domingo, 24 de julho de 2011

O REINO DE DEUS ATRAVÉS DA IGREJA (1). Subsídio para Lição Bíblica da CPAD - 3º Trimestre/2011

A Lição 5 enfatiza a manifestação do Reino de Deus neste mundo, mediante a proclamação do Evangelho de Cristo (pregação e ensino), a comunhão e o serviço (socorro aos necessitados).

A recorrência do tema me faz postar novamente algumas questões trabalhadas no trimestre passado e na lição anterior a esta.

EVANGELIZAÇÃO

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura." (Mc 16.15)

"[...] mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra." (At 1.8)

O principal objetivo do batismo com o Espírito Santo foi o de capacitar a Igreja para pregar o Evangelho de poder, com poder. Na Bíblia, temos a mensagem do Evangelho, que deve ser pregada em todos os lugares e a toda criatura. Mas, como pregar o Evangelho? Quais os métodos e estratégias? Um olhar sobre os evangelhos e sobre o livro de Atos, nos revela que várias foram as maneiras pelas quais o Evangelho foi anunciado, pregado, proclamado e testemunhado.

No que se refere a Assembleia de Deus no Brasil enquanto denominação pentecostal, dois métodos de evangelização foram bem marcantes ao longo dos seus 100 anos de existência: o evangelismo de abordagem pessoal e as cruzadas ou concentrações evangelísticas.

No caso do evangelismo pessoal, ele sempre foi realizado em praças, ruas, presídios, hospitais, etc. Já as cruzadas ou concentrações, foram e são marcadas em locais estratégicos, que comportam um número considerável de pessoas.

Não temos dúvidas de que estes métodos colaboraram, e ainda colaboram para o crescimento da igreja nos dias atuais. A questão é a seguinte: Estes métodos estão conseguindo manter os índices de crescimento e dando os resultados de outrora? Me parece que não.

É visível e notória a diminuição da presença de crentes no evangelismo pessoal da igreja (em alguns locais já não existe evangelismo). Por muitos anos, a tarde do domingo foi "sacralizada" como o momento para o evangelismo pessoal da comunidade cristã local. Alcancei o tempo em que crentes eram ameaçados com a possibilidade de "castigos divinos", "punições do alto" e outras mazelas, caso não evangelizassem no domingo à tarde. Alguns foram severamente estigmatizados, mesmo quando a falta no evangelismo era justificável. De uma forma tímida, algumas igrejas, percebendo os baixos resultados do evangelismo "tradicional", resolveram mudar (ou dar outras alternativas) o dia do evangelismo. Acontece que a questão do evangelismo pessoal não se limita ao dia ou ao horário, mas, e principalmente, ao método.

O tema "missões urbanas" está em voga nos centros acadêmicos teológicos, em palestras e na literatura evangélica. Qual a razão? A nova realidade brasileira. Aquele "saudoso" tempo de pessoas nas calçadas e ruas, sem pressa, disponíveis para ouvir, já é quase parte apenas de nossa memória e lembranças. As grandes massas estão concentradas nas cidades, e vivenciando novas realidades. Condomínios fechados, prédios de luxo inacessíveis, pressa, indisponibilidade para ouvir, estresse, trabalho exaustivo e outras questões, mudaram a rotina e o comportamento das pessoas. As igrejas que mais crescem na atualidade são aquelas que percebendo a realidade e os desafios dos novos tempos, procuram adequar seus métodos de evangelismo, sem abrir mãos dos princípios bíblicos. Hoje, tem dado muito certo a evangelização através de reuniões e estudos bíblicos nos lares. Alguns líderes olham com desconfiança esta prática, associando-a equivocadamente ao G12 e às igrejas em células. A igreja primitiva usou o método de reuniões domésticas com sucesso (At 2.46; 20.20; 1 Co 16.19 etc.).

Deus tem uma direção para cada época, basta que oremos e analisemos a situação, dependendo em tudo da direção e orientação do Espírito. Alguns parecem estar tão ocupados, que em vez da oração, análise e discussão de ideias, preferem comprar livros com "fórmulas de crescimento", tipo receita pronta, para aplicar e "funcionar".

