terça-feira, 14 de setembro de 2010

POLITIZAR OU NÃO POLITIZAR, EIS A QUESTÃO.

Em tempos de eleições, sempre resurgem na igreja as discussões e debates sobre o papel e posicionamento político da mesma.

Em meio a estas discussões, pelo menos três pontos de vistas se destacam:

- Os extremamente resistentes
- Os exageradamente entusiastas
- Os equilibradamente posicionados

Qual a maior missão da Igreja? Em minha opinião, evangelizar o mundo através do testemunho (At 1.8), da pregação Mc 16.15), do ensino (Mt 28.18-20).

A igreja, enquanto cumpre a grande comissão, deve ser politizada? O que significa politização?

Politizar, segundo o dicionário de Houaiss, significa:

"dar ou adquirir consciência dos direitos e deveres do cidadão."

O dicionário Aurélio define politizar nos seguintes termos:

"Inculcar a (certas classes ou categorias sociais) ou a (indivíduos dessas classes) a consciência dos deveres e direitos políticos dos cidadãos que as compõem, preparando-os para o livre exercício deles: politizar os trabalhadores." e ainda "Tornar-se consciente dos deveres e dos direitos políticos; tornar-se politicamente consciente: Politizou-se, participando de movimentos estudantis."

O Wikcionário afirma:

"trabalhar pela formação política dos indivíduos e pela sua conscientização, em relação à realidade política que os cerca"

Entendendo o significado de politizar, verificaremos que no Novo Testamento a politização (tomada de consciência da realidade política, dos direitos e deveres dos cristãos enquanto cidadãos terrenos) está evidenciada, dentre outras, através das seguintes passagens:

- Sobre o dever de pagar impostos:

"Chegando, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e não te importas com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens; antes, segundo a verdade, ensinas o caminho de Deus; é lícito pagar tributo a César ou não? Devemos ou não devemos pagar?Mas Jesus, percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentais? Trazei-me um denário para que eu o veja.E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: De quem é esta efígie e inscrição? Responderam: De César. Disse-lhes, então, Jesus: Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. E muito se admiraram dele." (Mc 12.14-17)

"Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra. " (Rm 13.7)

- Sobre a origem da autoridade do poder temporal:

"Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem. " (Jo 19.11)

- Sobre o dever de se submeter às autoridades:

"Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. " (Rm 13.1)

- Sobre o direito de não se submeter às autoridades: "Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos." (At 4.19-10)

- Sobre o direito de honrar as autoridades:

"Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei. " (1 Pe 2.17)

- Sobre o dever de orar pelas autoridades:

"Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens,em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito." (1 Tm 2.1-2)

- Sobre o direito/dever de denunciar o pecado das autoridades:

"Porque Herodes, havendo prendido e atado a João, o metera no cárcere, por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão; pois João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la." (Mt 14.3-4)

- Sobre a legitimidade de reivindicar e exercer os direitos como cidadãos:

"Quando o estavam amarrando com correias, disse Paulo ao centurião presente: Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado? Ouvindo isto, o centurião procurou o comandante e lhe disse: Que estás para fazer? Porque este homem é cidadão romano. Vindo o comandante, perguntou a Paulo: Dize-me: és tu romano? Ele disse: Sou. mediatamente, se afastaram os que estavam para o inquirir com açoites. O próprio comandante sentiu-se receoso quando soube que Paulo era romano, porque o mandara amarrar." (At 22.25-29)

A dificuldade que alguns possuem em não reconhecer no Novo Testamento a presença de ensinos e orientações politizantes, é pelo fato do seu contexto político não ser o de um regime democrático, mas sim, um misto de monarquia e imperialismo. Em tais regimes o povo não possuía o direito de votar e ser votado.

Dessa forma, se percebe que não há problema algum, quando nos dias atuais alguns líderes cristãos resolvem ensinar, orientar e advertir a igreja quanto às questões políticas de nossa época (direitos e deveres), com base em princípios bíblicos, visto que não há normas específicas no texto sagrado, que diga qual deve ser a postura do cristão numa democracia, principalmente quanto o assunto é votar e ser votado.

É politizando que se combate a politicagem.

É politizando que se combate a manipulação.

É politizando que se combate a corrupção.

É politizando que se combate a alienação.

É necessário pregar o Evangelho ao mundo.

É necessário politizar a Igreja.

É necessário orar pelas autoridades.

