quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

ALCEBÍADES PEREIRA DE VASCONCELOS E A POLÍTICA MINISTERIAL


Pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos

O pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos (1914-1988), um dos grandes líderes das Assembleias de Deus no Brasil, foi pastor, missionário, teólogo, escritor, jornalista, articulista dos periódicos da CPAD, diretor do Departamento de Publicações da CPAD e ex-presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).

Em 1981, quando liderava a Assembleias de Deus em Manaus, por ocasião da Convenção Geral, em resposta a uma entrevista ao
Mensageiro da Paz sobre a seguinte questão: "Qual a maior necessidade da igreja hoje?", respondeu:

Sincera e biblicamente, creio ser hoje a maior necessidade da Assembleia de Deus no Brasil, mais do que nunca, arrepender-se e, ajoelhada, confessar a Deus o seu pecado de omissão evangelística! São 70 anos! É tempo demasiado para havermos evangelizado cada brasileiro! E o que fizemos? Praticamente nada, em face da ação evangelística descrita nos textos de Atos 1.15; 2.4; 5.28; 6.7; e 21.20, e Colossenses 1.6, 23, pois é notório que a rigor ainda não evangelizamos qualquer cidade brasileira do modo feito em Jerusalém, conforme Atos 5.28. Que resta por realizar? É a evangelização do nosso povo que está ainda por fazer! O que ameaça o seu progresso? Infelizmente reconheço que é a política ministerial que se tem convertido num autêntico opróbrio à nossa igreja, despreparando-a para o Arrebatamento, que se avizinha. (ARAUJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p. 895)

Depois de 30 anos desta declaração feita pelo pastor Alcebíades Pereira de Vasconcelos, em pleno ano do Centenário, a realidade é ainda mais assustadora.

Para onde caminhamos nós enquanto denominação evangélica? Poderemos escapar da morte na areia suja e movediça da política ministerial?

É tempo de clamar, a começar por nós obreiros e líderes: "Salva-nos Senhor!"

5 comentários:

Micael Melo disse...

Prezado Pastor, meu nome é Micael Melo, sou advogado e membro da Assembléia de Deus em Mossoró.

Concordo plenamento com o que dissertou acerca da política ministerial, acrescentando, ainda, que trata-se de um câncer, que corrói a comunhão, a fé e a unidade.

Parabéns pela contribuição que tem dado a comunidade evangélica com o seu blog.

Que Deus continue te abençoando.

Http://pregadormicael.blogspot.com

Mario Sérgio disse...

Pastor Alcebíades era um líder consciente dos problemas que se avolumavam na denominação. Infelizmente, seu pupilo não seguiu seu exemplo e nem seu sucessor na presidência da CGADB. É uma triste ironia, que após 30 anos dessa declaração, observamos que os homens que estavam sob sua esfera de influência, estão se digladiando na política ministerial.

Deus abençoe!

Pastor Geremias Couto disse...

Conheci e convivi um pouco com o pastor Alcebíades. Como jovem, e ele, veterano pastor, tive algumas experiências ao seu lado que me marcaram profundamente.

Assim que saí do IBAD, em dezembro de 1972, eu e mais dois colegas recebemos dele uma carta de recomendação com a qual viajamos por três meses, de ônibus, barco, avião, a cavalo etc., quase todo o país, numa missão que nos permitiu conhecer a realidade da igreja brasileira.

Há um episódio que mais tarde, no momento certo, pretendo torná-lo público. Por agora, é importante que fique só em meu coração.

Mas o que quero dizer com tudo isso é confirmar as palavras do Mario Sergio. Os líderes que hoje se digladiam para dirigir a CGADB seguramente não lhe seguiram o exemplo.

Um livro que ajuda um pouco a conhecer o pastor Alcebíades é a biografia do pastor Firmino Gouveia, que recebi de presente há pouco mais de dois meses. Há ali fatos que demonstram o modo honesto e espiritual como o pastor Alcebíades lidava com o ministério.

Mas há outro episódio que marcou a sua personalidade, sobre o qual posso falar agora: foi quando se recusou a publicar no Mensageiro da Paz um documento com o qual não concordava. Esta foi uma das razões pelas quais deixou a Diretoria de Publicações da CPAD para assumir o pastorado da AD em Manaus, AM, aonde terminou os seus dias com 70 anos.

Ele não negociava interesses. Só isso.

Tenho-lhe como exemplo, inclusive na questão da coerência, transparência, firmeza, autoridade e desapego às conveniências.

Abraços!

Joabe disse...

Caramba! E isso em 1981 ?! Que Deus tenha MUITA misericórdia.

Márcio Cruz disse...

"Um verdadeiro Homem de D'us!"

Como amazonense e tendo sido ovelha do mesmo, posso dizer isso e deixar aqui meu apoio ao que disse o Ir. Mário Sérgio e Pr. Geremias do Couto "não seguiram o exemplo".
A melhor forma de testemunhar acerca de alguém é seguir os passos deste alguém.

TRAGÉDIA!!!!

Paz do Senhor,

Ir. Márcio Cruz