terça-feira, 17 de abril de 2012

ORDENAÇÃO DE EVANGELISTAS E PASTORAS NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL: FORTALECIMENTO DA ORTODOXIA BÍBLICA OU RENDIÇÃO AO LIBERALISMO TEOLÓGICO? (5)


Além dos argumentos bíblicos já citados e refutados sobre a ordenação de mulheres, ainda há outros, dentre os quais o apostolado de Júnias (Rm 16.7), o significado do termo “cabeça” (gr. kephale) em Efésios 5.23, o significado de “um em Cristo” (Gl 3.28), o contexto da proibição do ensino pelas mulheres (1 Tm 2.11-15), etc., todos passivos de contestação. Para uma abordagem mais ampla sobre o assunto indico as seguintes obras:

CULVER, Robert D et al. Mulheres no Ministério: quatro opiniões sobre o papel da mulher na igreja. São Paulo: Mundo Cristão, 2006.

DORIANI, Dan. Mulheres e Ministérios. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

EDWARD, Brian. Homens, mulheres e autoridade: servindo juntos na igreja. São Paulo: PES, 2007.

PIPER, John. Qual a diferença?: masculinidade e feminilidade definidos de acordo com a Bíblia. Niterói-RJ: Tempo de Colheita, 2010.

GRUDEM, Wayne. O feminismo evangélico: um novo caminho para o liberalismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

______. Confrontando o feminismo evangélico. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

KNIGHT III, George W. Homem e Mulher: suas atribuições. São Paulo: Editora Puritanos, 2000.

LOPES, Augustus N. Ordenação de Mulheres: que diz o Novo Testamento? São Paulo: PES.

QUESTÕES HISTÓRICAS SOBRE A ORDENAÇÃO DE MULHERES

Na perspectiva histórica, a ordenação de mulheres não é ensinada ou praticada no período dos pais da igreja, nem por ocasião da Reforma Protestante.[1] É somente entre alguns grupos de reformadores radicais, como por exemplo os Quacres (séc. XVII), que as mulheres ganham espaço para o ensino e a pregação pública, mas sem nenhuma conotação clerical. Foi a quacres Margaret Fell (1614-1702) quem escreveu Women Speaking Justified (O discurso das mulheres reabilitado), o primeiro livro da autoria de uma mulher que refletia uma teologia fundamentada na Bíblia a favor da ministração pública por mulheres.[2] Os Batistas e os metodistas também cooperaram neste processo (séc. XVIII e XIX).[3] O movimento missionário foi o que teve a maior participação de mulheres no século XIX. A aliança Cristã e Missionária, de A. B. Simpson, treinava e sustentava mulheres em atividades missionárias, onde muitas delas se tornaram líderes nos primeiros anos de avivamento pentecostal.[4]

O Movimento Pentecostal (séc. XX) também contribuiu para uma participação maior da mulher na pregação e no ensino público. As mulheres estavam na linha de frente do movimento pentecostal, onde dentre as quais podemos citar Agnes Ozman, Lucy Farrow, Jennie Evans Moore, Elizabeth Duncam Baker e Aimee Semple McPherson.[5]

Foi no ano de 1853 que aconteceu a primeira ordenação de uma mulher americana ao ministério pastoral, Antoinette Louisa Blackwell, por uma denominação conhecida, a Igreja Congregacional[6], fato este que dividiu as opiniões da denominação, que não reconheceu a sua ordenação. Ela era uma grande oradora[7], uma abolicionista e feminista ativa.[8] A partir de então a ordenação de mulheres foi acatada em algumas denominações evangélicas. Como exemplo, em 1866 a Igreja Metodista no Condado de Jasper, Indiana, ordenou Helenor Alter Davisson à pastora, em 1880, Anna Howard Shaw foi ordenado pela Igreja Metodista Protestante, e em 1893, Edith Livingston Peake foi nomeada evangelista presbiteriana pela Primeira Presbiteriana Unida de San Francisco.[9] Para maiores informações sobre a ordenação de mulheres nas igrejas protestantes acesse o site www.religioustolerance.org.[10] É notório que a ordenação feminina foi realizada geralmente com controvérsias, partindo na maioria dos casos de ministérios locais, e não da liderança denominacional.

