

E a sua fama divulgava-se por todos os lugares, em redor daquela comarca (Lc 4.37)

Porém a sua fama se propagava ainda mais, e ajuntava-se muita gente para o ouvir e para ser por ele curada das suas enfermidades. (Lc 5.15)

As palavras gregas traduzidas por “fama” nos versículos acima são akoe, que significa literalmente “ouvir um relato acerca de fatos acontecidos ou dos feitos de alguém”, e logos, que pode significar “as notícias acerca das realizações de alguém”. Em ambos os casos pode-se utilizar o termo “fama” como tradução, assumindo este um sentido positivo. É assim que podemos entender a fama de Jesus.

Há outros casos onde a ideia de fama num sentido positivo está implícita:

Ora, o SENHOR, disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu será uma bênção. (Gn 12.1-2)

Agora, pois, assim dirás a meu servo, a Davi: Assim diz o SENHOR, dos Exércitos: Eu te tirei do curral, de detrás das ovelhas, para que fosses chefe do meu povo Israel. E estive contigo por toda parte por onde foste, e de diante de ti exterminei todos os teus inimigos, e te fiz, um nome como o nome dos grandes que estão na terra. (1 Cr 17.7-8)

Em seu aspecto bíblico e positivo, a fama tem as seguintes características:

- Não é buscada por aquele que a adquire

- É resultado da ação direta e do plano de Deus na vida daqueles que Ele deseja tornar conhecidos

- Tem a sua razão de ser para a glória de Deus

Em sua perspectiva secular ou mundana, a fama é almejada, buscada e disputada pelo próprio indivíduo, e tem como fim último a sua glória pessoal.

O CRISTÃO NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

O filósofo e escrito francês Guy Debord, em sua obra A Sociedade do Espetáculo, interpretou de maneira bastante interessante a busca desenfreada pela fama, pelo parecer e aparecer.

Em sua tese, a base da sociedade existente é o espetáculo, ou seja, o aparente, o irreal, o ilusório, uma relação social entre pessoas mediada por imagens. A vida organizada socialmente se fundamenta na simples aparência das coisas.

Na sociedade do espetáculo “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. Dessa forma, todos querem aparecer, ser vistos, ser aceitos e aplaudidos.

Na sociedade do espetáculo o indivíduo não pode ficar “por baixo”, nos bastidores, pois precisa ser visto, aceito e aplaudido. Na sociedade do espetáculo, que já atingiu a igreja evangélica brasileira, é preciso aparentar ser o astro que não se é, ter o sucesso forjado através do pagamento de “ofertas-jabás”. Na sociedade do Espetáculo paga-se para aparecer.

A febre da fama atingiu pregadores e cantores evangélicos. Há no Brasil grandes congressos onde para se cantar e pregar é necessário dar uma “oferta missionária”. Pregadores e cantores pagam a “oferta-jabá”, pois acreditam que após gravarem o seu CD ou DVD no referido evento (ou eventos), vão “bombar”, e com isso terão a garantia de uma agenda bastante rentável.

Algumas empresas literárias e produtoras musicais “evangélicas” já se tornaram fábricas de ídolos, usando de estratégias de marketing para promover os seus contratados, e com isso multiplicar o seu capital, sem nenhuma visão de Reino.

A síndrome da sociedade do espetáculo atinge também pastores, que no afã de aumentar seu prestígio, e de dar demonstrações de seu poderio ministerial, investem milhões de reais na construção de templos suntuosos para a própria glória, deixando com isso de dar prioridade às coisas essenciais no Reino de Deus.

No âmbito da política eclesiástica disputam sem ética alguma, matam e morrem por cargos em Mesas Diretoras e demais posições de prestígio. Buscam o poder pelo poder. Estão interessados em meras demonstrações de força e influência. Como sempre advirto, é preciso evitar em todos os casos o generalismo irresponsável, pois sabemos que ainda há pastores, pregadores, ensinadores e cantores sérios, que em tudo buscam a glória de Deus.

