terça-feira, 10 de janeiro de 2012

OS FRUTOS DA OBEDIÊNCIA NA VIDA DE ISRAEL (2). Subsídio para Lição Bíblica - 1º Trimestre/2012

O verbo hebraico geralmente traduzido por obedecer é shama`, que significa “ouvir com inteligência”, “prestar atenção”, “dar ouvidos”. A palavra assume a conotação de obediência em alguns contextos (Gn 3.17; 22.18; Êx 24.7; 2 Rs 14.11).[1] Outros termos sinônimos em hebraico são qashab (dar atenção, estar atento), ´azan, (dar ouvidos) e `ana (responder).[2]

No Antigo Testamento a obediência possui as seguintes características:[3]

- É imposta por Deus (Dt 13.4)

- Resulta do ouvir a voz de Deus (Êx 19.5)

- Consiste em observar os mandamentos de Deus (Ec 12.13)

- É uma característica dos anjos (Sl 103.20)

- Deve proceder do coração (Dt 11.13)

- Deve ser prestada voluntariamente (Sl 18.44)

- Não deve ter reservas (Js 22.2, 3)

- Será universal (Dn 7.27)

- Envolve bem-aventurança (Dt 11.27)

- Os desobedientes são punidos (Dt 11.28; Is 1.20)

O Antigo Testamento é repleto de exemplos de pessoas que resolveram obedecer a Deus[4], dentre as quais:

- Noé (Gn 6.22)

- Abraão (Gn 12.1-4)

- Calebe (Nm 32.12; 1 Rs 15.11)

- Elias (1 Rs 17.5)

- Ezequias (2 Rs 18.6)

- Josias (2 Rs 22.2)

- Davi (Sl 119.106)

- Zorobabel (Ag 1.12)

A obediência foi a base da aliança entre Deus e o povo de Israel:

Todos os mandamentos que hoje vos ordeno guardareis para os fazer, para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o Senhor jurou a vossos pais [...]. E guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus, para o temeres e andares nos seus caminhos [...]. Guarda-te para que te não esqueças do Senhor, teu Deus, não guardando os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus estatutos, que hoje te ordeno; (Dt 8.1, 6, 11)

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, e guardarás a sua observância, e os seus estatutos, e os seus juízos, e os seus mandamentos, todos os dias. (Dt 11.1)

Guardai, pois, todos os mandamentos que eu vos ordeno hoje, para que vos esforceis, e entreis, e possuais a terra que passais a possuir; (Dt 11.8)

E será que, se diligentemente obedecerdes aos meus mandamentos que hoje te ordeno, de amar o Senhor, teu Deus, e de o servir de todo o teu coração e de toda a tua alma, [...]. Porque, se diligentemente guardardes todos estes mandamentos que vos ordeno para os guardardes, amando o Senhor, vosso Deus, andando em todos os seus caminhos, e a ele vos achegardes [...]. (Dt 11.13, 22)

A obediência resultaria em prosperidade, manifesta em toda a sua plenitude (Dt 8.7-10; 11.9-12, 14-15, 23-25, etc)

E será que, se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor, teu Deus: Bendito serás [...]. (Dt 281-3)

É importante observar nos textos acima, que os frutos da obediência eram decorrentes de uma atitude fundamentada no amor a Deus, que nascia do mais profundo do ser. A relação era de amor, e não de barganha.

O tipo de prosperidade pregada pelos profetas da Teologia da Prosperidade e da Vitória Financeira é vergonhosa, mercantilista, ultrajante e imoral. Nada tem haver com a prosperidade ensinada na Bíblia. A Teologia da Prosperidade e da Vitória Financeira não se fundamenta no amor, mas no interesse pessoal. Não nasce de sentimentos nobres, mas da ganância de quem não reconhece os próprios limites.

Muitos destes profetas da Teologia da prosperidade estão falidos financeiramente, moralmente e espiritualmente, com sérios problemas junto a Receita Federal de seus países e com casamentos fracassados (divorciados). Mesmo assim, eles insistem em passar uma falsa imagem de “sucesso” através dos canais de comunicação, principalmente da televisão, sempre com uma oratória e com uma apresentação visual impecável (aparência sem essência).

Que o conhecimento e a prática da obediência fundamentada na Palavra de Deus venha a produzir em nós a verdadeira e abençoada prosperidade.



[1] Bíblia de Estudo Palavras-chave. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p. 1978.

[2] HARRIS, R. Laird; WALTKE, Bruce K.; ARCHER, Gleason L. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1586.

[3] CHAMPLIN, R. N.. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 561-562, v. 4.

[4] Ibid.

Um comentário:

Alexandre Braga disse...

Deus o abençoe Pr. Altair. Ótimo subsídio