No Brasil, conforme Estrada:

[...] a ordenação de mulheres ao ministério da palavra e sacramento, já é uma realidade em várias igrejas. Desde 1922 o Exército da Salvação, através de ministérios ordenados masculino e feminino, teve um grande impacto nas igrejas. Na discussão igrejas protestantes em relação à ordenação de mulheres remonta aos anos 30. Como resultado, encontramos que em 1958 a Igreja do Evangelho Quadrangular (Iglesia del Cuadroangular evangelio) ordenou os primeiros ministros brasileiros mulheres, e em 1970, o Conselho Geral da Igreja Metodista aprovou a ordenação de mulheres. Alguns diaconisas foram prontamente ordenados como anciãos. A Igreja de Confissão Luterana também começou a ordenar mulheres ao redor do mesmo período. A Igreja Episcopal do Brasil lutou para a ordenação de mulheres e conseguiu isso na década de 80. Quanto às igrejas Presbiteriana do Brasil em particular, até este ano apenas a Igreja Presbiteriana Unida havia concordado em ordenar mulheres, e já tem pelo menos quatro pastores ordenados mulheres. A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil discutiu o assunto para um número de anos, até que em fevereiro de 1999, o Conselho Supremo aprovou uma reforma constitucional em que a ordenação de mulheres como presbíteros e pastores foi aceito.[11]

Na Constituição das Assembleias de Deus nos Estados Unidos, em 1914, a orientação foi:

[...] As Escrituras ensinam claramente que divinamente chamadas e qualificadas, as mulheres podem também servir a Igreja na Palavra. (Joel 2:28, Atos 21:09, 1 Coríntios 11:5). As mulheres que tenham se desenvolvido no ministério da Palavra, para que tiveram seu ministério reconhecido em geral, e que provaram as suas qualificações no serviço real, e que tenham cumprido todos os requisitos das comissões credenciais dos conselhos distritais, têm direito a qualquer grau de credenciais de seu mandado de qualificações, e o direito de administrar as ordenanças da igreja quando esses atos forem necessários.[12]

No ano de 1977 foram listadas nas Assembleias de Deus nos Estados Unidos 1600 mulheres ordenadas, onde apenas 292 pastoreavam igrejas, e isso geralmente na ausência de uma liderança masculina. As demais eram missionárias, evangelistas, ensinadoras e esposas de pastores.[13]

É necessário lembrar neste ponto, que o modelo de governo eclesiástico nas Assembleias de Deus no Brasil seguiu o padrão sueco do início do século XX, onde o crente que tivesse o propósito de se tornar um pregador pentecostal e chegar ao “topo da coletividade”, deveria se matricular numa escola bíblica informal, participando de um curso que durava seis semanas, com aulas de interpretação bíblica, homilética e outros assuntos. Ao final do curso o aluno recebia o título de “evangelista”, e deveria sair para pregar o evangelho no país. O referido “evangelista” poderia “subir de posto” na igreja, passando a se chamar “pregador”, e depois disso poderia chegar ao posto de bispo (pastor). No modelo sueco as mulheres podiam se tornar “evangelistas”, mas não lhes era permitido ser uma “pregadora” ou “bispa”, ou seja, não eram ordenadas para pastorear, e por isso não presidiam igrejas.[14]

Um fato interessante é o que envolve a irmã Deolinda Ramos. Durante a primeira Escola Bíblica da Assembleia de Deus de São Cristóvão, entre 5 e 11/08/1929, igreja então presidida pelo missionário Gunnar Vingren, houve a consagração de três evangelistas, e conforme Vingren escreveu para o jornal sueco Evangelli Harold, entre os consagrados estava a irmã Deolinda Ramos.[15] No entanto, mesmo com o apoio de Vingren à ordenação de mulheres (diaconisas e evangelistas), a ideia foi oficialmente reprovada nas assembleias convencionais da CGADB.

