quinta-feira, 2 de junho de 2011

ASSEMBLEIA DE DEUS 100 ANOS DE PENTECOSTES. Subsídio para Lição Bíblica da CPAD - 2º Trimestre/2011

Celebrar 100 anos de existência e atividades é um privilégio para qualquer organização. A Assembleia de Deus, enquanto denominação cristã evangélica, alcança esta marca com uma bela história e com grandes desafios para o futuro. Sou grato a Deus por fazer parte desta igreja, da presente geração de crentes e de obreiros.

O PRINCÍPIO

A providência e a soberania divina, que dirige, controla e intervém neste mundo é claramente percebida nos detalhes desta história. Dois jovens e dois destinos uniram-se e tornaram-se os precussores de um grande mover do Espírito, pioneiros e fundadores da maior igreja evangélica no Brasil. Gunnar Vingren e Daniel Berg, eis o nome daqueles que o Senhor desde o ventre de suas mães escolhera para manifestar a sua glória e realizar a sua vontadade.

O Encontro de Berg e Vingren aconteceu durante uma conferência evangélica em Chicago, no ano de 1909. Ambos eram suecos, e estavam nos Estados Unidos em busca de liberdade religiosa e de uma viver digno. A Suécia passava por uma crise econômica, e a igreja estatal de confissão luterana ditava as normas da vida religiosa, sendo pouco tolerante para com os grupos batistas. Mais de um milhão de suecos emigraram para os Estados Unidos entre 1870 e 1920 (FRESTON, p.76)

NA DIREÇÃO DO ESPÍRITO

Foi na casa e por meio de um irmão chamado Adolf Ulldin, que mediante profecia tomaram conhecimento de que Deus os enviaria ao Pará. A biblioteca da cidade foi o lugar onde os missionários pesquisaram e descobriram a localização do Pará:

"Descobrimos que o Pará ficava no Norte do Brasil. Visto no mapa, ele ficava tão longe que pensamos não ser essa a direção divina." (BERG, ibid., p. 34)

A FALTA DE APOIO E SUSTENTO

Fé. É exatamente e literalmente o que moveu os dois jovens suecos na realização de tão grande empreitada. Mesmo sem o apoio formal de uma igreja ou de alguma entidade cristã, eles resolveram ir. Observe os relatos abaixo:

"Não tínhamos dinheiro quando começamos a nossa viagem para o Brasil. Só conseguimos alguma coisa depois de termos iniciado a viagem". (VINGREN, 2010, p. 29)

"Logo que tivemos essa certeza, levamos o fato ao conhecimento do pastor e de alguns irmãos membnros da igreja. Eles não se mostraram muito entusiasmados. Mencionaram dificuldades de clima, e predisseram que quando chegássemos lá e víssemos e sentíssemos a situação, voltaríamos sem demora. Por isso, não nos prometaram qualquer garantia de sustento. Nem ao menos se prontificaram a nos ajudar a comprar Bíblias e Novos Testamentos [...]. A única coisa que os irmãos se prontificaram a fazer foi nos separar como missionários para a nossa missão no Brasil. Apesar de todas essas dificuldades, tínhamos certeza de que estávamos na vontade de Deus." (BERG, 2010, p. 34-35)

Quando caminhava certo dia pelas rua de South Bend, Vingren declara ter ouvido a voz do Senhor lhe dizendo: "Se fores, nada te faltará".

Se o Senhor te mandar ir, vá. Tudo estará pronto. Ele já cuidou de cada detalhe!

Posteriormente, em 1914, após uma viagem de Daniel Berg para a Suécia, a Igreja de Filadélfia em Estocolmo, na pessoa do pastor Lewi Pethrus, amigo de infância de Berg, passou a dar apoio aos missionários, além de enviar da Suécia outros irmãos que cooperariam com a expansão e estabelecimento da obra no Brasil. Os primeiros missionários oficialmente enviados pela Igreja Filadélfia ao Brasil foram Samuel e Lina Nyström, em 1916.