Leia mais sobre o presente tópico no link abaixo:

PREGAÇÃO, DESEJO E MOTIVO: UM ALERTA PARA OS JOVENS PREGADORES NUMA CULTURA NARCÍSICA E NA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO

A SEDUÇÃO DO ESPETÁCULO, DA GLÓRIA MUNDANA E DO PODER SECULAR NA TENTAÇÃO DE CRISTO

Satanás intentou frustrar o ministério de Jesus pouco antes do seu início. Para isso ofereceu ao Senhor o mesmo que tem oferecido para os filhos de Deus nos dias atuais, numa tentativa semelhante de frustrar, comprometer e destruir ministérios.

A primeira tentativa de Satanás foi a de fazer com que Jesus fizesse uso dos seus dons e poder sobrenatural em benefício próprio, na medida em que transformasse pedras em pão (Mt 4.3-4).

A segunda investida de Satanás visava exatamente o espetáculo decorrente de um ato extraordinário, que implicava num salto do pináculo do templo, com direito a participação de anjos, mediante a intervenção sobrenatural do Pai (Mt 4.5-6).

Em sua terceira investida, Satanás oferece pode político temporal, e toda a glória humana resultante do mesmo (Mt 4.8-10).

Jesus venceu Satanás pela Palavra, permaneceu fiel aos propósitos do Pai, e com isso teve autoridade para exercer o seu ministério, sem ter do que ser acusado pelo próprio Satanás, nem por homem algum.

Observamos nos dias atuais o fracasso de homens e mulheres que foram levantados por Deus, no início, e até no final de seus ministérios, exatamente pela aceitação daquelas ofertas que Jesus recusou. Foram seduzidos e tragados pela busca da fama e do poder temporal, da efêmera glória do aqui e agora.

VIVENDO NO ANONIMATO PARA A GLÓRIA DE DEUS

No Reino de Deus não é o tanto quanto aparecemos ou deixamos de aparecer que qualifica a nossa vida e ministério, mas a motivação com a qual realizamos a obra de Deus.

A Bíblia e a história é repleta de anônimos que certamente terão seu galardão e reconhecimento na eternidade, concedidos pelas mãos daquele que é justo e verdadeiro (Ap 22.12).

Como exemplo podemos citar a menina israelita que serviu na casa do grande general Sírio Namã (II Reis 5:1-6), as mulheres que doaram seus espelhos quando da confecção da pia de cobre do Tabernáculo em pleno deserto (Êxodo 30:17-21), profetas cujos nomes não são mencionados (1 Rs 13; 20.13-30), os quatro leprosos no episódio do terrível cerco da cidade de Samaria (II Reis7:3-11), a mãe de Rufo (Rm 16.13), os crentes da família de Narciso (Rm 16.11), os irmãos que estavam com Asíncrito, Fleonge, Hermas, Pátrobas e Hermes (Rm 16.14), os santos que estavam com Filólogos, Júlia, Olimpas e a irmã de Nereu (Rm 16. 15), etc..

CONCLUSÃO

Numa cultura secular e evangélica onde o anonimato é quase sinônimo de fracasso, e onde o espaço e a visibilidade midiática são disputados ferrenhamente pelos “astros e estrelas da fé”, é necessário se voltar para a Palavra, e não se conformar com os padrões ou modelos mundanos impostos no presente século (Rm 12.2).

Anônimo ou famoso, conhecido ou desconhecido, viva para a glória de Deus!


Um comentário:

MAURICIO disse...

Hoje pelo que tenho percebido nas igrejas ,os crentes estão agendando Deus ,posso explicar ; Os cultos de dias de semana , são meio que vazios, diferente dos cultos de domingo , ou sábados , e isso tem uma explicação bem clara, o que ocorre é que eles estão focados nos dias em que a igreja tenha um maior numero de crentes , para poderem se deleitar , e ser o centro das atenções , dizem até que louvam , mas na verdade se apresentam , para o homem .tenho certeza de que esses "crentes" nem se lembram de Jesus e muito menos fazem para a glória de Deus o que seria o natural.Louvar a Deus prestar culto é ir para Igreja com o coração aberto para dar o melhor pra Deus e não tirando proveito do púlpito,para engrandecerem a si mesmo .Uma coisa é certa diante do trono branco tudo virá a tona e dai talvez seja tarde !
que a Paz de Cristo Jesus esteja convosco!