O entendimento sobre a insustentabilidade bíblica da ordenação de mulheres nas Assembleias de Deus no Brasil não prejudicou a participação das mulheres na construção da história da denominação. Nomes como os de Frida Vingren, Signe Carlson, Emília Costa, Florência Silva Pereira e Ruth Dorris F. Lemos, podem ser lembrados e citados.[16]

A QUESTÃO DA EXPERIÊNCIA POSITIVA

Em uma das minhas agendas tive a oportunidade de conversar com um pastor presidente assembleiano numa cidade do Brasil, e o mesmo me disse que em seu ministério havia pastoras, e que o trabalho delas era melhor do que os dos pastores. Esse argumento tem sido usado para defender a legitimidade da ordenação de mulheres ao ministério pastoral.

Um outro fato conhecido de muitos é que alguns líderes estaduais dão às mulheres responsabilidades à frente de congregações e campos, mas não realizam a sua ordenação “oficial”, certamente para não entrarem em conflito com as resoluções da CGADB.

Precisamos entender que a experiência por si só não justifica a prática. A Bíblia deve nortear nossa vivência cristã e eclesiástica. Nem tudo que dá certo, que funciona ou que dá resultados é sinal da bênção ou aprovação de Deus. A questão primordial é a fundamentação bíblica para a prática, e na falta de modelos objetivos, segue-se a aplicação de princípios. O Novo Testamento nos oferece de forma clara o modelo de governo para a Igreja. As experiências negativas das mulheres na condição de pastoras não são relatadas pelos defensores da ordenação de mulheres.

CONCLUSÃO

Diante dos atuais fatos, quais os rumos das Assembleias de Deus no Brasil em relação à ordenação de mulheres? Com certeza a discussão retornará ao plenário das Assembleias Gerais da CGADB.

Será que a ordenação de mulheres permanecerá sem reconhecimento oficial por parte da CGADB?

Será que as convenções estaduais diante da possibilidade acima ficarão impunes?

Será que acontecerá o contrário, e a ordenação de mulheres será aprovada pelo plenário numa Assembleia Geral da CGADB?

Isso promoverá um novo racha nacional?

Será que não haverá um novo racha nacional, e a política eclesiástica administrará a situação?

Será que em breve teremos pastoras presidentes de Ministérios, Convenções Estaduais, e uma pastora presidindo a CGADB?

Independente das respostas que o tempo nos dará, o trabalho das mulheres continuará sendo de grande relevância nas Assembleias de Deus no Brasil, mas a ordenação delas, no meu entendimento, não se sustenta biblicamente.

Com a ordenação de mulheres ao pastorado abrimos mais um precedente para o fortalecimento do liberalismo teológico nas Assembleias de Deus no Brasil, onde mais uma vez algumas experiências práticas positivas acabarão por superar o fundamento inegociável das Sagradas Escrituras.

No amor de Cristo,

Altair Germano.



[1] DORIANI, Dan. Mulheres e Ministérios. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 154-169.

[2] SYNAN, Vinson. O século do Espírito Santo: 100 anos de avivamento pentecostal e carismático. São Paulo: Editora Vida, 2009, p. 320.

[3] CULVER, Robert D et al. Mulheres no Ministério: quatro opiniões sobre o papel da mulher na igreja. São Paulo: Mundo Cristão, 2006, p. 15-25.

[4] SYNAN, ibid., p. 329.

[5] Ibid., p. 331-339.

[6] Disponível em http://www.infoplease.com/spot/womensfirsts1.html, acessado em 16/04/201.

[7] Disponível em http://en.wikipedia.org/wiki/Antoinette_Brown_Blackwell, acessado em 16/04/2012.

[8] A Columbia Encyclopedia Eletrônico, 6 ª ed. Copyright © 2007, Columbia University Press.

[10] Disponível em http://www.religioustolerance.org/femclrg13.htm, acessado em 16/04/2012.

[11] ESTRADA, Leciane Goulart Duque. Uma história do Brasil. Disponível em http://www.warc.ch/dp/rw9912/02.html, acessado em16/04/2012.

[12] HOWE, E. Margareth. Mulheres e liderança na igreja. Disponível em http://www.womenpriests.org/classic2/howe07.asp, acessado em 16/04/2012.

[13] Ibid.

[14] ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 580.

[15] Ibid., p. 84-85.

[16] Ibid.

13 comentários:

Newton Carpintero, pr. e servo. disse...

Caro pr. Altair Germano,

A paz amado!

Muitos se omitem a uma matéria como esta(05).

