segunda-feira, 2 de julho de 2012

A SEDUÇÃO E O PREÇO DAS CONQUISTAS

As mais altas conquistas exigem os maiores esforços e sacrifícios.

Fui atleta. Na condição de atleta entendi que somente alcançaria os meus objetivos com muita paixão, esforço, disciplina e determinação.

Comecei como remador. Por volta do ano de 1984 entrei na escolinha de remo do Clube Naútico Capibaribe, em Recife-PE. Um ano após passei a integrar a equipe de remo do clube e iniciei a preparação para estrear no campeonato pernambucano do ano seguinte. Desde então, me submeti a uma rotina de treinamento físico e técnico pesada.

O meu dia começava às 4h00 da manhã. Acordávamos e após a higiene pessoal já partíamos para o alongamento, o aquecimento e o treino físico que incluía corridas de curta, média e longas distâncias, subidas em escadarias de morros e arquibancadas de estádios, natação, circuito de pesos, dentre outras. A duração era em média de uma a duas horas.

Após o treino físico iniciava-se a parte técnica. De acordo com a categoria, nós remadores pegávamos o barco e conduzíamos até ao leito do rio Capibaribe, para lá remarmos por cerca de mais uma a duas horas. Isso acontecia diariamente. Após o treino lavávamos carinhosamente e caprichosamente os remos e o barco.

No início da preparação física e técnica eram comuns as dores musculares e os grandes calos no centro das mãos, provocados pelos exercícios e pelos cabos dos remos. Mas isso não nos incomodava, pois havia paixão, gostávamos de estar ali, tínhamos prazer no esporte. Dormíamos muito cedo, no máximo às 22h00, e isso de domingo a domingo. Abríamos mão de qualquer tipo de atividade que comprometesse o nosso preparo físico, que pudesse causar uma contusão, ou provocar algum tipo de indisposição.

Depois de cerca de um ano nesta rotina, quando faltavam dois meses para estrearmos na categoria “Quatro com Timoneiro”, o treinador nos chamou a parte e perguntou se de fato desejávamos ser campeões. Nossa resposta foi sim. Para nossa surpresa, com o coração aberto e cheio de zelo, o nosso treinador disse que isso somente aconteceria se nos dispuséssemos a treinar mais um ano, pois não estávamos prontos. A princípio a sua fala nos causou certo desconforto e desânimo, mas por fim concordamos. Mais um ano de treinos intensivos viria pela frente.

Quando estávamos no meio do ano, em razão de nossa dedicação e disposição, já chamávamos a atenção da equipe e dos concorrentes pelo nível de excelência física e técnica que alcançamos. Outros remadores e barcos paravam para observar a combinação de elegância e vigor em cada remada.

Enfim, chegou o grande dia da competição. Três clubes disputavam o campeonato: O Clube Naútico Capibaribe, o Sport Club Recife e o Clube Barroso. Barcos a postos, foi dada a partida.

A largada foi tensa, e nos primeiros 500 metros os barcos estavam praticamente emparelhados. Foi a partir desta marca que os nossos minutos, horas, dias, semanas, meses e anos de treinamento intenso, regados por paixão, disciplina e determinação fizeram a diferença. Os remadores dos barcos competidores começaram a dar sinais de cansaço, e consequentemente a qualidade de suas remadas diminuiu. Quanto a nossa equipe, mantínhamos o ritmo, a pegada, a elegância, enquanto contemplávamos os adversários ficando cada vez distanciados à nossa popa.

Cruzamos a linha de chegada em primeiro lugar, e dois anos de dedicação se manifestaram com o levantar das mãos com os punhos cerrados, com o bater nas águas da Bacia do Pina, em risos, lágrimas e gritos eufóricos. Seguiram-se abraços, parabenizações, e o momento da premiação, que foi marcado por muitos aplausos e intensos elogios.

É nessa hora que muitos olham para o atleta e desejam estar em seu lugar. Mas, será que os tais estariam dispostos a pagar o mesmo preço que eles pagaram para estarem ali?

Fui também atleta de voleibol, neste caso pelo Sport Club do Recife, e nesta condição conquistei também vários títulos estaduais. Não alcancei maiores patamares, porque o Senhor resolveu em graça e soberania que minha vida estaria dedicada totalmente em servi-lo no ministério cristão, e num ambiente diferente e distante do esportivo (no período em que fui atleta ainda não tinha Jesus como meu Senhor e Salvador).

Na vida ministerial cristã as coisas são bem parecidas. Há lugares e posições a serem alcançadas e conquistadas, só que não são para a nossa glória pessoal, mas para a glória de Deus.

Muitos olham para os que já acumulam conquistas, e que ainda caminham em direção à plena realização ministerial, e ficam desejosos de também alcançarem e conquistarem de modo semelhante. Acontece que na vida ministerial cristã, assim como na vida do atleta, é preciso fazer as coisas com prazer, disciplina e determinação. As conquistas são resultados de muito treino e labor (estudos, leituras, jejuns, orações, trabalhos, acertos, erros, dor, sofrimento, etc).

O sucesso ministerial que busca servir ao próximo e a glorificar a Deus não acontece por acaso. Se você estiver disposto a ganhar o prêmio, se disponha também a pagar preço. Após cada conquista não se acomode, antes, se empenhe a treinar mais, em manter a chama do prazer pelo que faz acesa, a buscar e em alcançar a excelência.

Na Bíblia há muitos exemplos de homens que alcançaram altos patamares para a glória de Deus. Dentre eles podemos citar Abraão, José, Moisés, Davi, Daniel e Paulo. Muitos almejam chegar aonde eles chegaram, mas não estão dispostos a trilhar o caminho que eles trilharam.

Não se iluda, pois as conquistas que exaltam a Deus possuem o seu preço! Você está disposto a pagá-lo? A glória de Deus é o teu foco, ou buscas apenas os aplausos e o reconhecimento pessoal?

Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. (1 Co 9.24-25, ARC)

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