segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A ASCENSÃO DE CRISTO E A PROMESSA DE SUA VINDA. Subsídio para Lição Bíblica - 1º Trimestre/2011


Lição 2 - 1º Trimestre de 2011
Texto Bíblico
: Atos 1.4-11
Texto Áureo: At 1.11

Introdução

O tema "A ascensão de Cristo" ganha destaque nesta segunda lição do trimestre, com as suas implicações doutrinárias e práticas.

A Historicidade da Ascensão

A historicidade da ascensão de Cristo costuma ser colocada em dúvida por alguns críticos, que tomam por base as aparentes contradições no texto bíblico. Analisemos os fatos.

Dois textos narram a ascensão de Cristo:

Lucas 24.50-52

49 E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.
50 E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as mãos, os abençoou.

51 E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu.

52 E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém.


Atos 1. 8-12

8 Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.

9 E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, {ocultando-o} a seus olhos.

10 E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco,

11 os quais lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.

12 Então, voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado.


É possível harmonizar as diferenças nas narrativas da seguinte forma:

- Cada relato possui detalhes que não constam do outro, sendo a versão de Atos mais completa. No final do Evangelho, Lucas escreve que quando Jesus está sendo elevado, ele ergue os braços para abençoar os discípulos e eles os adoram. Lucas omite estes fatos em Atos, mas acrescenta a nuvem que o encobriu e o aparecimento dos "dois varões vestidos de branco". Dessa forma, não encontramos contradições nestes fatos. Encontramos complementações.

- Atos parece indicar que o local da ascensão foi o Monte das Oliveiras (1.12), enquanto que o Evangelho afirma que Jesus "os levou para Betânia", a aldeia ao lado deste monte, entre três e quatro quilômetros de Jerusalém. Observe que o Evangelho não diz que Jesus ascendeu de Betânia, mas que foram levados "até lá". Stott (2003, p. 45) afirma ser mais apropriada a tradução "para a vizinhança de Betânia".

Para Stott (idem, p. 45-46), após o exame das aparentes divergências, pode-se observar cinco pontos em comum na narrativa:

1. Ambos os relatos dizem que a ascensão de Jesus seguiu-se ao comissionamento dos apóstolos para que fossem suas testemunhas.

2. Ambos dizem que ela se deus fora de Jerusalém, e ao leste dela, em algum lugar do Monte das Oliveiras.

3. Ambos dizem que Jesus "foi elevado às alturas", onde o uso da voz passiva indica que a ascensão, assim como a ressurreição, foi um ato do Pai que, primeiro, o levantou entre os mortos e, depois o elevou às alturas.

4. Ambos relatam que os apóstolos "voltaram para Jerusalém".

5. Ambos dizem que depois disso eles aguardaram a vinda do Espírito, de acordo com a ordem e promessa expressa do Senhor.

Sttot (ibdem, 46-49), sustenta a historicidade da ascensão alegando que:

- Milagres não precisam de precedentes para autenticá-los;
- A Ascensão é um fato aceito em todo o Novo Testamento. Para Marshall (1982, p. 59-60), o fato da ascensão é solidamente atestado em 1 Tm 3.16; 1 Pe 3.21-22, e especialmente nas muitas passagens nas quais a ressurreição de Jesus é entendida, não simplesmente como a Sua volta dentre os mortos como também a Sua exaltação à destra de Deus (2.33-55);
- Lucas conta a história da ascensão com simplicidade e sobriedade, sem extravagâncias na narrativa;
- Lucas dá ênfase a presença de testemunhas oculares e repetidamente se refere ao que ele viram com seus próprios olhos (1.9-11);
- Não existe uma explicação alternativa para justificar o fim das aparições após a ressurreição e o fato de Jesus ter desaparecido da terra;
- A ascensão histórica e visível tinha um propósito inteligível. O motivo para uma ascensão pública e visível certamente é que ele desejava que os discípulos soubessem que ele estava partindo de vez.

Para Arrington e Stronstad (2003, p. 627) "Tudo no Evangelho de Lucas move-se em direção à ascensão, e tudo em Atos move-se a partir da ascensão".