DO NORTE PARA TODO O BRASIL

Os missionários chegaram a Belém do Pará no dia 19 de novembro de 1910, sem ninguém para recebê-los. Após serem apresentados pelo pastor metodista Justu Nelson ao pastor da Igreja Batista de Belém, falando da necessidade de conseguir um lugar para residir a um baixo custo, o pastor Jerônimo Teixeira os convidou para morar na sua casa por 2 dólares diários:

"Não podíamos nos orgulhar muito da nova moradia. Era um corredor bem escuro no porão, o chão de cimento grosso e sem nenhuma janela. A colocaram duas camas para nós. Naquele calor tropical tudo era quentíssemo e insuportável. Principalmente naquele porã. Os mosquitos zumbiam monotonamente e as lagartixas corriam nas paredes para cima e para nbaixo. Apesar de tudo, nos sentíamos entusiasmados e felizes." (VINGREN, ibid. p. 36-37)

A mensagem de Vingren e Berg, com ênfase na atualidade do batismos com o Espírito Santo com a evidência do falar em línguas, logo causou entusiasmo em alguns e desconfiança em outros. O resultado foi que o grupo simpatizante da mensagem e da experiência pentecostal foi excluído da Igreja Batista de Belém em 13 de junho de 1911, por incompatibilidade doutrinária (ARAUJO, ibid., p. 39).

No dia 18 de junho, na casa da irmã Celina Martins de Albuquerque, numa reunião com 18 pessoas, nasceu a Missão da Fé Apostólica. Em 11 de janeiro de 1918, o Estatuto da igreja foi registrado por Vingrem no Cartório de Registros de Títulos e Documentos do 1º ofício em Belém, sob o nome de Sociedade Evangélica Assembleia de Deus.

A partir de então, com muito trabalho e determinação, os pioneiros levaram de Belém do Pará para todo o Brasil a mensagem pentecostal, e com ela, a nova denominação.

Cabe aqui resaltar que: "Vingren e Berg vieram ao Brasil pregara a mensagem pentecostal. Eles não tinham intenção de abrir nenhuma nova igreja". (ARAUJO, ibid. p. 35)

Ainda, conforme Araujo (ibid., p. 41):

"Os acontecimentos que culminaram com a fundação da Assembleia de Deus repercutiram profundamente entre as várias denominações evangélicas. Porém, o que sacudiu mais fortemente os chamados crentes históricos foi a atividade e o zelo dos membros da igreja recém-formada. O medo de que a Assembleia de Deus viesse a absorver as demais denominações fez com que estas se unissem para combatê-la. Houve calúnia, intriga, delação, e até agressão física. Levaram aos jornais a denúncia de que os pentecostais eram uma seita perigosa, tendo como prática o exorcismo. Enfim, alarmaram a população."

NOVOS TEMPOS, GRANDES DESAFIOS

O crescimento vertiginoso das Assembleias de Deus fez dela a maior denominação evangélica no Brasil, com estimativas atuais de cerca de 20 milhões de membros, representando cerca de 40% da população evangélica brasileira. Sua atividade evangelística, educativa e social tem transformado e influenciado vidas e comunidades. De origem simples e humilde, as Assembleias de Deus hoje tem no rol de membros pessoas de todas as classes e níveis sociais. O seu tamanho tem chamado a atenção de políticos, do mercado e de outros "interessados".

Em pleno ano de celebração do Centenário, seus conflitos internos saíram de dentro das "quatro paredes" e ganharam dimensões jamais previstas. Em plena TV aberta, na internet e em outras mídias, a cada dia surge um fato novo. Para uns, esta realidade é vista com lamentos, enquanto que para outros, tal reverberação pode promover uma tomada de consciência de seus líderes e uma mudança significativa de atitude por parte dos mesmos.

O mover do Espírito nas Assembleias de Deus no Brasil, com todas as suas diferenças, peculiaridades regionais e locais, chega aos cem anos.

Vivenciando crises gravíssimas na política interna, na identidade denominacional e doutrinária, pergunto: até quando o Espírito de Deus continuará movendo-se entre nós? A resposta para questões tão complexas é simples.