Em relação às cruzadas ou concentrações evangelísticas, que em boa parte dos casos são concentrações apenas de crentes, onde a pipoca, o refrigerante, o cachorro quente e o espetinho chamam mais a atenção do que a pregação da Palavra, os baixos resultados são alarmantes. Neste caso, penso que em alguns lugares falta um planejamento estratégico, do tipo que víamos nas cruzadas do saudoso pastor e missionário Bernhard Johnson. Outro grande problema é a falta de acompanhamento e discipulado dos novos convertidos. Observem a discrepância do número daqueles que atendem ao apelo nas cruzadas, em relação ao número daqueles descem às águas batismais.

É tempo de repensar os nossos métodos de evangelização, sem necessariamente descartar os "tradicionais".

EDUCAÇÃO CRISTÃ (ENSINO)

"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século." (Mt 28.19-20)

Tratantando-se de "educação pentecostal", quero destacar aqui dois espaços educativos: a Escola Teológica e a Escola Bíblica Dominical.

Apesar da grande euforia provocada pelo crescimento e aberturas de instituições de educação teológica mantidas e de alguma forma ligadas às Assembleias de Deus no Brasil, nem sempre a qualidade oferecida em termos de estrutura, conteúdo, grade curricular e professores é a mesma.

Nos dias atuais, em muitas instituições de ensino teológico, o que vemos ainda é a simples reprodução de doutrina e de teologia, sem nenhum pensamento ou argumento crítico, aliás, quando alguém esboça tal iniciativa corre o risco de ser enquadrado no rol dos hereges ou dos subversivos. "É proibido pensar", eis o lema nos muitos espaços do saber e fazer teológico das Assembleias de Deus no Brasil.

O interessante (ou grave) é que professores das mais diversas disciplinas não conseguem chegar a um acordo sobre algumas questões presentes no conteúdo programático do curso e da disciplina. Em certos casos, numa mesma instituição, um professor acaba desfazendo o que o outro ensinou. Essa realidade já saiu das salas das instituições de ensino teológico, e já se encontra presente nos púlpitos das igrejas e nas salas da Escola Dominical.

Os grande desafios para o futuro da educação teológica nas Assembleias de Deus são:

- Primar por uma formação acadêmica presencial, por extensão e a distância de qualidade;
- Combater a mercantilização e a banalização dos cursos teológicos (que em alguns casos viraram simplesmente "negócio");
- Incentivar a produção e a publicação acadêmica (a Casa Publicadora das Assembleias de Deus, na condição de editora oficial, teria uma importância fundamental neste processo);
- Promover o equilíbrio entre ortodoxia (doutrina correta), ortopatia (sentimento correto) e ortopraxia (prática cristã correta).
- Valorizar as orientações, buscar credenciamento e assessoria junto ao Conselho de Educação e Cultura da CGADB.

O principal espaço educativo nas Assembleias de Deus no Brasi, sem dúvida alguma, continua sendo a Escola Bíblica Dominical (já com sinais de decadência e falência em alguns lugares). Ela também deve ser objeto de nossa reflexão neste Centenário. Seus principais desafios, em meu entendimento são:

- Perceber as transformações educacionais e culturais, adequando-se à novas realidades;
- Promover a inclusão daqueles que gostariam de frequentá-la, mas que se encontram impossibilitados pelas mais diversas razões;
- Oferecer uma melhor estrutura física;
- Disponibilizar material didático para professores e alunos;
- Utilizar as novas tecnologias de comunicação e informação a seu favor;
- Investir na formação inicial e continuada de professores, dirigentes e demais colaboradores.

Vejo com otimismo o crescimento e a multiplicação de conferências, simpósios, seminários e outros eventos voltados para a promoção e crescimento da ED, realizados pela CPAD ou pelas igreja locais.