A Teologicidade da Ascensão

Conforme Kistemaker (2006, p. 85-86) os aspectos teológicos e doutrinários da ascensão a serem considerados são:

- Que a entrada de Jesus no céu com um corpo humano glorificado é a segurança de que nós seremos igualmente glorificados.

- À mão direita de Deus, o Pai, Jesus cumpre a missão de advogado na defesa da nossa causa (1 Jo 2.1)

- A Ascensão de Jesus e o fato de ele ter-se assentado à destra de Deus marcam sua entronização real, seu governo sobre este mundo (1 Co 15.25).

Para Boor (2003, p. 30-31), o relato da ascensão destaca:

- A realidade escatológica da parousia, da nova presença de Jesus, ou de sua nova "revelação" (At 1.11). Marshall (idem, p. 62) escreve que "[...] a ascensão de Jesus é uma garantia de que, assim como foi possível para Jesus subir ao céu, assim também será possível para Ele voltar da mesma maneira, sobre uma nuvem na parousia (Lc 21.27; Mc 14.62; Dn 7.13). Desta forma, a promessa da parousia forma o fundo histórico da esperança, diante da qual os discípulos devem desempenhar seus papéis como testemunhas de Jesus." Vide também Richards (2005, p. 708)

- Fortalece a responsabilidade missionária da igreja. Neste sentido, Stott (ibdem, p. 50) comenta que até a volta de Jesus, os discípulos deveriam continuar sendo testemunhas, pois esse era o seu mandato: "Era fundamentalmente anormal ficarem a olhara para o céu, quando tinham sido comissionados para irem até aos confins da terra". Marshal (ibdem) declara que "Desta forma, a promessa da parousia forma o fundo histórico da esperança, diante da qual os discípulos devem desempenhar seus papéis como testemunhas de Jesus. Em efeito, esta passagem corresponde à declaração de Jesus em Mc 13.10, de que o evangelho deve primeiramente ser pregado a todas as nações antes do fim poder vir."

Aplicação Prática da Lição


Dentre as questões práticas que podemos extrair da presente lição bíblica, além da esperança da volta de Jesus, Stott (ibdem) nos alerta sobre dois erros dos apóstolos, nos quais podemos incorrer:

"O primeiro é o erro do político que sonha em fazer a utopia na terra (preocupados com a restauração do Reino de Israel). O segundo é o erro do pietista que sonha apenas com os prazeres celestiais (preocupado em apenas contemplar o Jesus celestial). A primeira visão é terrena demais, e a segunda, celestial demais. [...] em lugar deles, ou como antídoto para eles, deveria estar o testemunho de Jesus no poder do Espírito, com todas as sua implicações em termos de responsabilidade terrena e capacitação celestial."

Williams (1996, p. 39) concorda e escreve: "Daí a pergunta: por que estais olhando para os céus (v 11). Que acatassem as instruções recebidas. [...] A ênfase aqui, como em geral por todo o Novo Testamento, está nos deveres atuais dos crentes em vez de nas especulações a respeito da volta de Cristo."


Referências Bibliográficas

ARRINGTON, L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

BOOR, Weiner de. Atos dos Apóstolos. Curitiba-PR: Esperança, 2003.

KISTEMAKER, Simon. Atos. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. v.1

MARSHAL, I. Howard. Atos: Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.

PFEIFFER, Charles F.; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

______; HARRISON, Everett. Comentário Bíblico Moody. São Paulo: IBR, 1987.

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

STOTT, John R. W. A mensagem de Atos: Até os confins da terra. São Paulo: ABU, 2003.

WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos. São Paulo: Vida, 1996.

9 comentários:

F. Wesley disse...

Muito boa a exposição. Gostei bastante. PArabéns Pr. Altair.

Se não for pedir muito, o senhor poderia também postar uma ordem estatalógica de alguns assuntos, tais como arrebatamento, bodas, juízo, etc?

Peço isso porque com certeza haverá perguntas nesses assuntos.


Grato,

Sonhos De Deus disse...

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Paz disse...

A paz do Senhor.
Única ressalva a fazer no texto dessa abençoada lição nº 2 de janeiro/2011 é o ensino do Dr. Simon J Kistemaker, renomado teólogo calvinista, como se segue:

Conforme Kistemaker (2006, p. 85-86) [7] os aspectos teológicos e doutrinários da ascensão a serem considerados são:

- Que a entrada de Jesus no céu com um corpo humano glorificado é a segurança de que nós seremos igualmente glorificados.