Precisamos urgentemente nos arrepender de nossos pecados, e nos voltar para o Senhor. Tal atitude deve começar pela liderança da igreja. Sim, quando o Senhor resolveu corrigir as igrejas da Ásia (Ap 1.10-11), começou pelos líderes. Tem que começar pelo altar, diz o cântico.

Precisamos tomar a consciência de como nos encontramos na presença de Deus.

Precisamos lembrar de onde caímos, e de como abandonamos o primeiro amor (Ap 2.4-5).

Precisamos deixar de lançar tropeços, abandonando as doutrinas e práticas mercadológicas, imorais e abomináveis (Ap 2.14-15).

Precisamos assumir uma postura firme e não tolerarmos os falsos profetas e profetisas, que enganosamente promovem a prostituição espiritual e carnal (Ap 2.20-21).

Precisamos lembrar do que temos recebido e ouvido, guardar e arrependermo-nos. Ter nome de quem vive e estar morto é uma condição deplorável (Ap 3.1, 3).

Precisamos abandonar a mornidão e a indiferença, para que não sejamos vomitados pelo Senhor (Ap 3.16)

Precisamos ouvir a voz do Espírito, e deixar que ele retome o controle e a direção total de nossas vidas e desta igreja centenária.

Eis o nosso grande desafio.

Eis a nossa única esperança de sobrevivência espiritual e denominacional.

Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

REFERÊNCIAS

ALENCAR, Gedeon. Assembleias de Deus: origem, implantação e militância (1911-1946). São Paulo: Arte Editorial, 2010.

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

BERG, Daniel. Enviado por Deus: memórias de Daniel Berg. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

FRESTON, Paul. "Breve história do pentecostalismo brasileiro", in Antoniazzi, Alberto (et al.), Nem anjos nem demônios: interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

VINGREN, Gunnar. Diário do Pioneiro. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

4 comentários:

Dc. Sidney Xavier de Sousa disse...

Amado Pr. Altair Germano.

Faço das palavras que acabei de ler nesta postagem como a minha oração.

Ouça-nos ó Deus quando clamarmos, move-te Espírito dentro de nós a tua igreja, e salva o Brasil e dele envia missionários a levar a mensagem da Salvação, e a doutrina pentecostal às outras nações, amém.

Deus o abençoe.

Míriam Luiza disse...

Pastor Altair Germano, a paz do Senhor! Gostei muito do seu blog, e os comentário das lições bíblicas me auxiliam bastante. Meu esposo, o Evangelista Valter Nestor da Silva, é de Abreu e Lima. Seu pai, que já dorme no Senhor, era o Evangelista Valdeci Nestor da Silva. Sua irmã é Vilma Nestor da Silva. Toda sua família é Abreu e Lima. Tenho visitado este blog, e hoje me tornei seguidora. Que Deus continue abençoando suavida, seu ministério e dando sabedoria do céu para poder edificar muitas vidas através deste blog.

melocarmem disse...

A Paz do Senhor! Pastor Altair Germano

O minha oração é a mesma de Habacuque: " Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi:Aviva, ó Senhor a tua obra no meio dos anos,no meio dos anos a notifica: na ira lembra-te da misericórdia." Habacuque 3:2;
Agora mais do que nunca precisaremos amar a palavra do Senhor,obedecê-lo e ser fiel para vencer os dias maus.

Deus continue abençoando ao senhor e sua família.


Carmem Silvia ADPE Natal/RN

Erlon Andrade disse...

A assembléia de Deus e os seus 100 anos, traçam uma tragetória de lutas e vitórias. Não esquecendo que antes dela já existiam outras denominações que perseveram até hoje.
Muitos dizem que a igreja vive um avivamento pleno e através disso, vemos bizarrices.
A apostasia está penetrando na igreja, para que se cumpra a profecia. Nada do que estamos contemplando nesses dias, e falo com relação a igreja, é sem um objetivo. Mas parece que ninguém se dá conta disso.