quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A PLURALIDADE MUSICAL ASSEMBLEIANA: UM CLARO RETRATO DO DISCURSO UTÓPICO POR UMA "IDENTIDADE PADRÃO"







"Marcha irmão, marcha pastor, marcha igreja do Senhor... A ordem é pra marchar." (Alice Maciel)

"A Deus seja a glória, por tudo que fez por mim." (Victorino Silva)

"Então eu direi oh oh, abra-se o mar, e eu passarei pulando e dançando em sua presença." (Ministério Hebrom)

O que estes três vídeos possuem em comum? São todos cantores contratados pela PATMOS MUSIC, gravadora oficial das Assembleias de Deus no Brasil. No que diferenciam? Estilo musical.

A música de uma igreja expressa e manifesta a sua teologia, e no caso aqui, a sua identidade denominacional. A musica assembleiana é o puro retrato de uma igreja que não possue uniformidade de identidade, ou seja, não manifesta um padrão único de usos e costumes, e nem doutrinário. Há igrejas Assembleias de Deus no Brasil onde os três cantores acima terão livre acesso para louvar a Deus, enquanto que em outras, haverá algumas restrições. Tudo vai depender das preferências musicais do pastor e da igreja

Victorino Silva representa um estilo musical mais clássico, que expressa bem a influência européia e americana nas Assembleias de Deus. Alice Maciel, é pura cultura nordestina musicalizada no forró "rasgado", com direito a sanfona e tudo mais. A novidade fica por conta do Ministério Hebrom, que inova trazendo "oficialmente" para o meio assembleiano a possibilidade de pular, correr, gritar e dançar na presença do rei (no culto??!!!), com uma característica musical pop, peculiar das comunidades, e com um toque neopentecostal.

No caso do Ministério Hebrom, que radicaliza no sentido de promover uma "adoração contextualizada", as palavras do Gerente da Patmos Music, Geziel Damasceno, merecem ser consideradas:

Encontramos no Ministério Hebrom um diferencial que foi além das melodias harmoniosas: está no conteúdo das letras que pregam verdadeiramente a Palavra de Deus. Os jovens e adolescentes de nossa denominação possuem identidade pentecostal e buscavam um grupo que entendesse a linguagem de sua faixa etária, sem perder essa característica ou deixar o estilo congregacional. Com isso preenchemos uma lacuna existente há algum tempo na gravadora e abrimos portas para novos investimentos na área” (Fonte: patmosmusic.com.br)

O problema é que em algumas igrejas Assembleias de Deus no Brasil, o povo já pode pular, correr e dançar no culto, enquanto que em outras, tais comportamentos são absolutamente repudiados, tidos como carnais, mundanos e até demoníacos.

A pluralidade musical, teológica e litúrgica é uma realidade que ultrapassa os limites assembleianos, e que tem causado discussões (e divisões) em outras denominações.

A música na Assembleia de Deus (e em outras denominações) é o claro retrato da frustante busca e do utópico discurso em torno de um "padrão de identidade denominacional", não apenas pela diversidade de ritmos e gêneros, mas, inclusive, pelo conteúdo das letras, cada vez mais voltadas para o "homem emocional", e menos comprometida com a ortodoxia bíblica e/ou denominacional.

Aproveitando a deixa da pluralidade musical aqui tratada, que tal juntarmos as letras:

"Marcha irmão, marcha pastor, pula, grita, corre, canta e dança, dando a Deus toda glória oh oh"
.

O gênero e ritmo você escolhe.

Abraços,

11 comentários:

Moisés Jacob disse...

Pastor Altair parabéns pela matéria, isto é o retrato da assembleia de Deus do Brasil, que aos poucos está perdendo sua identidade, não somente na musica, mas também na pregação da palavra, liturgia, usos e costumes etc. Que Deus nos ajude! a paz!

Luciano de Paula Lourenço disse...

O genuíno louvor cativa os homens, atrai as pessoas para o Reino e as leva a um confronto diante das exigências da Palavra de Deus. Muitas pessoas foram ganhas para Jesus pelo louvor. Uma congregação que louva verdadeiramente produzirá muitos frutos (Sl 40.3). A música é veículo da mensagem de Deus aos homens e da adoração dos homens a Deus. O louvor é decisivamente evangelístico. Por meio dele, a Igreja se prostra diante do trono e por meio dele, os pecadores se rendem a Jesus. Mas, estou falando do genuíno louvor, como esse que o Vitorino Silva cantou (um verdadeiro hino sacro e espiritual!). Ninguém, que conhece a Palavra de Deus, que a tem como regra de fé e prática, vai considerar que a primeira e a última música sejam cristãs. Um líder de uma igreja, cônscio de sua responsabilidade diante de Deus, não permitirá que um lixo dessa estirpe seja escoado para o redil dos santos de Deus. Isso é fogo estranho no “altar” de Deus.
Luciano de Paula Lourenço

JOSÉ MARCOS ANTUNES disse...

PENSO SER UMA INCOERÊNCIA COERENTE, POIS JA PUBLICAMOS UM SEM NUMERO DE LIVROS CALVINISTAS MESMO, SO ESTAVA FALTANDO A QUESTAO MUSICAL SER OFICIALIZADA. AGORA ESTA!

