domingo, 27 de novembro de 2011

A FRUSTRAÇÃO DOS INQUISITORES DE IDEIAS

A destruição de obras consideradas heréticas, ordenada por São Domingos em 1205 (Pedro Berruguete)

"A cultura escrita é inseparável dos gestos violentos que a reprimem. Antes mesmo que fosse reconhecido o direito do autor sobre a sua obra, a primeira afirmação de sua identidade esteve ligada à censura e à interdição dos textos tidos como subversivos pelas autoridades religiosas ou políticas. Esta 'apropriação penal' dos discursos, segundo a expressão de Michel Foucault, justificou por muito tempo a destruição dos livros e a condenação de seus autores, editores e leitores. As perseguições são como o reverso das proteções, privilégios, recompensas ou pensões concedidas pelos poderes eclesiásticos e pelos príncipes. O espetáculo público do castigo inverte a cena dedicatória. A fogueira em que são lançados os maus livros constitui a figura invertida da biblioteca encarregada de proteger e preservar o patrimônio textual. Dos autos-de-fé da Inquisição às obras queimadas pelos nazis, a pulsão de destruição obcecou por muito tempo os poderes opressores que, destruindo os livros e, com frequência, seus autores, pensavam erradicar para sempre suas ideias. A força do escrito é de ter tornado tragicamente derrisória esta negra vontade". (Roger Chartier)


Os tempos mudam, mas as questões e tensões vividas no espaço temporal se repetem. Nos dias atuais, os detentores do poder eclesiásticos e político, bem que gostariam de voltar a queimar textos e autores (literalmente), mas graças a providência divina, que através do advento do texto eletrônico e da internet libertou autores e textos das limitações e prisões da instituição e da imprensa oficial, o livre pensar é materializado em forma de escrita, e a leitura é cada vez mais disseminada e democratizada.

Viva a revolução!

Um comentário:

João Paulo disse...

A paz do Senhor!

Boa postagem!

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