PRÁTICA SOCIAL (SERVIÇO)

"Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta." (Tg 2.14-17)

Sempre que o tema "Ajuda aos Necessitados" é abordado, observamos algumas reações e atentamos para alguns fatos no meio assembleiano. Observemos alguns deles:

1. Um Grande número de alunos, professores, dirigentes e superintendentes de ED questionam as poucas ações concretas nesta área (chamada de "social");

2. Líderes de igrejas, aproveitando o tema da lição bíblica, resolvem fazer campanhas de doações e socorro aos necessitados, mas logo após o estudo da lição abandonam a prática;

3. Se percebe que muitas igrejas nunca vão além da simples distribuição aleatória e desorganizada de cestas básicas, sem nenhum levantamento das reais necessidades dos beneficiários;

4. Uma ênfase num certo socialismo ou comunismo cristão, fruto de uma interpretação equivocada do tema "Comunidade dos Bens". Interessante é que os que defendem teoricamente esta ideia não a colocam em prática, partilhando todos os seus bens com os necessitados;

5. Irmãos, individualmente ou em "grupos", diante do descaso da "instituição" ou da "comunidade cristã" com a ajuda aos necessitados, acabam se achando no direito de administrarem os próprios dízimos e ofertas, não levando em consideração as recomendações (determinações) da liderança;

6. Igrejas se mobilizam para prestar socorro às vítimas de grandes catástrofes naturais em outras regiões, mas no seu cotidiano esquecem de socorrer os seus necessitados (Gl 6.10), e os que vivem em situação de miséria na localidade onde está estabelecida;

7. Para dizer que socorrem os necessitados, algumas igrejas afirmam manter hospitais, escolas, creches, orfanatos, abrigos de idosos funcionando, casas de recuperação etc. Acontece que em alguns casos, as condições de atendimento e assistência são muito precárias. As pessoas lá atendidas sofrem de um grande descaso e desumanização;

8. É afirmado ainda, que a igreja faz o trabalho social muito bem, mas sofre por não divulgá-lo. Entendo que pelo menos os membros deveriam tomar conhecimento das ações em favor dos necessitados;

9. A calamidade dos necessitados se acentuam diante da ostentação e da vida regalada de algumas lideranças, através da aquisição e exibição dos símbolos capitalistas de "poder" e "status ministerial". Na versão e lógica "espirituosa" deste capitalismo selvagem (Teologia da Prosperidade), quanto mais o pastor ou líder ficar rico (ou pelo menos parecer), mas demonstrará o quanto o seu ministério é abençoado por Deus. Obviamente esta lógica acaba trazendo problemas para alguns líderes de igrejas na atualidade. Por exemplo, podemos citar a necessidade de um pastor precisar de "seguranças". Tal necessidade é resultado direto da ostentação já citada. Citamos ainda o receio que alguns possuem de terem seus filhos ou parentes sequestrados. Não consigo imaginar Jesus, Pedro, Paulo, João, Tomás de Aquino, Agostinho, Lutero, Calvino e outros ícones da fé precisando de seguranças particulares. Alguma (ou muita) coisa está errada. Viver dignamente do evangelho foi trocado por viver explendorosamente, ou regaladamente do evangelho;

10. É interessante também afirmar, que diante do exposto no ponto acima, dentro de um mesmo ministério, há líderes que abusam das regalias enquanto outros passam extrema necessidade. A ideia, volto a deixar claro, não é a de um socialismo ou comunismo ministerial cristão, falo sim (pois há uma série de fatores e variantes aqui envolvidos) da necessidade de diminuir a distância "econômica", promovendo um viver digno para todos.

Se a sua igreja mantém instituições sociais, faça visitas periódicas ao local, e verifique se as condições oferecidas são humanizadoras. Suas doações, ofertas e dízimos devem ser administrados com responsabilidade.

Não vai adiantar muita coisa (ou nada) estudarmos mais uma vez esses temas (evangelização, educação e ajuda aos necessitados), sem refletir sobre a nossa atual condição (cada um deve assumir a sua responsabilidade), sem discussão, sem propostas de mudanças, sem planos e ações concretas.

Saber sobre, e perceber como as coisas estão não é o suficiente. Necessário é mobilizarmo-nos, agirmos, tomarmos uma iniciativa, para que o nosso discurso religioso, piedoso e pentecostal se concretize, agora no Centenário, e até a volta de Jesus.

Concordo com Lloyd-Jones, quando afirma que "a tarefa primordial da igreja e do ministro cristão é pregar a Palavra de Deus. [...] A igreja não é uma organização ou instituição social, não é uma sociedade política, não é uma sociedade cultural, é 'coluna e baluarte da verdade'." (Pregação e Pregadores, p. 24-28).