A esta matéria é impossível dar-lhe os parabéns, esta matéria merece o CONTINUABÉNS!

O Senhor seja contigo,

O menor de todos os menores.

Vandim disse...

Penso que parte da defesa do pastorado feminino em parte está certa quando defende o reconhecerem o chamado das mulheres ao ministério em tempo integral (1 Coríntios 9:3-14). A equipe ministerial de uma igreja local poderia ser mais diversificada e incluírem mulheres em ministérios que não envolvam governo da igreja (pastor-presbítero)

Lucas Marim Santos disse...

A Paz do Senhor.

Conseqüências da Revolução Feminista, mas não do efeito da Palavra de Deus e nem de um maior desejo feminino de trabalhar para o Senhor. As mulheres antes tinha o privilégio de trabalhar exaustivamente para o Senhor no auxiliar seus esposos e na oração, em incutir a sabedoria para a criação dos filhos. Hoje, mais engajadas nos ministérios, começam a perder de vista a função que Deus lhes concedeu, como benção, não como prisão ou maldição. Não estamos falando de discriminação pejorativa, não queremos mesmo que a ordenação ao ministério seja uma maneira de mostrar que alguém também pode assumir o poder.

O Senhor Seja contigo. E que a vida do Senhor Jesus, A Palavra, possa inundar as nossas vidas.

1 João 5:7 Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um.

Gilmar Valverde disse...

Caro Pr. Altair Germano,

Tudo que foi escrito até aqui vale para o diaconato? Ou seja, é bíblico a ordenação de diaconisas?

Em Atos 6 mostra apenas homens exercendo esse cargo (assim como no caso dos apóstolos), mas em Romanos 16.1 fala de uma mulher chamada Febe que servia a igreja de Cencreia e que a NTLH traduziu essa passagem afirmando que ela estava exercendo o diaconato lá.

Como fica essa questão? Caso o Sr. possa me responder, ficarei muito grato.

Atenciosamente,

Gilmar

Teophilo Noturno disse...

Me metendo onde não fui chamado (discussão sobre "pastoras" nas Assembleias de Deus e em qualquer outra denominação):

"A humanidade vem querendo, no decorrer da história, confrontar a criação e as ordens expressas deixadas pelo Senhor Deus. Para mim, assim como homens não é natural que homens menstruem ou gerem filhos, da mesma forma são as pastoras - tudo grande aberração e escândalo por conta da vaidade."

Daladier Lima disse...

- Alô, é a irmã Luiza Ângela?
- Sim. Quem fala?
- É o reitor Aloísio Nicomedes?
- Ah! Reitor. O que o leva a este telefonema?
- Olha, é que a senhora fez uma inscrição para nosso Curso Superior de Teologia...
- Ah! É verdade...
- Bem, eu estou lhe contactando para fornecer algumas informações importantes. Ok?
- Pode falar, estou ouvindo...
- Então..., nosso curso tem nível superior. Dentro da denominação é o que melhor a senhora poderia fazer. Tem a duração de quatro anos. Não é nada, se a senhora vir o semblante dos formandos deste ano... Nossa grade curricular é bem recheada e visa proporcionar aos nossos alunos a melhor preparação possível para exercer a teologia dentro da igreja do Senhor... A maioria de nossos alunos são mulheres, de maneira que a senhora irá se sentir muito bem entre elas...
- Ah! Que ótimo, quanto ao tempo, não tem problema, não é o que é necessário?
- Para a carga horária, sim. Sabe, queremos dar peso ao nosso curso. Ele fica bem denso e se aprofunda bastante na Bíblia... bom a senhora poderá conferir pessoalmente nas aulas.
- Eu estou eufórica para que iniciem...
- Só tem um probleminha... precisamos saber qual seu intuito ao fazer o curso?
- Como assim?
- Qual a sua intenção ao fazer o curso? Ou seja, para que fins ele será usado na Igreja?
- Ah! O que eu queria mesmo era dar um reforço no culto doméstico, sabe? Lavar panos e pratos com mais qualidade, enquanto recito os clássicos. Ensinar aos meus filhos um pouco de exegese. Compartilhar textos em grego e hebraico com minhas amigas no chá da tarde. Entrando no seminário, fazendo um Curso Teológico de nível superior, tudo terá muito mais densidade, acredito...
- Ah! Muito bom. Eu pensava que a senhora havia aderido às novas tendências...
- Quais, reitor, estou por fora?
- As que reivindicam cargos como pastoras para as mulheres...
- Qual nada, reitor, eu estava até preocupada com a grade que me foi fornecida na matrícula. Havia várias cadeiras sobre administração eclesiástica, liderança, exposição bíblica. Agora que o senhor me telefonou, ufa! Foi por pouco... Tirou um peso enorme das minhas costas.
- Amém, minha santa. Não fique preocupada, aquelas aulas são para os homens. Sabe como é... Até as aulas...
- Fique na paz, reitor.