Luis Alberto S Silva disse...

Paz do Senhor Pastor,

Creio que os usos e costumes variam de região pra região, bem como o "gosto musical" varia de pastor para pastor, de pessoa para pessoa.

Eu mesmo, não gosto de vários hinos que são cantados nos cultos. Principalmente esses hinos mais novos.

Acho que isso reflete o tamanho da nossa nação, que possui tão vasto costumes e culturas.

Assembleia de Deus adotar um padrão único de adoração, de liturgia, com certeza será muito difícil.

Em Cristo

Pb Luis Alberto

Cláudio Ananias disse...

Caro Pr. Altair, Graça e Paz.

Expresso meu acordo com todas as colocações da postagem. E acrescento algo: essa pluralidade não acontece somente na música cantada e tocada na denominação. A pluralidade também está na teologia. Na verdade, acredito que essa pluralidade musical é reflexo das várias práticas litúrgicas e teológicas praticadas nas Assembleias de Deus, que já há algum tempo não prima por um padrão nessas áreas essenciais.

A Patmos Music, ao contratar Alice Maciel, e não ter o cuidado de analisar suas músicas, se estas estão mais comprometidas com o oba oba dos ‘cultos’ ou se expressam realmente um louvor a Deus, confirma a tendência de ser plural e comercial. (Estou enfatizando o conteúdo das letras). A propósito, parece que o interesse maior dos cantores ‘evangélicos’ de hoje está sendo o sucesso, o comércio, em detrimento do verdadeiro louvor e adoração a Deus.

Expressões como: “Marcha irmão, marcha pastor, marcha igreja do Senhor... A ordem é pra marchar”, “o varão do movimento”, “vaso tampado... tira a tampa...”, “ ele vai encher o vaso de fogo e poder”, ao ritmo de forró, são frases de efeito nas reuniões ditas pentecostais. Mas será que as pessoas que cantam essas letras estão sabendo de fato o significado do que estão cantando? O que significa, por exemplo, “ser cheio de fogo e poder”? Onde estão os cânticos de teor evangelístico ou que conclame o interesse pela santidade e aproximação com o Senhor, ou que anuncia a esperança futura, ou que, mesmo falando das dificuldades que enfrentamos, relembra o cuidado de Deus para conosco, exaltando somente a Ele?

Quanto aos estilos, acho que as manifestações culturais, se não forem carregadas de exageros e tendência a promiscuidade, podem ser usadas normalmente em atos de louvor e adoração. Mas essa linha, como se diz, também é tênue.

Cláudio Ananias
claudioananias.blogspot.com

ademario fernando disse...

Ademário Farias!

Paz do Senhor meu Pastor, concordo plenamente com esse assunto.

O grande problema é que alguns crentes e tambem algumas pessoas que tocam e orgãos da nossa igreja querem se igualhar a costumes mundanos sem temor e compromisso com a igreja de Cristo.

Samuel Renovato disse...

Pr. Altair,a paz do Senhor,
Quero crer que a diversidade cultural, musical,de costumes, etc., leva ao que estamos vendo hoje em dia e para isso contribui a falta de regras claras ou procedimentos no contexto assembleiano e assim as pessoas perdem a noção de referencial, dando lugar a essa falta de identidade. Só a misericórdia de Deus.

jessé epitacio disse...

pastor altair aqui em MACEIÒ,algumas igrejas ASSEMBLEIAS DE DEUS, quando canta um hino de adoração a DEUS, a igreja ficam caladas mas quando canta um forró, a igreja se alegra. JESSÈ EPITACIO - MACEIÒ-AL

disse...

Maravilhoso seu artigo Pastor Altair, peço permissão para postar no meu Blog.
Muito bom!

disse...

Bom, como morei no Norte eu adoro uma louvor tocado como forró rss. Brincadeira, eu acho que essa pluralidade musical é reflexo do que acontece dentro da AD.Seja na teológicas, liturgias, costumes não há mais um padrão. Concordo plenamente com o Claudio Ananias. Paz!

Professor Érick disse...

Pastor Altair Germano isso é uma realidade nua e crua!
A música de nossa igreja tem virado o centro das atenções, a Palavra tida a segundo plano e muitas vezes depreciada por causa dos $$$, isso é uma vergonha, o povo engole qualquer coisa!!! E ainda sai pulando (risos)!
Estava eu dando aula ao discipulado em minha congregação, substituindo o professor que estava doente e quando comecei a falar na lição o discípulo e a igreja sobre que eles como novos convertidos tinham que desde cedo dedicarem-se ao estudo da Palavra eles foram unânimes em dizer: "Em nossa congregação nem a Palavra é pregada direito! Passamos o culto quase todo escutando música! e só sobram 15 a 20 minutos pra Palavra!"
Para haver realmente identidade doutrinária precisaremos primeiro reformar a liturgia do culto, dando prioridade a Palavra!
Só assim se passará de utópico a real, quando o povo se dedicar ao estudo sistemático da Palavra de Deus e aí ser avivado!!!