Nenhuma atividade realizada pela igreja deve comprometer a prioridade da pregação, do ensino, da proclamação e do testemunho do Evangelho de Cristo Jesus.

A COMUNHÃO DOS SANTOS

O termo grego para “comunhão” é koinonia, que significa “tendo em comum, sociedade, companheirismo”. Dentre outras coisas, denota a parte que alguém tem em algo. “É, assim, usado acerca: das experiências e interesses comuns dos cristãos (At 2.42; Gl 2.9)” (VINE, 2003 p. 485).

Arrington (2003, p. 639) afirma que “A palavra ‘comunhão’ (gr.koinonia) expressa a unidade da igreja primitiva. Nenhuma palavra em nosso idioma traduz seu significado completamente. Comunhão envolve mais que um espírito comunal que os crentes compartilham uns com os outros. É uma participação comum em nível mais profundo na comunhão espiritual que está ‘em Cristo’.” Desta forma, comunhão dos santos é mais do que a simples partilha de bens materiais, é o desfrutar comum das bênçãos espirituais e da participação no corpo de Cristo pelo Espírito.

O termo “santos”, do grego hagios, é geralmente utilizado no plural para identificar todos os que professam a fé em Cristo (Rm 1.7; 1 Co 1.2; Ef 1.1 ss).

A expressão “comunhão dos santos”, do latim communio sanctorum, não aparece na Bíblia, embora idéia esteja presente. O termo foi utilizado pela primeira vez por Nicéias (ou Nicetas) de Remesiana, por volta de 400 d.C.

Conforme o Dicionário Bíblico de Wycliffe (2006, p. 439), os ensinos sobre esta verdade se apresentam da seguinte forma:

- O surgimento da comunhão dos santos: A comunhão dos santos surge com o novo nascimento (Jo 3.1-12), sendo desta forma, limitada àqueles que estão em Cristo Jesus (2 Co 5.7). Por ter um Pai espiritual comum, possuem uma irmandade espiritual comum (Hb 2.11-13)

- A essência da comunhão dos santos: A comunhão representa a unidade espiritual que liga os crentes a Jesus e uns com os outros (Jo 15.1-10; 17.21-23; Ef 4.3-16). Embora transcenda os laços naturais (Gl 3.28; Cl 3.11), não elimina as diferenças comuns às pessoas (1 Co 7.20-24; Ef 6.5-9).

- Os resultados da comunhão dos santos: O compartilhamento mútuo das bênçãos materiais (Rm 12.13; 15.26, 27; 2 Co 8.4; 9.9-14; Fl 4.14-16) é um das manifestações visíveis desta comunhão. Em um nível mais elevado, como já colocamos, a participação nos dons espirituais (MT 25.15; 1 Co 12.1-31) dentro da comunidade cristã, é outra forma de manifestação da comunhão dos santos.

2. A COMUNIDADE DOS BENS

Existem evidências históricas de que a “comunidade dos bens”, entendida como a participação comum de um grupo em todos os bens dos membros deste grupo, foi idealizada por Pitágoras (Kenner, 2004, p. 345) como um modelo utópico e ideal de convivência. Williams (1996, p. 78) e Champlin (2001, p. 824) fazem referência citação de Filo louvando os essênios por esta prática. Josefo (2005, p. 827) relata sobre os essênios: “Possuem todos os bens em comum, sem que os ricos tenham maior parte que os pobres”. E ainda, “Assim, eles se servem uns dos outros e escolhem homens de bem da ordem dos sacerdotes, que recebem tudo o que eles recolhem de seu trabalho e têm o cuidado de fornecer alimento a todos” (Ibid.).

O Novo Testamento registra em várias passagens esta prática (Jo 12.6; Lc 8.3; At 4.36, 57 e 5.1), estando o principal episódio registrado em Atos 2.42-47. Para Champlin (Ibid.) “A a partilha informal, naturalmente alicerçada sobre o amor de um crente por outro, é o padrão das virtudes cristãs, mas isso não precisa transformar-se em uma partilha formal e obrigatória de bens”.