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Daladier, vamos direto ao ponto:

1. O irmão é favorável a ordenação de pastoras e evangelista nas Assembleias de Deus no Brasil?

2. Uma irmã que procura um seminário não pode estar buscando qualificação para ensinar melhor na EBD, trabalhar na liderança de mulheres, crianças e adolescente? Ou executar outras atividades na igreja sob a autoridade de um pastor?

3. Caso você seja favorável à ordenação de pastoras e evangelistas, fundamente biblicamente. Sua participação aqui é enriquecedora.

Abraços,

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Gilmar,

diaconisas não ocupam posição de liderança e governo na igreja, diferente de presbíteros e bispos.

Não sou contra a separação de diaconisas, e em breve escreverei sobre o tema.

Abraços,

Vandim disse...

Limitar a formação teológica ao exercício do pastorado-ordenado é ignorar a relevância do labor teológico. Existem muitas teólogas e biblistas protestantes e católicas que não são favoráveis à ordenação de mulheres em suas igrejas.

Eliseu Antonio Gomes disse...

Caro Pr. Altair.

Na primeira postagem dessa série, lembrei o caso do regime escravagista, que existia na geração da Igreja Primitiva, quando não houve uma só nota opinativa dos apóstolos sobre se o uso do regime laboral da escravatura era atitude correta ou não entre cristãos. Também, fiz dessa situação um paralelo com a questão machista, que havia na sociedade daquela época. A minha intenção era mostrar que Deus age independente de alguns erros crassos de Seus servos em questões secundárias e seculares.

Eu penso que no futuro, não tão distante assim, existirão mulheres pastoreando as Assembleias de Deus, em ministérios filiados à CGADB. É a lei da semeadura. Basta olhar o que tem sido plantado pelas lideranças masculinas nos últimos anos. Em nome de interesses na política eclesiástica, homens trouxeram mundanismo para dentro do ambiente que deveria ser sempre respeitado. Até copiaram estratégias da política secular, causaram escândalos, usaram – e ainda fazem caixa para usar - muito dinheiro em campanhas... Dinheiro de quem? Meu e seu? Não, de Deus! Ora, desde quando Deus é cabo eleitoral de alguém e é integrante de chapa X ou Y? Ele está interessado na salvação de almas e não em panfletagem politiqueira e assento em gabinetes pomposos. O dinheiro deve ser usado para o que Deus mais valoriza: o serviço de evangelismo de almas! Crentes estão morrendo na África, e missionários cristãos não são custeados devidamente.

Está faltando espiritualidade na questão de finanças? Respondam vocês.

As mulheres assumirão os postos-chaves, mas não apenas por causa da exaltação e posterior humilhação de machistas. É porque não existe nenhum erro doutrinário em que elas assumam estes postos pastorais como líderes. E pode ter certeza que quando isso acontecer, a administração do dinheiro será mais correta.

Sabemos que Deus não depende de homens (aqui sentido genérico) para que a Obra prossiga, e detesta quem pense o contrário disso. Pastor-presidente? Alguns agem como se Deus dependesse de testosterona para vencer o diabo, há até quem pense que Deus é um ser masculino (Ele não tem sexo!)... Ora, tais pensamentos são ridículos, principalmente quando sendo peça apologética daqueles que se dizem mestres.

