sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO NOVO TESTAMENTO. Subsídio para Lição Bíblica da CPAD

Diferente daquilo que muitos pensam e ensinam, o ministério profético não deixou de existir com o advento do Novo Testamento.

"A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele". (Lc 16.16, grifo nosso)

O texto acima costuma ser interpretado como o final do ministério profético no Novo Testamento, quando na realidade, os termos Lei e Profeta nos falam da totalidade do Antigo Testamento, que não seria mais a mensagem central "anunciada" na Nova Aliança. Os princípios do Evangelho do Reino é que passariam a reger a vida dos discípulos de Jesus, que deveriam proclamá-los e ensiná-los a todas as pessoas, em todos os lugares (Mt 4.23; 24.14). Morris (1983, 236) afirma: "A vinda de Jesus marcava uma linha divisória. Até então, a revelação de Deus tinha sido feita na lei (a rigor: os livros de Gênesis até Deuteronômio) e os profetas. A expressão combinada representa a totalidade do Antigo Testamento."

O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento (2003, p. 426, CPAD), sobre o presente versículo especifica que:

"Reconhecendo o desafio à sua autoridade, Jesus passa a traçar a origem de sua autoridade e a delinear sua devoção superior à lei. Ele apresenta 'a Lei e os Profetas' (i.e., o Antigo Testamento) e a pregação de João Batista como unidade (v. 16). João anunciou a vinda de uma nova era e participou dela. É 'desde então' (v.16), quer dizer, começando com João, que o Reino de Deus é pregado. O ponto que Jesus deseja chegar é que nem João nem os profetas do Antigo Testamento são necessários para confirmar o outro, mas que ambos servem de precursores, levando à pregação de Jesus acerca das boas novas do Reino de Deus."

Observe que o comentarista expressa que o texto de Lc 16.16 não declara o fim do ministério profético, mas sim, o início da pregação do Evangelho do Reino. A Lei e os Profetas representam o Antigo Testamento.

Na versão da Bíblia Almeida e Atualizada (ARA), Lc 16.16 foi traduzido da seguinte forma: "A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo , vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça para entrar nele. (grifo nosso)"

Observe que o verbo "duraram" da Almeida Revista e Corrigida (ARC), foi substituído por "vigoraram" na ARA, deixando mais clara a alusão ao texto do Antigo Testamento (Lei e Profetas).

O texto de Mateus 11.13, na ARC declara: "Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João."

O mesmo texto na ARA está escrito da seguinte forma: "Porque todos os Profetas e a Lei profetizaram até João."

Aparentemente parece uma bobagem, mas perceba que na ARC os termos "profetas" e "lei" estão escritos com iniciais minúsculas, enquanto na ARA, com maiúsculas. Isso faz uma grande diferença, pois os termos com iniciais maiúsculas identificam uma forma específica de entender "Profetas e Lei", e essa forma nos fala exatamente do sentido real da expressão, no que diz respeito à totalidade das escrituras do Antigo Testamento.

O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento(Idem, p. 81), diz sobre o versículo acima que: "Mateus viu que a divisão entre a velha era e a nova era um acontecimento que se deu ao término do ministério de João Batista e começo do ministério de Jesus."

Perceba no versículo que "os profetas e a lei profetizaram", é uma clara alusão à totalidade do Antigo Testamento enquanto texto sagrado, que até então era a base e o referencial de toda mensagem profética.

Tanto em Mateus 11.13, como em Lc 16.16, os termos gregos para profetas é prophetai, e para lei, nómos.

De forma clara e objetiva, o que fica aqui evidente, é que o ministério profético foi uma realidade presente nas narrativas e ensinos do Novo Testamento, e ainda continua sendo uma realidade em nossos dias (não se encerrou com João Batista). A prova disto?

- O próprio Jesus continuou exercendo o ministério profético após João Batista, falando em nome do Pai (Jo 4.34; 5.30; 6.38; 14.24). Um claro exemplo de mensagem profética no Novo Testamento são as cartas às sete igrejas em Apocalipse 2 e 3, marcadas por denúncias, alertas, advertências e um convite ao arrependimento, para se livrar do juízo iminente.

- O livro de Atos nos apresenta profetas: "Naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Claúdio César." (At 11.27-28, ARC). E ainda: "E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Ágabo; e vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo e, ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus, em Jerusalém, o varão de quem é esta cinta e o entregarão nas mãos dos gentios." (At 21.10-11).

- "Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas (prophetai) e doutores (didaskaloi) [...]." (At 13.1, ARC)

- O ministério profético foi manifesto na vida de Paulo (At 20.29-30; 1 Tm 4.1; 1 Ts 4.13-17).

- O ministério profético foi evidenciado nos escritos de Pedro(2 Pe 2.1-3; 3.3,4, 7-18).

- Entre os chamados dons ministeriais de Efésios 4.11, está o de profeta (gr. prophetas)

A Bíblia de Estudo Pentecostal (1995, p. 1814-1815, CPAD), em seu estudo doutrinário sobre o ministério de profeta (Ef 4.11), sustenta a atualidade deste na igreja, fazendo as seguintes afirmações:

- Os profetas eram homens que falavam sob o impulso direto do Espírito Santo, e cuja motivação e interesses principais eram a vida espiritual e pureza da igreja. Sob o novo concerto, foram levantados pelo Espírito Santo e revestidos pelo seu poder para trazerem uma mensagem da parte de Deus ao seu povo (At 2.17; 4.8; 21.4).