É necessário denunciar as autoridades.

É necessário ensinar e promover a obediência às leis justas, que contribuem para manter a ordem social, a dignidade humana e o valor da família.

É necessário ensinar e promover a resistência às leis injustas, que cooperam para a promoção da anarquia, da imoralidade e da destruição da família.

Se temos o direito de votar, façamos isto de forma consciente, pedindo a Deus sabedoria e discernimento.

Num regime democrático representativo como o nosso, a escolha de um candidato implica em dizer que as ideias, falas, decisões e ações dele são as mesmas dos seus eleitores, ou por eles autorizadas.

Que o Senhor nos ajude e oriente!

8 comentários:

Marcelo Dornelas disse...

Acho que a CGADB na pessoa de seu presidente José Wellington deveria se pronunciar sobre as eleições,parabéns pastor por ter tido a coragem de fazê-lo.

Lira disse...

Excelente resgate histórico!! Eu nominaria assim esse artigo escrito em um, blog!!

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2010/09/serra-e-o-unico-candidato-que-ja.html

Mostra o documento onde o Serra regulamenta normas de aborto de acordo com a lei brasileira: Estupro e risco de vida para a mãe!

ALTAIR GERMANO, disse...

Prezado Lira,

obrigado pelas informações. Mantenho minha posição contrária às ações pró descriminalização do aborto, venha de quem vier.

Abraços!

blogdoeudes disse...

Caro Pastor Altair.

Parabéns pelo post, que é muito esclarecedor. O brasileiro, principalmente os evangélicos, necessitam de informações sobre este tema.
Lamentavelmente, notamos que boa parte dos líderes evangélicos, ao invés de conscientizar politicamente seus liderados, acabam se amoldando ao sistema vigente, que atenta contra os valores cristãos.
Sou contra o engajamento de igrejas em campanhas políticas. Politizar não siginifica, necessariamente, partidarizar. A experiência mostra que há um ganho material, geralmente para o líder, e uma perda espiritual muito grande para a Igreja do Senhor.
Lembremos da opção crucial do profeta Daniel. "Daniel, porém, propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar."(Dn 1:8)

Elisomar disse...

Excelente postagem!

jose alves fernandes filho disse...

Caro Pr Altair Germano

Louvável a atitude de escrever sobre politização, ainda mais com as fundamentações bíblicas apresentadas. Pena que a nossa igreja tenha muito poucos “Altair”. É profundamente lamentável a postura adotada por muitos pastores em tempos de campanha eleitoral, com suas manifestações de apoio em nome da igreja a políticos e partidos, provavelmente com interesses inconfessáveis, comprometendo cada vez mais a já tênue capacidade da igreja de exercitar o seu papel profético na sociedade de nossos dias.
José Filho/São Luís/MA

Marcilio disse...

sou evangélico voto no PT e continuarei a votar no PT entre uma " esquerda" liberal e uma Direita resquicio da ditadura prefiro o PT ainda bem que a IPB - Igreja Presbiteriana do Brasil deixa livre seus membros a votarem livremente..sem terrorismo ideologico .. lamentavel o video do pastor Piragine ....a igreja de fato deixou de ser separada do estado por pretensão e oportunismo politico...mais parece ser massa de manobra em favor da direita....já tinha lido o PNDH 3 desde sua publicação ..não concordo com alguns pontos...mais entre impor ..vetar o voto do membro..cidadão contra um partido em detrimento de outro....não aceito....prefiro que o povo decida livremente....vejo dois perigos nisso tudo ..o PT não é muito ligado a democracia é uma verdade....mais vejo com receio essa iniciativa da igreja que também põe em risco a democracia quando tentar impor ..amedrontar ....as pessoas...como instituição defendo e acho legitimo que se posicione mais não ....impor aos seus membros tal entendimento com padrão..como regra...além do mais o congresso nacional não formado apenas pelo PT.....no mais esse movimento contra o PT esclusivamente termina sendo precoceituoso.....vergonhoso...se jogou fora o art. 5º da constituição federal....e mais o estado deixou de ser LAICO por iniciativa da igreja....

Fabricio Nicolato disse...

Veja isso por favor e depois julguem quem defende o que.

http://www.casacinepoa.com.br/o-blog/jorge-furtado/jos%C3%A9-serra-sugere-ter-amantes-com-discri%C3%A7%C3%A3o-e-reduzir-impostos-para-evitar-suic

Saudações