3. IGREJA E COMUNISMO

Alguns defendem a idéia de que Atos 2.42-47 é uma proposta bíblica para o comunismo. “Porém, não há qualquer dogma, no Novo Testamento, no sentido de que a experiência deveria ser universal, compulsória e permanente”. (ibid., p. 826). Observemos a posição de outros estudiosos das Escrituras:

“O fato de mais tarde Barnabé ser destacado por vender uma propriedade indica que esta prática não é algo que todos os crentes fazem (At 4.36,37). Os novos crentes estão dispostos a compartilhar suas possessões quando surgem necessidades (v. 45). O termo comunismo não descreve esta prática. Antes, eles estão expressando amor espontâneo, e é completamente voluntário”. (ARRINGTON, 2003, p. 640)

“O amor cristão manifestou-se num programa social de assistência material aos pobres. Essa atitude cristã de partilhar com os outros parece que se limitou aos primeiros anos da igreja de Jerusalém e não se estendeu às novas igrejas conforme o Evangelho foi sendo levado através da Judéia.” (PFEIFFER; HARRISON, 1987, p. 245)

“Um dos resultados foi a prontidão dos crentes em partilhar seus bens uns com os outros. Isto se tornou prática comum entre os crentes. O verbo está no imperfeito e podia ser traduzido assim: ‘continuavam a usar todas as coisas em comum’. Para esses cristãos a espiritualidade era inseparável da responsabilidade social (Dt 15.4s; At 6.1-6; 11.28; 20.33-55; 24.17 ss). Parece que o comunitarismo teria sido uma solução provisória neste caso, e necessário naquela circunstância”. (WILLIAMS, 1996, p. 77)

“É verdade que Jesus ordenou a um jovem governante rico que vendesse os seus bens e desse o dinheiro aos pobres (Lc 18.18-30), mas a razão para a ordem era testar a fé, e não forçar um nivelamento social e econômico. [...] Jesus disse: ‘Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre’ (Mt 26.11). (PFEIFFER; VOS; REA, 2006, p. 440)

“Que conclusões podem ser tiradas, então, com respeito à abordagem bíblica ao comunismo? Em primeiro lugar, A Bíblia certamente não apóia o Comunismo Marxista com sua filosofia anti-Deus e seu conceito de guerra de classes. Várias passagens (por exemplo Ef 6.5-9; Cl 3.22; 4.1) admoestam os trabalhadores a ter boas relações com os seus patrões e vice-e-versa. Segundo, a posse pública da propriedade entre os crentes parece ter sido restrita a Jerusalém. (idem)

Para concluir, entendo que tanto o Capitalismo Selvagem, quanto o Comunismo Utópico, são sistemas sócio-político-econômicos desprovidos dos princípios bíblicos de amor, comunhão, voluntariedade e generosidade.

Como bem colocam Pfeiffer, Vos e Rea (Ibid, p. 441) “Se os crentes hoje desejarem viver em um acordo onde os cristãos tenham a posse pública dos bens, eles devem se sentir livres para assim proceder; mas a Escritura não os obriga a viver desta maneira, e eles não devem julgar os outros crentes que preferem usufruir a posse privada da propriedade. Todos devem lembrar de que são meramente mordomos de tudo o que Deus lhes tem dado, e que são exortados a exercitar a mordomia fiel das posses que lhe foram confiadas.”

BIBLIOGRAFIA

ARRINGTON, French L; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5. ed. São Paulo: Hagnos, 2001. v. 1

JOSEFO, Flávio. História dos hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém obra completa. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

PFEIFFER; Charles F.; HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody: os evangelhos e atos. São Paulo: IBR, 1997. v. 4

______; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos: Novo Testamento. Belo Horizonte: Atos, 2004.

VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário Vine. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos. São Paulo: Vida, 1996.

Um comentário:

Diego Almeida D'Sant disse...

Quero parabenizar o nobre Pr. Altair Germano pois há tempo tem sido para mim e tantos outros um instrumento poderoso irradiador de inquietações mentais frutíferas e, a longo prazo, férteis, essencialmente, úteis para enriquecer o pensamento, a priori, individual e, posteriormente, coletivo, daqueles humildes abnegados que ainda hoje, acreditam na disseminação de um cultura educacional no meio do Reino de Deus. Muito obrigado Pr. Altair! Suas ponderações e pensamentos auxiliam-me revigorando cada vez mais estímulos e motivações em continuar sempre buscando mais e mais conhecimento a respeito de tudo aquilo que envolve o Nosso Senhor!