Eu noto haver por parte de alguns homens, até em periódicos relevantes e de nível nacional, outro grande erro exegético. Qual? Usam-se textos bíblicos narrativos como se eles fossem normativos. Afirmam: “no tempo dos apóstolos não havia mulheres liderando, então, não deve haver agora”. Ora, homem sem pecado só houve um, Jesus Cristo, portanto, só as passagens bíblicas narrativas sobre Cristo servem para nós como fonte doutrinária, as normas a serem seguidas à risca são apenas as ações do Filho do Senhor!

É um equívoco não reconhecer oficialmente os dons relativos à liderança que Deus dá às mulheres, e a Assembleia de Deus perde uma enorme chance de ser mais usada por causa desse erro histórico, por causa do apego masculino ao poder na base do custe o que custar.

Abraço.

http://belverede.blogspot.com.br/

Mario Sérgio disse...

Pastor Altair. Rapidamente quero aqui registrar minha opinião sobre esse assunto tão polêmico. Acredito que a resistência, e a não ordenação de mulheres ao ministério seja mais cultural do que bíblica. Do ponto de vista histórico é isso que percebo. Também sobre o fato de algumas mulheres, principalmente as pioneiras, terem se destacado no ministério, o senhor coloca (pelos menos entendi assim) que não houve impedimentos. Mas o caso Frida Vingren é um exemplo que houve sim barreiras, mesmo ela sendo tão talentosa e criativa. Outro ponto que acho importante salientar, é que muitas ordenações são de fato, uma consolidação de um clã no poder de um ministério ou igreja. Ou seja, ao separar mulheres, algumas igrejas estão de fato reforçando o poder masculino e o status familiar de uma dinastia.

Um grande abraço!

Vandim disse...

O evangelho se espalhou pela terra, igrejas floresceram em diversas culturas, e não temos noticia de mulheres ordenadas, mesmo nas culturas dos povos que confiam o culto às sacerdotisas. Quanto à escravidão não temos nenhum impedimento na Bíblia p um escravo ser presbítero-bispo-pastor. Os cristãos não confrontaram frontalmente esta instituição (escravismo romano) pq entendiam claramente que não era possível criar uma sociedade utópica neste mundo, tbm não tinham ainda influencia p propor reformas estruturais na sociedade, mas procuravam viver de forma mais justas possível, é oq os apóstolos recomendam no tratamento de senhor e servo, hoje se aplicam a empregado e empregador. A não ordenação de mulheres não é só por falta de exemplo bíblico-histórico, mas pelas restrições teológicas. Em 1 Coríntios 11:3, 8-9 e 1 Timóteo 2:12-13, Paulo se fundamenta na doutrina de Deus (trindade) e na criação p ensinar q a autoridade na igreja deve ser masculina.

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Altair, não vi suas perguntas. Mas...Incrivelmente, as respostas estão no texto.

1) Sou favorável a que se deixe de falar bobagem sobre a ordenação feminina na Assembléia de Deus. Se vamos cumprir a Bíblia retiremo-las de todos os cargos e as calemos, do contrário, paremos com a dissimulação;

2) Se ela procura o seminário para melhorar a liderança, está fora dos padrões bíblicos evocados pelos contrários à ordenação de mulheres. Para os tais nem líder ela pode ser. Se procura para ser uma boa missionária, por que não seria uma boa presbítera ou pastora? Se pode ser reitora, como temos a nobre amiga da FATEADAL (por sinal competente para o cargo), por que não dirigente de EBD?

3) Não há uma ordem propriamente dita. O que há é o seguinte: uma grosseira dissimulação que delimita quais espaços devem ser preenchidos pelas mulheres. Especialmente:

a) Se exigem abnegação, como é o caso das dirigentes de Oração Missionária;

b) Se não é uma função que um homem almeje, como o ensino infantil;

c) Se exige trabalho árduo e incansável, como a direção dos Círculos de Oração.
Outrossim, que ordem há dada por Jesus para a ordenação de diáconos, presbíteros, evangelistas e pastores? Todos os cargos nasceram da necessidade, amparados pela direção do Espírito Santo. Exatamente como ocorreu com os cargos alocados para as mulheres. Depois que águas rolaram debaixo da ponte... Paciência.

Ps: Vandim, dá uma checada neste link (http://womeninministry.ag.org/history/), antes de falar bobagem. Se quiser posso te enviar outros. OK!?

Abraços!