terça-feira, 2 de novembro de 2010

POR UM CONCÍLIO DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL (2)

Obreiros nacionais e suecos em frente à igreja em Natal, durante a Convenção Geral de 1930 (Fonte: www.centenarioadbrasil.org.br)

Como já publicado nos posts BREVE CRONOLOGIA E HISTÓRIA DO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO TEOLÓGICAS NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL e A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA NAS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL: RESISTÊNCIA E ASCENSÃO, vários motivos contribuíram para a implantação tardia de uma educação teológica formal nas Assembleias de Deus no Brasil.

Dessa forma, as primeiras ideias, conceitos teologicos e doutrinários ensinados pelos missionários foram reproduzidos pelos obreiros nacionais sem muita (ou nenhuma criticidade), visto que os mesmos não eram detentores dos fundamentos teóricos necessários para tal análise crítica.

As questões de ordem teológica, doutrinária, eclesial e moral, sempre foram, e continuam sendo tratadas nas Assembleias Gerais Ordinárias e Extraordinárias da CGADB (a primeira aconteceu em 1930).

Na obra "História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil" (2004, P. 19) lemos:

"Com o crescimento do Movimento Pentecostal no Brasil, encetado em 1911 pelos pioneiros suecos Gunnar Vingren e Daniel berg, surgiu a necessidade de os líderes pentecostais realizarem reuniões periódicas de âmbito nacional com o propósito de manter a identidade e a unidade doutrinária da Assembleia de Deus, e resolver questões de ordem interna e externa. Foram com esses objetivos e essa conscientização que nasceu a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, o ógão máximo da maior denominação evangélica brasileira. A CGADB é fruto de uma percepção que pouco a pouco foi cristalizando-se no seio da liderança pentecostal em todo o país."

Ao longos dos anos, desde a sua fundação, as Assembleias de Deus no Brasil continuaram crescendo, se multiplicando e se dividindo. A sua estrutura eclesial se tornou bastante complexa, impossibilitando a manutenção da unidade denominacional tão proclamada e desejada em questões eclesiais, nos usos e costumes e na doutrina.

Sendo assim, quando falo de um concílio no âmbito das Assembleias de Deus no Brasil, preciso deixar claro de que se trata das Assembleias de Deus cujos ministros são filiados à CGADB, onde os dilemas já listados estão também presentes.

Mas, alguém pode me questionar sobre a necessidade de um concílio, visto que temos as nossas AGO´s e AGE´s para tratar destas questões. Na realidade não temos, tínhamos. As nossas AGO´s e AGE's são convocadas, e a maior parte do tempo (em alguns casos, todo o tempo) é gasto com questões relacionadas à política eclesiástica, ou na solução de litígios internos. As questões de ordem doutrinária e teológica são geralmente direcionadas para comissões especiais, medida esta que acaba castrando e impossibilitando a participação de um número maior de pessoas, e um aprofundamento mais amplo das discussões em plenário.

Quando utilizo o termo "concílio", não estou com isso afirmando que outra terminologia não possa ser usada para esta minha proposta, desde que a ideia original de um debate amplo que resulte na formalização de nossas bases e fundamentos doutrinários e teológicos se concretize.

Nos dias atuais, em muitas instituições de ensino teológico, o que vemos ainda é a simples reprodução de doutrina e de teologia, sem nenhum pensamento ou argumento crítico, aliás, quando alguém esboça tal iniciativa corre o risco de ser enquadrado no rol dos hereges ou dos subversivos. "É proibido pensar", eis o lema nos muitos espaços do saber e fazer teológico das Assembleias de Deus no Brasil.

O interessante (ou grave) é que professores das mais diversas disciplinas não conseguem chegar a um acordo sobre algumas questões presentes no conteúdo programático do curso e da disciplina. Em certos casos, numa mesma instituição, um professor acaba desfazendo o que o outro ensinou. Essa realidade já saiu das salas das instituições de ensino teológico, e já se encontra presente nos púlpitos das igrejas e nas salas da Escola Dominical.

No campo doutrinário e teológico, temos, por exemplo, problemas graves de falta de unidade e uniformidade na Cristologia, Pneumatologia, e Eclesiologia.

Passemos então a analisar algumas destas questões de forma mais específica.

Continua...

REFERÊNCIAS

DANIEL, Silas. História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil: . Rio de Janeiro: CPAD, 2004

CGADB: Uma organização administrativa. In: http://www.centenarioadbrasil.org.br/CPAD/PAGES/historia.php, acessado em 02 de novembro de 2010

2 comentários:

AD - Madureira - Passos / MG. disse...

Amado pastor!
Bom seria que este "concílio" abrangesse todas as denominações que se intitulam "Assembléia de Deus", pois, independente de Convenções, acredito que todas se espelham na doutrina assembleiana, implantada antes das divisões.

TIAGO VIEIRA disse...

Pastor Altair, graças a Deus que o senhor esta levantando este debate, visto que, já está passando da hora de as Assembleias de Deus reunirem-se em um Concílio.
Não só há falta de unidade Doutrinárias nas academias, mas bem como o senhor mesmo disse, essa falta de unidade já chegou nos púlpitos. O que uma Assembleia de Deus crer a outra já não crer. Falta Unidade Doutrinária.
Penso que este concílio deverá nomear uma comissão Pastoral para a elaboração de um Catecismo Assembleiano. Penso que com um Catecismo a unidade Doutrinária e Histórica das Assembleias de Deus ganharia uma identidade e forma mais especifica.
Devemos de colocar na mão do povo assembleiano a identidade da Assembléia de Deus, e com o Catecismo Assembleiano isso será possivel.
O que o senhor acha?