quarta-feira, 9 de junho de 2010

A OPÇÃO PELO POVO DE DEUS. Subsídio para Lição Bíblica

Publiquei tempos atrás, alguns textos que tratavam de uma análise crítica da falta de cuidado dos líderes para com as pessoas. As coisas tinham, e continuam na vida de muitos pastores tendo prioridade. Jesus, o pastor dos pastores, o líder dos líderes nos deixou um claro exemplo da "opção pelo povo de Deus".

Entendendo que a Lição 12 trata desta questão, resolvi publicar novamente alguns destes textos. Segue abaixo o primeiro deles.

Um fenômeno tem preocupado aqueles que de maneira crítica, lançam seus olhares sobre a prática pastoral na igreja evangélica brasileira. Falo da "coisificação" do ministério pastoral.

Pastor virou "gestor". O pastor não dedica mais o seu tempo para cuidar de pessoas. As coisas e os negócios da igreja se tornaram prioridades.

O tempo que deveria investir em oração e na leitura devocional da palavra (relação pessoal de comunicação com Deus), e na visitação (relação pessoal de comunicação com os santos), é empreendido agora na administração dos negócios, no acompanhamento das contas, nas visitas às construções e em outras vária atividades impessoais.

Falo principalmente dos pastores de tempo integral (e neste caso me incluo). O tempo do pastor de "tempo integral", não é mais tempo integral para ser pastor. O pastor é superintendente de órgãos e departamentos, professor do seminário, presidente ou membro de conselhos, comissões e convenções. No caso de pastores que dividem o tempo entre trabalho secular, família e igreja, o tempo dedicado para esta última, deveria ser totalmente aproveitado para a atividade exclusivamente pastoral.

O pastor pode exercer as funções acima descritas, o que não dá é torná-las prioridade ministerial. Nos casos mais extremos, os pastores que produzem mais em outras atividades, sem ser as atividades pastorais junto a congregação, deveriam se (ou serem, no caso de pastores auxiliares) afastar destas, para dedicarem-se inteiramente aquelas.

Amado companheiro e pastor de tempo integral, no que estás envolvido neste exato momento? Estás dedicando tempo para si mesmo e para a sua família? Estás atendendo no gabinete pastoral? Fizestes alguma visita aos enfermos? Estás na busca de alguma ovelha perdida? Realizastes uma cerimônia fúnebre? Estás orando, lendo ou estudando a Bíblia para se alimentar e prover alimento para o rebanho? Gastastes tempo em oração?

Ultimamente, a relação pessoal (se assim pode ser chamada) entre muitos pastores e as igrejas que pastoreiam (ou administram), limita-se aos contatos na escola dominical, no culto dominical e nos cultos de ensino bíblico (ou de doutrinação).

Entendo que parte deste grande problema é uma questão econômica. Para que pagar (ou contar com a ajuda voluntária) de diáconos ou outros membros para tratar dos negócios administrativos (das coisas), quando se pode utilizar os pastores, e dessa maneira, economizar alguns reais dos cofres da igreja?

Penso ser também uma questão de reprodução de um modelo centralizador e clerical, onde o pastor é o detentor de todos os saberes e habilidades, o único apto, capaz e vocacionado para o exercício com excelência de todos os dons espirituais e ministeriais. Pobre e medíocre visão.

Precisamos de um ministério pastoral mais humanizado e menos coisificado. Para isto é necessário descentralizar as tarefas e rever as prioridades do ministério pastoral no atual contexto da igreja evangélica brasileira.

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4 comentários:

NICODEMOS disse...

Paz seja contigo.

Muitos Pastores de fato perderam a visão do que é ser pastor e do que é um rebanho.

a linguagem empresarial é comum em pregações.

E não poucas vezes ja ouvi pregações nos quais inseridos no texto dizem

"... a igreja é como uma empresa...."

É triste que eu não ouça pregarem:

"...A igreja é como uma familia..."

Mas é muito bom saber que há muitos servos espalhados pelo mundo que não se calam e nem se submetem a estes neologismos.

Blog do Zé disse...

Paz amado Pastor.
Oportuno e proveitoso seu comentario. Cabe afirmar que há pastores hoje em dia que são verdadeiros empresarios da fé, estão engajados em ter e se esquecem que somos pereginos nesta terra e que há um céu e um Rei que espera seus filhos fiéis.

Elisomar disse...

Ao contrário do irmão Nicodemos, eu acho que a igreja anda calada demais!
Pense numa coisa difícil( com rara exceções),encontrar
pastores que se envolva com a alma nos verddeiros problemas da igreja!

Macca disse...

Amado pastor!
Gostaria de ter membros em nossa pequena igreja realmente empenhados na obra, mas nos cultos de ensino e Escola Dominical não vai quase ninguém, e parece que os poucos que desejam aprender a Palavra, não a praticam, me sinto só...
Nos cultos vejo pessoas que só vem a igreja para buscar algo,mas sabemos que são tempos trabalhosos....