Ora, essa interpretação atende aos anseios do catolicismo, para justificar a ascensão e "glorificação" da irmã Maria.
Aprendi que Jesus é ETERNO. Antes que Ele viesse ao mundo como homem, já tinha um corpo celestial, pois Ele é o Filho de Deus, e cabe aqui reafirmar nossa crença, que Deus é ESPÍRITO. O SENHOR É ESPÍRITO!
Jesus ressurrecto tinha carne e ossos (Lc. 24:39); O apóstolo Paulo ensina que "carne e sangue" não herdaram o Reino dos Céus. (1º Co 15:50). O texto bíblico de João 17 enfatiza que o Senhor Jesus estaria reassumindo a glória que Ele tinha de "antes da fundação do mundo".
Com a palavra o prezado Pr. Altair Germano, porta-voz dos assembleianos pré-históricos, pré-Dake, pré-um monte de coisas que andam acontecendo no ano do centenário...

Paz disse...

A paz do Senhor.
Perdoem minha ignorância, por isso peço as considerações do prezado Pr Altair, sobre o texto incluso em nossa lição de nº 2. Refiro-me ao texto do teólogo calvinista Dr Simon J Kistemaker, que afirma que Jesus Adentrou aos céus em um "corpo humano" glorificado. Isto me pareceu uma heresia. Pois este ensino atende ao ensino do catolicismo, que enganam multidões dizendo que a irmã Maria ascendeu aos céus em um corpo humano glorificado. É nitidamente, uma cilada preparada pelo inimigo, pois torna possível a crença de que um homem possa se tornar um "deus".
Jesus é ETERNO. O texto de João 17 deixa claro que Jesus estaria voltando para o céu com o corpo e a glória que Ele tinha desde ANTES DA fundação do mundo. Jesus disse, " Antes que Abraão existisse, EU SOU!
Tal conteúdo desse teólogo Dr Kistemaker é uma afronta a divindade de Jesus, pré-encarnado.
Eu creio no Jesus Eterno que o apóstolo João relatou em apocalipse 1:12-18. Glória ao nome do Senhor!

ALTAIR GERMANO, disse...

Caro Paz,

não percebo aqui uma heresia. Penso que a ascensão de Cristo narrada em Lc está compatível com o que Paulo ensinou em 1 Co 15.42-43:

"Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção.

Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor."

e 1 Ts 4.16-17:

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.

Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor."

O texto de Jo 17 não trata de detalhes da ascensão.

O que o catolicismo fez, foi pegar uma verdade bíblica e cria o dogma da ascensão e glorificação de Maria.

Abraços,

F.W disse...

Pastor Altair,

O título da lição diz a "...promessa da sua vinda". Que vinda é essa? arrebatamento? ou a vinda para estabelecer o milênio?

Gostaria que o senhor postasse mais sobre esses assuntos.

Sou muito edificado pelo seu blog. Visito-o quase todos os dias.

Abraços,

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Wesley,

caro Wesley,sugiro não se deter nas questões escatológicas, pois em razão de suas complexidades acabaria por tomar todo o tempo, tirando o foco do fator histórico da ascensão de Cristo. De qualquer forma, uma ordem geralmente aceita no meio pentecostal assembleiano seria:

- Volta de Jesus nos ares para a Igreja (Arrebatamento)
- Grande tribulação
- Volta de Jesus no final da grande tribulação para livrar Israel
- Milênio
- Estado Final

REpito, esta ordem não é aceita por todos.

Abraços,

ALTAIR GERMANO, disse...

Irmã Valquíria,

já estou seguindo os "Sonhos de Deus".

Paz do Senhor,

ALTAIR GERMANO, disse...

F.W.,

a vinda de Jesus é geralmente interpretada em duas fases, onde a primeiraépara buscar a Igreja, e a segunda para livrar Israel na grande tribulação.

Como já escrevi, não acho interessante apronfundar o debate nesta lição, pois devido as complexidades das questões escatológicas, tiraria a oportunidade de abordar outros assuntos mais importantes para o aqui e agora,e para a evidência histórica da ascensão de Cristo.

Abraços,