sábado, 23 de junho de 2012

A FORMOSA JERUSALÉM. Subsídio para Lição Bíblica - 2º Trimestre/2012.

Os assuntos relacionados com Apocalipse são sempre motivos de discussões e controvérsias. Há entre uma interpretação literal ou figurada dos textos escatológicos opiniões que se chocam. Entre o que há de literal ou concreto (não confundir com real) e de metafórico ou figurado na narrativa de Apocalipse 21 e 22, que versa sobre a nova Jerusalém, somente a eternidade nos responderá. Devemos fugir das interpretações simplistas, e também das interpretações especulativas.

Neste subsídio me distanciarei das referidas discussões, para me deter nos princípios presentes na realidade da nova Jerusalém, nas questões práticas e cristalinas em torno do assunto.

O PRINCÍPIO DA HABITAÇÃO COM DEUS NA NOVA JERUSALÉM

E eu, João, vi a Santa Cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus. (Ap 21.2-3)

A nova Jerusalém aponta para a realidade de nossa eterna habitação com o Pai celestial (Jo 14.2). O substantivo grego monê pode ser compreendido como um lugar de residência permanente, e não de simples passagem. Uma morada ou habitação é um lugar de relacionamentos íntimos, fraternos e saudáveis. Sim, habitaremos com Pai na morada, na habitação, na cidade nos preparada.

O PRINCÍPIO DA SUPERAÇÃO E EXTINÇÃO DO SOFRIMENTO

E DA MORTE NA NOVA JERUSALÉM

E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas. (Ap 2.4)

A realidade da nova Jerusalém aponta para a realidade da superação e extinção de todo sofrimento, morte, dor, lágrima, pranto e dor. O apostolo Paulo foi claro ao escrever com convicção de que as aflições deste tempo presente não podem ser comparadas com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18).

A realidade da nova Jerusalém aponta para o fato da extinção da morte, prenunciada em 1 Co 15.53-58:

Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor.

Em breve cantaremos em uma só voz este cântico!

O PRINCÍPIO DA CONFIANÇA NA VERDADE E NA FIDELIDADE DE DEUS NA NOVA JERUSALÉM

E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. (Ap 21.5)

Podemos confiar nas grandes e imutáveis promessas de Deus. Podemos esperar com plena certeza e fé a nova Jerusalém, uma cidade real, pois a fidelidade de Deus se estende de geração a geração (Sl 119.90) e é grande (Lm 3.23). A verdade do Senhor é para sempre (Sl 117.2), todas as suas obras são verdade (Dn 4.37), Ele é a verdade (Jo 14.6).

O PRINCÍPIO DA SEDE SACIADA DE GRAÇA E PELA GRAÇA DE DEUS NA NOVA JERUSALÉM

E disse-me mais: Está cumprido; Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. (Ap 21.6)

A sede de Deus é sede de vida espiritual plena e eterna. Jesus veio para possibilitar o saciamento de nossa sede de Deus:

Jesus respondeu e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna. (Jo 4.13-14)

E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado. (Jo 7.37-39)

O mesmo João que ouviu, e que sob a inspiração do Espírito escreveu as palavras de Jesus em seu evangelho, viu e ouviu em Patmos os fatos sobre a nova Jerusalém, lugar onde da fonte da água da vida será dado de beber a quem tiver sede.

O PRINCÍPIO DA FILIAÇÃO ESPIRITUAL NA NOVA JERUSALÉM

Quem vencer herdará todas as coisas, e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. (Ap 21.7)

A realidade da nova Jerusalém resgata o princípio da filiação presente nas Escrituras. Deus é pai

Recompensais, assim, ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu Pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu? (Dt 32.6)

Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem. (Sl 103.13)

[...] para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. (Mt 5.45)

Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus. (Mt 5.48)

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. (Mt 6.9)

Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso. (2 Co 6.17-18)

Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados. (Rm 8.14-17)

A nova Jerusalém, sem dúvida alguma, é parte da herança dos filhos do Pai celestial. Nela, os vencedores gozarão da presença do Pai.

O PRINCÍPIO DA MANIFESTAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS NA NOVA JERUSALÉM

E levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. E tinha a glória de Deus. A sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente. (Ap 21.10-11ss)

A glória de Deus é manifesta em toda a criação material e espiritual, física e metafísica, visível e invisível:

Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus! (Sl 8.1)

Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos. (Sl 19.1)

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém! (Rm 11.33-36)

A nova Jerusalém é de Deus, criada por ele e para a glória de dele! Cada detalhe da descrição da cidade manifesta a glória do Senhor.

O PRINCIPIO DA ADORAÇÃO NA NOVA JERUSALÉM

E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor, Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. (Ap 21.22)

A nova Jerusalém terá acessibilidade garantida para os verdadeiros adoradores que em espírito e em verdade adoram o Pai (Jo 4.23-24). Lá, a adoração será vivenciada em seu mais elevado nível e plenitude:

O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens. (At 17.24)

Não há templo na nova Jerusalém. A adoração a Deus será vivenciada nele mesmo, pois nenhum espaço delimitado pode contê-lo.

O PRINCÍPIO DA ORIENTAÇÃO E DA DIREÇÃO NA NOVA JERUSALÉM

E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. E as nações andarão à sua luz, e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra. E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite. E a ela trarão a glória e honra das nações. (Ap 21.23-26)

A orientação e a direção que vem do Senhor são as melhores para nós. O Senhor se interessa em nos dar direção. A sua palavra é luz para o nosso jornadear:

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz, para o meu caminho. (Sl 119.105)

O Senhor é a nossa luz: O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? [...] (Sl 27.1)

O Senhor é a luz do mundo:

Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida. [...] Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. (Jo 8.12; 9.5)

Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra. (Is 49.6)

Na nova Jerusalém a luz do Cordeiro resplandecerá mais uma vez, e servirá de guia e referencial para as nações.

O PRINCÍPIO DA SANTIFICAÇÃO NA NOVA JERUSALÉM

E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro. (Ap 21.17)

A nova Jerusalém é inteiramente santa, e nela não há lugar para impurezas e impuros. A nova Jerusalém é lugar de santos. A santificação é prerrogativa para ver o Senhor: Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, (Hb 12.14). Na nova Jerusalém habitarão os bem-aventurados:

[...] aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do cordeiro, para que tenham o direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas. (Ap 22.14)

Dela, alguns ficarão de fora:

[...] Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira. (Ap 22.15)

Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte. (Ap 21.8)

Vivamos em santidade no espírito, na alma e no corpo (1 Ts 5.23), e sejamos santos em toda a nossa maneira de viver (1 Pe 1.15), tendo como referencial aquele que nos chamou, e que declarou: Sede santos, porque eu sou santo (1 pe 1.16), para que possamos aguardar e habitar na nova, formosa e santa Jerusalém.

O gozo e as bênçãos da nova Jerusalém são para nós, e toda a honra e glória é para o Senhor nosso Deus!

Barueri-SP, 23/06/2012

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