- O ministério profético do AT ajuda-nos a compreender o do NT. A missão principal dos profetas do AT era transmitir a mensagem divina através do Espírito, para encorajar o povo de Deus e permanecer fiel, conforme os preceitos da antiga aliança. Às vezes eles também prediziam o futuro conforme o Espírito lhes revelava [...]. Cristo e os apóstolos são um exemplo do ideal do AT (At 3.22, 23; 13.1,2).

- A função do profeta na igreja incluía o seguinte: (a) Proclamava e interpretava, cheio do Espírito Santo, a Palavra de Deus, por chamada divina. Sua mensagem visava admoestar exortar, animar, consolar e edificar (At 2.14-36; 3.12-26; 1 Co 12.10; 14.3). (b) Devia exercer o dom de profecia [...]. (c) às vezes, ele era vidente (cf. 1 Cr 20.29), predizendo o futuro (At 11.28; 21.10,11). (d) Era dever do profeta do NT, assim como para o AT, desmascarar o pecado, proclamar a justiça, advertir do juízo vindouro e combater o mundanismo e frieza espiritual entre o povo de Deus (Lc 1.14-17). Por causa da sua mensagem de justiça, o profeta pode esperar ser rejeitado por muitos nas igrejas, em tempos de mornidão e apostasia.

- A mensagem do profeta atual não deve ser considerada infalível. Ela está sujeita ao julgamento da igreja, doutros profetas e da Palavra de Deus. A congregação tem o dever de discernir e julgar o conteúdo da mensagem profética, se ela é de Deus (1 Co 14.29-33; 1 Jo 4.1).

- Os profetas continuam sendo imprescindíveis ao propósito de Deus para a igreja. A igreja que rejeitar os profetas de Deus caminhará para a decadência, desviando-se para o mundanismo e o liberalismo quanto aos ensinos da Bíblia (1 Co 14.3; cf. Mt 23.31-38; Lv 11.49; At 7.51,52). [...] a igreja com os seus dirigentes, tendo a mensagem dos profetas de Deus, será impulsionada à renovação espiritual. O pecado será abandonado, a presença e a santidade do Espírito serão evidentes entre os fiéis (1 Co 14.3; 1 Ts 5.19-21; Ap 3.20-22).

Em seu livro "A Igreja e as Sete Colunas da Sabedoria", publicado atualmente pela CPAD, o pastor Severino Pedro, escrevendo sobre o ministério profético na atualidade, relata que:

"João Batista o último profeta da Dispensação da Lei, entra em o Novo Testamento como profeta de grande poder. Porém, nele é, sem dúvida encerrado este ofício de acordo com o estilo e norma da Antiga Aliança. Jesus disse: 'A lei e os profetas duraram até João...' (Lc 16.16). Agora em Jesus e através de Jesus, se inicia uma 'Nova Ordem Ministerial', composta pelos profetas do Ministério do Espírito Santo'".

Fundamentado na exposição que fiz no início deste subsídio, e nas citações da Bíblia de Estudo Pentecostal, discordo parcialmente e respeitosamente da citação acima, visto entender que a diferença entre o ministério profético do AT e do NT não está na mudança de "estilo" e da "norma" da Antiga Aliança, ou seja, não se encontra na práxis, ou na característica da atividade do profeta enquanto estilo e forma de ser, mas, na mudança do conteúdo prioritário e referencial de sua mensagem, que deixa de ser a Lei e os Profetas (Antiga Aliança), para ser norteada pelo ensino e pregação de Jesus sobre o Evangelho do Reino (Nova Aliança), mensagem e ensinos estes expandidos em Atos e nas epístolas pelos escritores do Novo Testamento.

Dessa forma, concluímos que o ministério profético na igreja, não é apenas uma realidade atual, mas, acima de tudo, uma extrema e vital necessidade nestes tempos trabalhosos ou difíceis (gr. kairoí chalepoí, 2 Tm 3.1).

Que o Senhor:

" [...] vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele,iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;" (Ef 1.17-19)

REFERÊNCIAS

- A Igreja e as Sete Colunas da Sabedoria, Severino Pedro.
- Assim diz o Senhor? Como saber quando Deus está falando com você através de alguém, John Bevere.
- Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD.
- Bíblia de Estudo Almeida, SBB.
- Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, L. Arrington e Roger Stronstad.
- Novo Testamento Interlinear, Vilson Scholz.
- Lições Bíblicas, 3º Trimestre de 2010, CPAD.
- Lucas: Introdução e comentário, Leon L. Morris.

6 comentários:

Moisés Carneiro disse...

Caro pastor Altair, é sempre bom poder acessar seu blog. Parabéns!

Acesse meu novo blog, me adicione e siga-me novamente por favor. Será um privilégio tê-lo comigo.

http://moisespedrosa.blogspot.com/

Um grande abraço, amado.

No Senhor.

Pr. Moisés Carneiro

Elisomar disse...

Muito bom mesmo, este comentário!

Pedro Henrique disse...

Caro Pr. Altair Germano, a Paz do Senhor!

Mais um excelente estudo! Na dependência e operação do Espírito Santo, teremos uma boa aula amanhã. Abraços.

P.H.

Izaqueu Ferreira disse...

maravilha muito bom.Deus abençoe!

Izaqueu Ferreira disse...

muito bom, gostei muito Deus abençoe poderosamente

josivaldo nestor disse...

parabéns pelo estudo a respeito deste assunto, muito valioso,só queria acrescentar que o que se encerrou com joão batista foi aquele oficio de profeta que apontavam para cristo,é por este motivo que jesus disse que joão foi o maior dos profetas, pois além de apontar aquele que havia de vir também apresentou-o ao mundo, coisa que nenhum outro profeta o fez.