sexta-feira, 13 de abril de 2012

ORDENAÇÃO DE EVANGELISTAS E PASTORAS NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL: FORTALECIMENTO DA ORTODOXIA BÍBLICA OU RENDIÇÃO AO LIBERALISMO TEOLÓGICO? (2)



Inicio a segunda parte de nosso artigo sobre a ordenação de mulheres nas Assembleias de Deus no Brasil, afirmando que não existe no Novo Testamento nenhuma fundamentação ou orientação para a ordenação de pastoras.

Os textos bíblicos que fundamentam a separação para os cargos oficiais na igreja são:

Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento; e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?); não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo. Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo. Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservando o mistério da fé com a consciência limpa. Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa. Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus. (1 Tm 1.1-13, ARA)

Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados de dissolução, nem são insubordinados. Porque é indispensável que o bispo seja irrepreensível como despenseiro de Deus, não arrogante, não irascível, não dado ao vinho, nem violento, nem cobiçoso de torpe ganância; antes, hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, que tenha domínio de si, apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem. (Tt 1.5-9, ARA)

O termo grego traduzido por “estabelecesses” na ARC e “constituísses” na ARA é katasteses, do verbo kathistemi, que pode ser traduzido também por “designar, nomear alguém a uma posição, ordenar, colocar a cargo de alguma coisa”.[1] Não temos no Novo Testamento informações claras e específicas sobre algum tipo de cerimônia ou solenidade formal para a ordenação de oficiais da igreja. Os ritos de ordenação adotados nas igrejas atuais não seguem um padrão único, mas basicamente estão presentes a oração e a imposição de mãos num ato público.

O OFÍCIO DE BISPO OU PRESBÍTERO NO CONTEXTO NEOTESTAMENTÁRIO

Antes de continuar tratando de forma mais específica sobre a ordenação de mulheres nas Assembleias de Deus no Brasil, acho conveniente analisar a atividade pastoral à luz do Novo Testamento, que estava diretamente associada ao ofício de Bispo ou Presbíteros.

Uma vez que estou escrevendo mais diretamente para o público ledor assembleiano, a quem interessa de forma mais direta a questão aqui em discussão, entendo ser preciso uma correção sobre a ideia ou conceito de presbítero que consta no livro "Introdução à Teologia Sistemática", de Eurico Bergstén, publicado pela CPAD em 1999, onde lemos:

Os presbíteros tomavam parte ativa no apascentamento da igreja (cf. At 20.28) e também no ensino, pois uma das qualidades exigidas do candidato ao presbitério era que fosse 'apto para ensinar' (cf. 1 Tm 3.2). Os presbíteros constituíam um corpo auxiliar no governo da igreja, sob a presidência do pastor. Convém salientar que os ministros também se consideravam presbíteros. O apóstolo Pedro escreveu para os presbíteros que ele também era presbítero (cf. 1 Pe 5.1), e o apóstolo João considerava-se ancião (cf. 2 Jo 1) ou presbítero (cf. 3 Jo 1). Apesar de os presbíteros não serem ministros da Palavra (grifo nosso), os ministros, necessariamente, eram presbíteros. Assim ficava distinguida a liderança que lhes fora dada por Deus.[2]

Gostaria de fazer alguns comentários, acerca do referido texto;

- Entendo que os presbíteros não constituíam apenas um "corpo auxiliar no governo da igreja sob a presidência do pastor". À luz do Novo Testamento, o presbítero poderia ser o próprio pastor:

Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória. (1 Pe 5.1-4)

A designação "pastor", do grego poimen (ποιμήν), fala-nos da atividade de "cuidar do rebanho", que envolvia: alimentar, guiar, cuidar.[3] Dessa forma, os presbíteros, do grego presbuteros (πρεσβύτερος), literalmente "homem idoso, ancião, os que cuidam espiritualmente da igreja", que assim exerciam seus presbitérios, eram chamados de "pastor".[4]

- Não havia distinção entre "ministros" e "presbíteros". Os presbíteros eram também ministros. Nem mais, nem menos que isso.

- O pastor que "presidia", na realidade, sempre que exercia essa função, era chamado de "bispo", do grego episkopos (ὲπίσκοπος), "literalmente, 'inspetor' (formado de epi, 'por cima de', e skopeo, 'olhar' ou 'vigiar', é encontrado em At 20.28; Fp 1.1; 1 Tm 3.2; Tt 1.7; 1 Pe 2.25.[5]

- Existe uma aparente dificuldade, no texto aqui questionado. A Declaração "uma das qualidades exigidas do candidato ao presbitério era que fosse 'apto para ensinar' (cf. 1 Tm 3.2)", parece entrar em contradição com a afirmação de Bergstén: "Apesar de os presbíteros não serem ministros da Palavra [...].

- A Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD) afirma em sua nota sobre "Dons Ministeriais para a Igreja" que:

Os pastores são aqueles que dirigem a congregação local e cuidam das suas necessidades espirituais. Também chamados "presbíteros" (At 20.17; Tt 1.5) e "bispos" ou supervisores (1 Tm 3.1; Tt 1.17".

- Na obra "O pastor pentecostal: um mandato para o século XXI", encontramos o seguinte:

Alguns aludem a 1 e 2 Timóteo e Tito como o "Manual do Pastor", por causa das preciosas instruções e qualificações dadas ao ministério e à igreja. Em 1 Tm 3, há orientações muito específicas a todo aquele que aspira ao pastorado. Observe a afirmação que segue: "Para efeito de esclarecimento, os títulos 'bispo', 'presbítero' ou 'ancião' e 'pastor' são usados intercambiavelmente na Escritura e referem-se ao mesmo ofício, mas expressam responsabilidades diferentes, como supervisão administrativa, liderança espiritual e ministério, bem como alimentar e atender o rebanho de Deus. Em Atos 20, todos os três conceitos - bispo, ancião e pastor - são usados em referência aos líderes da igreja em Éfeso.[6]

Dessa forma, fica evidenciado biblicamente que Bispos ou presbíteros pastoreavam a igreja do Senhor.

Continua...



[1] Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p. 2516.

[2] BERGSTÉN, Eurico. Introdução à Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 270.

[3] VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário VINE: o significado exegético e expositivos das palavras do Antigo e Novo Testamento. Trad. Luís Aron de Macedo. 2. ed. Rio de Janeiro, 2003, p. 856.

[4] Ibid., p. 396.

[5] Ibid., p. 434.

[6] TRASK, Thomas E. et ali. O pastor pentecostal: um mandato para o século XXI. Trad. Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 110.

3 comentários:

Lucas Antônio disse...

Paz do Senhor querido! Estou com um novo blog: adjardimpaulistaalto2.blogspot.com.br - Aguardo a sua honrosa visita e seguimento! Saudações em Cristo Jesus!

Vandim disse...

Achei contraditória a colocação “Bispo e presbíteros pastoreavam a igreja do Senhor”. 1º. Porque os dados apresentados são claros que presbíteros e bispos biblicamente se referem às mesmas pessoas como pode ser comprovado em Atos 20:17 e 28. 2º. na igreja de filipos viviam bispos e diáconos (Filipenses 1:1) evidenciando que uma pluralidade de bispos-presbiteros pastoreavam a igreja.

ALTAIR GERMANO, disse...

Prezado irmão Vandim, obrigado pela observação. Na realidade onde se lê Bispo e Presbítero, leia-se Bispo ou Presbítero. Correção feita.

Abraços,