sábado, 25 de junho de 2011

A DOUTRINA DA REGENERAÇÃO E O PROFESSOR DA EBD (2ª AULA)

A Doutrina da Regeneração, dentro da Teologia Sistemática, está classificada no campo da Soteriologia (estudo sobre a salvação), e já foi conceituada das seguintes formas:

A regeneração é a comunicação da vida divina à alma (Jo 3.5; 10.10, 28; 1 Jo 5.11, 12), como a consessão de uma nova natureza (II Pe 1.4) ou coração (Jr 24.7; Ez 11.19; 36.26), e a produção de uma nova criação (II Co 5.17; Ef 2.10; 4.24)”.[1]

Portanto, regeneração é uma ressurreição espiritual: o começo de uma nova vida. Às vezes a palavra expressa o ato de Deus. Deus regenera. Às vezes designa o efeito subjetivo de seu ato. O pecador é regenerado. Ele se torna uma nova criatura. Renasce. E isso é sua regeneração. Essas duas aplicações da palavra estão tão estreitamente interligadas que não produzem confusão.” [2]

A regeneração é o ato de Deus pelo qual a disposição governante da alma se torna santa e pela qual, através da verdade, assegura-se o primeiro exercício dessa disposição santa. A regeneração, ou o novo nascimento, é o lado divino da mudança do coração que, vista do lado humano, chamamos conversão. É Deus voltando a alma para ele mesmo; enquanto a conversão é a volta da alma para Deus, a qual é tanto a conseqüência como a causa.” [3]

Os conceitos acima expressam a opinião quase universal dos teólogos acerca da regeneração, reproduzida nos tratados de Teologia Sistemática mais atuais, como no caso de Grudem[4], que define regeneração como: “[...] um ato secreto de Deus pelo qual ele nos concede nova vida espiritual. Isso é às vezes chamado de “nascer de novo (na linguagem de Jo 3.3-8).”

A NATUREZA DA REGENERAÇÃO

Hodge[5], ao falar da natureza da regeneração, afirma que “a mudança não se dá nem na substância nem nos meros exercícios da alma, mas naquelas disposições, princípios, gostos ou hábitos imanentes que subjazem a todos os exercícios conscientes, e determinam o caráter do homem e de todas as suas ações”.

Grudem[6] declara que a regeneração nos afeta como pessoas integrais, ou seja, cada parte de nós é afetada pela regeneração (2 Co 5.17).

A regeneração é um evento único e instantâneo. É uma mudança instantânea operada secretamente por Deus em nós, e só se conhece em seus resultados.[7]

AS IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DA DOUTRINA DA REGENERAÇÃO NA VIDA DO EDUCADOR CRISTÃO

É preciso entender que algumas condições ou práticas não sinalizam, nem garantem por si só, a realidade da regeneração na vida do Educador Cristão:

- Nascer num lar cristão

- Ter uma linguagem e uma conduta moral íntegra

- Ter conhecimento bíblico teológico

- Ter uma boa habilidade de comunicação e oratória

- Ter habilidades de liderança e administração

- Saber pregar ou ensinar

- Falar em outras línguas

- Promover ou contribuir para o crescimento da igreja, de uma congregação, de um órgão ou departamento

A regeneração deve ser uma experiência vivenciada por aqueles que almejam ou já exercem o ministério do ensino. As implicações práticas da regeneração na vida do Educador Cristão se manifestam da seguinte forma:

- A regeneração é o primeiro requisito para exercer o ministério do ensino, visto que para tal é preciso antes ser um cristão autêntico, nascido de novo (Jo 3.3)

- A regeneração é uma experiência pessoal e sobrenatural com Deus, como muitas que o Educador Cristão deve ter em sua trajetória ministerial (Lc 3.22; At 9.1-9)

- A regeneração possibilita a habitação do Espírito Santo na vida do Educador Cristão, lhe proporcionando consolo, socorro, direção, etc. (Jo 14.16-17)

- A regeneração possibilita o revestimento de poder, necessário para potencialização do ensino genuinamente bíblico (Lc 4.14; 24.49; At 1.8; 10.38)

- A regeneração possibilita a concessão dos dons necessários para o exercício do ministério do ensino (Rm 12.1-8; Ef 4.11; 2 Tm1.6-11)

- A regeneração possibilita o desenvolvimento e manifestação do fruto do Espírito na vida e ministério do Educador Cristão (Gl 5.22-25)

- A regeneração possibilita para o Educador Cristão um viver cheio do Espírito Santo (Lc 4.1; Ef 5.18)


[1] THIESSEN, Henry Clarence. Palestras introdutórias à Teologia Sistemática. São Paulo: IBR, 1987, 263.

[2] HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001, p. 1031.

[3] STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003, p. 518.

[4] GRUDEM, Wayne. Teologia sistemática: atual e exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 584.

[5] Ibid., p. 1053.

[6] Ibid., p. 586.

[7] STRONG, ibid., p. 522.

Aula ministrada no 6º Seminário de EBD da Assembleia de Deus em Parnamirim-RN.

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