segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A PERDA DOS BENS TERRENOS: LIÇÕES DE VIDA APRENDIDAS COM A EXPERIÊNCIA DE JÓ

Quando se trata de grandes perdas, ninguém é melhor do que Jó, na condição de personagem bíblico, para extrairmos grandes exemplos.

Jó, morador de Uz, nos é apresentado como o perfil de um homem religioso e íntegro. Sinceridade, retidão, ética e temor a Deus norteavam a sua vida (Jó 1.1).

Casado, pai de sete filhos e três filhas, possuidor de muitos bens e empregados, a Bíblia nos informa que no Oriente ninguém era maior do que Jó em riquezas (1.2-3).

As posses terrenas não mudaram a maneira de Jó se conduzir diante de Deus e dos homens. Há pessoas que quando passam a conquistar bens e melhorar financeiramente mudam de conduta, se tornam arrogantes, orgulhosas e incrédulas. Sim, as riquezas materiais já afastaram muita gente de Deus, já influenciaram negativamente o caráter e a comportamento de muitos.

Diante dos grandes banquetes promovidos por seus filhos, com bastante comida e bebida, Jó se colocava diante de Deus numa atitude intercessória, com holocaustos, pois dizia: “Porventura pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração”. Essa atitude de Jó era contínua (1.4-5).

Dos versículos 6 ao 12 temos a narrativa bíblica de um fato envolvendo Deus e Satanás, que diferentemente das interpretações descabidas de alguns, não se trata de uma disputa, mas de uma permissão divina com um propósito bem específico, que mais adiante comentaremos.

AS PERDAS MATERIAIS DE JÓ

Dos versículos 13 ao 17 o texto descreve a perda dos bens materiais de Jó:

E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito, que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles; e eis que deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e eu somente escapei, para te trazer a nova. Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova. Estando ainda este falando, veio outro e disse: Ordenando os caldeus três bandos, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e só eu escapei, para te trazer a nova.

Somente quem já vivenciou catástrofes e outras circunstâncias adversas, que resultaram na perda de casas, móveis, roupas, animais e outros bens, pode descrever com exatidão o sentimento experimentado. Contemplar a destruição, o roubo, o saque, ou qualquer outra ação contra o nosso patrimônio material é algo bastante difícil.

AS PERDAS AFETIVAS DE JÓ

Os versículos 18 e 19 narram a trágica morte de seus amados filhos:

Estando ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova.

O que falar da morte de um filho, algo que vai contra a própria natureza, onde se espera que os pais partam primeiro para a eternidade? Quando um filho nosso adoece ou sofre algum tipo de acidente, isso já é motivo de certa aflição, mas quando morre, quando a fatalidade ceifa a sua vida, penso não haver palavras para descrever a dor. Nessas horas somente a graça de Jesus nos sustenta, conforta e consola.

Jó, diante da notícia da morte de seus filhos, não apenas manifestou o seu sofrimento através do rasgar do seu manto e do raspar da cabeça, mas em meio às calamidades adorou a Deus (1.20), e disse:

Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor. Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma. (Jó 1.21-22)

A PERDA DA SAÚDE FÍSICA

Além dos bens materiais e dos filhos, a saúde física de Jó foi também atingida, e isso através de uma chaga maligna que lhe assolou desde a planta do pé até ao alto da cabeça (2.1-7). Essa condição agora provocou um ato de desespero por parte de sua mulher, que entendeu ser a morte a melhor saída para o estado deplorável em que o seu marido se encontrava (2.9-10). Por um lado Jó teve que lidar com o falar de sua mulher, e no outro extremo, com o silêncio atônito de seus amigos (2.11-13).

A PERDA DO EQUILÍBRIO EMOCIONAL

Apesar de íntegro e temente a Deus, Jó era tão humano quanto nós. As pressões decorrentes das perdas dos bens materiais, dos servos, dos filhos e da saúde, desencadearam em Jó uma reação emocional muito forte, manifesta em palavras que expressam sentimentos entorpecidos e conturbados. Em sua verbalização emocional, Jó:

- Amaldiçoa o dia em que nasceu (3.1-10)

- Questiona não ter morrido no próprio ventre de sua mãe, ou por ocasião do seu nascimento (3.11-19)

- Expressa claramente seus sentimentos, sua dor, sua amargura, seu desânimo e desejo de morrer, características de uma crise depressiva (3.20-24)

- Revela os seus temores ocultos (3.25-26)

O PROPÓSITO DE DEUS NAS PERDAS DE JÓ

Como dissemos no início, todo o sofrimento de Jó não causado por uma mera disputa entre Deus e Satanás. Havia um propósito nobre.

Jó, o homem religioso e íntegro precisa de uma experiência real e pessoa com Deus, conhecê-lo não apenas intelectualmente ou religiosamente, mas experiencialmente. Da mesma forma que Jó, há muitas pessoas que vivem a sua religiosidade e em integridade moral, mas não conhecem a Deus pessoalmente.

Após os diálogos narrados entre Jó, seus amigos e Deus, Jó cresce no conhecimento do poder e da soberania de Deus (42.1-2). Mais ainda, Jó descreve a sua própria experiência com o Senhor:

Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. (42.5)

Quanto mais conhecemos a Deus, mais clara será a percepção de nossa própria condição de indignos e falhos seres humanos, carentes plenamente da graça e do amor do Pai celestial.

Por mais que questionemos os métodos ou caminhos de Deus, precisamos por fé, entender que são os melhores. Por fim, depois de tantas experiências que resultaram num relacionamento real, pessoal e íntimo com o Senhor, o cativeiro de Jó foi mudado:

E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía. Então, vieram a ele todos os seus irmãos e todas as suas irmãs e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o SENHOR lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e cada um, um pendente de ouro. E, assim, abençoou o SENHOR o último estado de Jó, mais do que o primeiro; porque teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas. Também teve sete filhos e três filhas. (Jó 42.10-13)

O Senhor, que permite as calamidades em nossas vidas, é o mesmo que tem poder para confortar a nossa alma, e nos restituir as perdas. Ele é soberano e dono de tudo!

Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). Entender isso não é tarefa muito simples. Crer nisso, é essencial. É uma questão de fé!

Pinheiro-MA, 27/08/2012.

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