terça-feira, 27 de julho de 2010

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL: ENSINANDO PARA PROMOVER VIDA ESPIRITUAL

IMAGEM: ebenezerpentecostal.wordpress.com

Promover vida possui como prerrogativa ter vida. Para que a Escola Bíblica Dominical alcance os seus ideais de agência de ensino promotora de vida, torna-se necessário que aqueles que a fazem busquem, desfrutem, gozem, demonstrem e promovam vida.


A vida da qual falamos pode ser definida como vida integral, pois envolve o aspecto ou dimensão espiritual, moral e social do homem. Para uma tomada de consciência por parte dos professores da ED, se faz necessário entender ou rever algumas questões básicas em termos de vida espiritual.


1. A Escola Bíblica Dominical como Agência Promotora de Vida Espiritual


O maior pedagogo e professor de todos os tempos, Jesus, resumiu o objetivo geral de seu Projeto Político Pedagógico da seguinte forma:


“[...] eu vim para que tenham vida (zoen) e a tenham em abundância (perisson)”. (Jo 10.10b, ARA)


O termo grego zoe (vida), possui uma variedade de significados, trazendo no presente contexto a idéia de “o tipo de vida que Deus tem, que deu ao Filho (Jo 5.26) e que foi manifesta ao mundo (1 Jo 1.2), possibilitando ao homem ser dela participante pela fé (Jo 3.15). Já o termo perisson, traduzido no versículo citado por “abundância”, significa plenitude, demasia, mais do que realmente necessário, medida excedente, algo acima do usual.


Uma vida espiritual nestes níveis implica em:


- Conhecer a Deus abundantemente;

- Relacionar-se com Deus abundantemente;

- Fazer para Deus abundantemente


CONHECENDO E SE RELACIONANDO COM DEUS ABUNDANTEMENTE


O termo hebraico geralmente utilizado no A.T. para “conhecimento” é yada. Já no N.T., temos a palavra grega ginosko. Tanto uma, como a outra, podem ser traduzidas, dependendo do contexto, por: notar, perceber, entender, compreender, distinguir, saber, conhecer.


Mas não são nos sentidos acima descritos, que “conhecer” ganha aqui importância. “Conhecer”, em termos bíblicos, pode ser algo mais do que um simples conhecimento sensitivo ou intelectual, pode significar ainda:


- Conhecer de modo pessoal

- Um relacionamento de confiança entre pessoas

- Um relacionamento de amizade

- Um relacionamento de intimidade

- Um relacionamento sincero

- Um relacionamento transparente


É neste sentido que devemos entender as seguintes passagens:


Foi também congregada a seus pais toda aquela geração; e outra geração após eles se levantou, que não conhecia o SENHOR, nem tampouco as obras que fizera a Israel.” (Jz 2.10)


Gerações inteiras podem, através do conhecimento de Deus, desfrutar da fidelidade, do companheirismo e da proteção do Senhor, como também, podem se privar destas benesses, caso negligenciem tal conhecimento.


Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem.” (Jó 42.5)


Jó evoluiu do conhecimento teórico, para o conhecimento pessoal.


Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mt 7.21-23)


O Senhor sabe quem são aqueles que falsamente declaram que estão debaixo do seu senhorio. Estes, não gozam do privilégio de terem Deus como amigo, não desfrutam de sua confiança.


Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim,” (Jo 10.14)


Os homens por vezes, apenas sabem coisas ao teu, e ao nosso respeito, mas somente Deus nos conhece plenamente e integralmente.


Quando conhecemos realmente a Deus, e por ele somos conhecidos, uma relação pessoal, de amizade, íntima, aberta e estável deve estar em evidência nas nossas vidas. Dessa forma, como professores de ED poderemos influenciar positivamente os nossos alunos para buscarem e experienciarem uma dimensão mais íntima e profunda com Deus, nosso Pai.


FAZENDO OU REALIZANDO PARA DEUS ABUNDANTEMENTE


O ensino na Escola Bíblica Dominical possui também como objetivo a capacitação e a realização de obras por parte dos alunos. Jesus nos deixou claro que a sua tarefa pedagógica deveria habilitar os seus discípulos (gr. mathetes, aprendiz, imitador, aquele que se esforça para seguir os ensinamentos e os exemplos de alguém) para a produção de frutos (gr. karpos, metaforicamente obras ou ações, ):


“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto (karpon), e o vosso fruto permaneça;[...]” (Jo 15.16)


Professores que intentam alcançar tais objetivos precisam demonstrar aplicação, devoção e excelência naquilo que fazem como atividade pedagógica e docente professores, e em outras tarefas na igreja.


Em se tratando de atividades relacionadas com a tarefa do professor, o mínimo que se espera dele é:


- Formação e qualificação continuada em termos de Educação Cristã (formal ou informal)

- Dedicação na pesquisa em torno do tema da lição;

- Elaboração de um Plano de Aula (Conteúdo, objetivos, método de ensino, recursos didáticos, avaliação);

- Clareza e objetividade na fala (preparo homilético)

- Oração (preparo espiritual)


O texto de Romanos 12.7b é claro e direto:


“[...] o que ensina esmere-se no fazê-lo;”


Na medida em que professor da ED cresce em termos de vida espiritual, considerando a necessidade de conhecer mais, se relacionar melhor e fazer mais e melhor para o Senhor, estará apto para promover a vida que o ensino bíblico-cristão possibilita, e que foi tão evidenciada pelo Senhor Jesus, nosso supremo mestre e grande referencial docente.


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