quinta-feira, 31 de maio de 2012

FOGO AMIGO?

Fogo amigo, do inglês friendly fire, é o “ataque feito por amigos, colegas ou aliados. Expressão utilizada em guerras quando algum ataque ou bombardeio atinge as próprias tropas ou as tropas aliadas, normalmente por erro de cálculo ou de interpretação. Diz-se, também, de atitudes de traição.” (Dicionário Informal)

A expressão vem ganhando espaço no meio evangélico, principalmente entre algumas lideranças, sempre que uma mazela é denunciada ou confrontada.

Fico a pensar no poder que a corrupção moral, associada a cauterização das consciências, possuem sobre o entendimento e clareza das Escrituras sobre tais mentes.

Tomando emprestado a própria expressão, me parece que neste sentido a Bíblia está repleta de “fogo amigo”.

De maneira geral, poderíamos afirmar que os profetas levantados por Deus no Antigo Testamento foram “fogo amigo” contra os pecados de Israel.

No Novo Testamento, o próprio Jesus não poupou “fogo amigo” contra os seus pares judeus, cegos, injustos, corruptos, formalistas e hipócritas.

Paulo, escrevendo as suas cartas, não economizou “fogo amigo” quando precisou denunciar a avareza, a imoralidade, o partidarismo e outros pecados presentes no cotidiano da igreja do Novo Testamento.

Seria a própria Escritura “fogo amigo”, ao tratar com transparência as fraquezas e os fracassos do povo de Deus. Minha resposta é: Não!

Na prática, o discurso evangélico pós-moderno e secularizado é o seguinte: Os interesses pessoais de alguns líderes e organizações, as suas alianças políticas inescrupulosas, a imoralidade escabrosa e as heresias escandalosas, não deveriam ser expostas, nem denunciadas ou confrontadas. Pastores, mestres e profetas de Deus, comprometidos com o ministério lhes confiado são classificados como “traidores”.

Chegamos, acho que já escrevi isso em outro lugar, ao fundo do poço institucional em alguns contextos específicos, evitando dessa forma as generalizações.

“Fogo amigo”, quando manifestação da indignação santa e da não-conformação com a realidade caótica vivenciada por alguns segmentos evangélicos no Brasil, não intenciona matar, nem se trata de mero denuncismo, antes, se reveste de um caráter profético e zeloso por parte daqueles que ainda acreditam na supremacia das Escrituras, e nos seus valores e princípios inegociáveis.

Por fim, verifico que não apenas a conduta mundana ganhou espaço em nosso meio, mas a sua linguagem também.

Um comentário:

Pb. Alécio Danelichem disse...

A Paz do Senhor Pastor, quero parabenizá-lo por seus artigos e comentários que se coadunam com as expectativas de um povo que anela morar no Céu, diante de tanta carnificina camuflada que Deus continue levantando e usando homens compromissados com o Reino dos Céus, e destronandos os "politicamente corretos".