quinta-feira, 28 de junho de 2012

NO MUNDO TEREIS AFLIÇÕES. Subsídio para Lição Bíblica - 3º Trimestre 2012

“Tenho vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo. (Jo 16.33)

Vocabulário português-grego

Tenhais: échete

Paz: eirénen

Mundo: kósmos

Tereis: échete

Aflições: thlípsin

Tende bom ânimo: thapseíte

Venci: neníkeka

INTRODUÇÃO

As aflições na vida do cristão fiel é uma realidade da qual não é possível fugir. Fico pasmo com o falso evangelho da comodidade, da vida fácil, da vitória financeira, da vitória em tudo, da saúde plena, da ausência de lutas, do se dar bem em tudo.

O sofrimento, a tribulação, a angústia, a dor, a morte é consequência natural de um viver que se opõe ao pecado e ao sistema caído.

A INEVITÁVEL PERSEGUIÇÃO NO ENSINO DE JESUS

Jesus deixou claro sobre a perseguição na vida dos seus discípulos:

Quando, pois, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do Homem. (Mt 10.23)

Mas, antes de todas essas coisas, lançarão mão de vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por amor do meu nome. (Lc 21.12)

Lembrai-vos da palavra que vos disse: não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardarem a minha palavra, também guardarão a vossa. (Jo 15.20)

A perseguição pode acontecer no âmbito familiar, escolar, acadêmico, religioso, político, eclesiástico, etc.

A perseguição pode vir de fora (não-crentes) ou de dentro (crentes).

A perseguição pode ser intensa ou esporádica. Pode ser leve ou forte.

A ausência de perseguição pode ser decorrente de um curto período de relativa paz, ou da nossa conivência com o erro, da nossa conformidade com os modelos de sistemas caídos.

No campo político, aqui no Brasil, não é o regime democrático a principal razão de certa ausência de perseguição contra os evangélicos, mas as alianças vergonhosas de algumas lideranças evangélicas com alguns políticos corruptos (não cabe aqui generalizações).

Outro fator que atenua ou extingue a perseguição no contexto evangélico brasileiro é o silêncio da voz profética da igreja. Diante da corrupção vergonhosa em nosso país, da imoralidade em todos os níveis e formas, da banalização do divórcio, da perda dos referenciais bíblicos de família e casamento, da plena secularização da educação, há uma omissão preocupante, geralmente associada com a postura do não querer problema com ninguém (principalmente com os governantes), ou da própria fraqueza moral da igreja que cada vez mais relativiza os princípios da Palavra, fechando os olhos para os escândalos internos grotescos, ou deixando sem disciplina os protagonistas dos mesmos. Onde a moral falta, a voz profética silencia.

Nos ambientes familiares, escolares, acadêmicos e profissionais a realidade se repete. A ausência de perseguição é geralmente decorrente da falta de testemunho, da adequação aos baixos padrões de vida, do pluralismo religioso, do secularismo, do liberalismo teológico, do relativismo ético e moral, e de outras mazelas da pós-modernidade.

Dessa maneira, a falta de perseguição pode ser um fator preocupante, um sintoma de que o testemunho cristão perdeu o seu vigor.

A REALIDADE DAS AFLIÇÕES NOS ESCRITOS DE PAULO

A realidade das aflições na vida do crente norteou boa parte do ensino de Paulo, buscando com isso estimular os seus leitores no enfrentamento das adversidades da vida, no jornadear de uma vida cristã onde a tribulação, o sofrimento, a dor e morte eram uma possibilidade constante, mas que abria a porta para uma eternidade em glória:

E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus. (At 14.21-22)

Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. (Rm 8.18)

Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas. (2 Co 4.16-18)

Não apenas em suas declarações e ensino, mas acima de tudo em sua vida, o sofrimento e a possibilidade das aflições estiveram bem presentes.

A REALIDADE DAS AFLIÇÕES NOS ESCRITOS DE PEDRO

Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós, para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesta parte. Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus? E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador? Portanto, também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe a sua alma, como ao fiel Criador, fazendo o bem. (1 Pe 4.12-19)

Pedro nos deixa claro que a presença das aflições na vida do crente deve se relacionar com o fato de fazer a vontade de Deus. Há muitos crentes que sofrem por falta de sabedoria, ou por viverem fora da vontade de Deus:

Porque que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas, se fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas, (1 Pe 2.20-21)

Que possamos entender a inevitabilidade das aflições e sua ação pedagógica em nós. Com elas agradamos a Deus, e nelas o seu nome é glorificado.

Americana-SP, 28/06/2012