sexta-feira, 30 de julho de 2010

VIII ESBOM - A DOUTRINA DA REGENERAÇÃO E DA SANTIFICAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A VIDA DO OBREIRO (3)


O CONCEITO DE SANTIFICAÇÃO

O termo “santo” deriva-se do hebraico qadosh,que nos transmiste a idéia de “santidade”, ou seja, a natureza essencial daquilo que pertence ao domínio do sagrado e que, por esse motivo, difere daquilo que é comum ou profano (HARRIS; ARCHER; WALTKE, 1998, p. 1990). No grego, o termo utilizado é hagios, que significa basicamente “separado” (entre os gregos, dedicado aos deuses), e por conseguinte, nas Escrituras, em seu significado moral e espiritual, separado do pecado e, portanto, consagrado a Deus, sagrado (VINE, 2003, p. 970).

Observemos, dessa forma, alguns conceitos sobre santificação:

Falando de modo geral, portanto, podemos definir santificação como separação para Deus, imputação de Cristo como nossa santidade, purificação do mal moral, e conformidade com a imagem de Cristo.” (THIESSEN, 1987, p. 270)

A Obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, e habilitados a morrer mais e mais para o pecado e a viver para a justiça.” (HODGE, 2001, p. 1182)

É a operação contínua do Espírito Santo, pela qual a santa disposição concedida na regeneração mantém-se e se fortalece.” (STRONG, 2003, p. 605)

A santificação pode ser entendida como um ato imediato ou posicional (1 Co 1.2; Ef 1.1; Cl 1.2; Hb 10.10) e um processo que continua por toda a vida (2 Co 7.1; Hb 12.14,23).

OS MEIOS DE SANTIFICAÇÃO

Em termos de santificação posicional, tal condição é possibilitada pela vontade e graça de Deus (Hb 13.12; Fl 2.13). Como processo, na busca da santidade, o homem dispõe dos seguintes meios:

- O sangue de Cristo (1 Jo 1.7)
- O Espírito Santo (1 Co 6.11; ; 1 Pe 1.1-2)
- A Palavra de Deus (Jo 171.17; Ef 5.26)

A Santificação não se trata da erradicação absoluta do pecado (1 Jo 1.8-10), de alguma forma de legalismo (Mc 7.5-13) ou ascetismo (tentativa de subjugar a carne e alcançar a santidade por meio de privações e sofrimentos).

AS IMPLICAÇÕES PRÁTICAS DA DOUTRINA DA SANTIFICAÇÃO NA VIDA DO OBREIRO

A santificação na vida do obreiro implica:

- Na separação do profissionalismo ministerial que faz da igreja uma empresa, do Evangelho um negócio (2 Co 2.17)

- Na separação dos modismos e ventos de doutrina (Ef 4.14)

- Na separação dos modismos litúrgicos (contextualização x secularização; essência x estética)

- Na separação do formalismo acadêmico

- Na separação do anti-academicismo

- Na separação do abuso dos dons espirituais (1 Co 14.37-40)

- Na separação do partidarismo ministerial (1 Co 3.1-8)

- Na separação da politicagem eclesiástica (At 1.15-26)

- Na separação do autoritarismo na liderança e no governo da igreja (Mt 18.1-3; 23-35)

- Na separação da rebelião (Nm 16.1-3 ss)

- Na separação da coisificação e do ativismo ministerial (Jo 21.17; At 6.1-6; Ef 4.11-12; 1 Pe 5.1-4)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HARRIS, R. Laird; ARCHER Jr., Gleason L.; WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998.
HODGE, Charles. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. Miami, Flórida: Editora Vida, 1970.
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras introdutórias à Teologia Sistemática. São Paulo: IBR, 1987.
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003.
VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE Jr., William. Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

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