domingo, 23 de maio de 2010

PROFUNDIDADE OU DELÍRIO HERMENÊUTICO?


Conheço amigos que se autodenominaram (ou foram denominados) tão profundos na arte de interpretar, ensinar e pregar a Bíblia Sagrada, que saíram da dimensão da possibilidade para a dimensão do delírio, da fantasia e das alegorias absurdas.

Percebo também, que as supostas revelações dos "mistérios" bíblicos causa um certo frenesi nos ouvintes ou leitores, embotando os seus entendimentos, entorpecendo o bom senso e comprometendo o discernimento.

Particularmente, prefiro a exposição bíblica simples, fundamentada naquilo que o texto e o contexto dizem, livre das especulações e das "viagens" exegéticas e hermenêuticas insustentáveis.

“As coisas encobertas pertencem ao Senhor, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei." (Dt 29.29)

7 comentários:

Alexandre Pitante disse...

Caro, Pr. Altair Germano.
A paz do Senhor!

Esta postagem, curta, porém clara e objetiva, retrata muito bem como esta o nosso contexto hodierno. Porquanto vemos muitos pregadores que são verdadeiros ilusionistas da fé, inventam coisas que só Jesus pra ter misericórdia da igreja que ouve tais baboseiras.

Mensagens com uma exegese anti-bíblica e fora do contexto como: Grávidos por um Avivamento, DNA divivo, Destronando Satanás, e assim vai o senhor já sabe....

Fico com as vossas palavras:

"Particularmente, prefiro a exposição bíblica simples, fundamentada naquilo que o texto e o contexto dizem, livre das especulações e das "viagens" exegéticas e hermenêuticas insustentáveis".

Abraço em Cristo, Alexandre Pitante.

Sandro Moraes disse...

Pr Altair, Paz! Temos basicamente dois problemas em relação à simplicidade do Evangelho. Por ser simples, muitos encontram nisso razão para empobrecê-lo: são aquelas pregações profusas em unção, fogo, poder, gritos e teatralizações, e pobres em conteúdo e em profecias óbvias e/ou inventadas. Em outro extremo vemos pregações propositalmente elaboradas para ser contraponto, com muita viagem filosófica, conteúdo até rico às vezes, mas inapropriado para edificar: são expressões de vaidade intelectual inútil. Nem um extremo, nem outro. O que é claro é que o Evangelho é simples, contudo não oferece somente leite, também alimento sólido. O que entendo por simplicidade é a elaboração da mensagem na dependência de Deus expressa pela oração, porém sem menosprezar o estudo, a meditação e a aplicação prática da palavra. O evangelho é simples mas nos oferece princípios para vários aspectos da existência. Portanto temos que fugir das revelações duvidosas, da pobreza do triunfalismo do evangelho da "vitória", da "benção", do "milagre", ou seja, do evangelho-divertimento-capitalismo- mistificado-psicologizado para agradar.
O evangelho nos confronta sempre a ajustarmos nossa vida ao centro da vontade do Pai. Deus abençoe, Pastor! Seu trabalho é muito relevante para mim há muitos meses. Convido o sr a visitar o meu blog:

http://nocaminhodagraca.blogspot.com/

Heitor disse...

A Paz do Senhor !
Pr.Altair,
Graças a DEUS, sou Pentecostal e não tenho dúvidas que o amado também o é porém, vivemos dias em que o significado da palavra "pentecostal" ou "pentecostes" tornou-se, em linhas gerais para a Igreja Evangélica Brasileira, sinônimo de rodopios, aviõezinhos, assovios, apupos, aplausos e outras manifestações externas mais tais como andar de quatro (unção do leão), balidar e etc. Louvo a DEUS por muitos anônimos(as) dEle que não se dobraram e nem se dobram a estes modismos eclesiástico-teológicos, e nem aceitam ou permitem as chamadas novas-unções, novos - moveres e tantos outros "novos(as)" (que na verdade são velhas heresias), trazendo confusão e prejuízo para muitos irmãos(ãs) em Cristo. Continuemos no "autêntico Pentecostes", que começou lá em Atos dos Apóstolos e permanece até a volta do REI, cuja
base é a Bíblia Sagrada pregada e estudada com seriedade.

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro amigo Pr. Altair Germano,

A paz do Senhor!

Reconheço que o termo que vou utilizar, não é propício para o assunto, mas não conseguindo encontrar outro, pelo menos agora, vou expressá-lo assim mesmo:

Para falar a verdade, tem pregador que está é "viajando na maionese".

Para ser diferente faz qualquer coisa!

Amplexos,
Pr. Carlos Roberto

Ivomar Schüler da Costa disse...

Bastaria que os pastores ensinassem como aplicar o avangelho em nosso cotidiano e já teriam feito um trabalho excepcional.

Por um lado me parece que há uma competição tola (me perdoem se estou sendo deselegante); e por outro penso que há também muito despreparo intelectual.

Alguns pastores parecem os cegos a que se referia Jesus, aqueles que queriam conduzir outros com as mesmas dificuldades.

Se os pastores fecham os olhos quem conduzirá o rebanho?

Matias disse...

É isto aí! Voltemos para a simplicidade do evangelho e deixemos de lado as acrobacias hermeneuticas, muitas das quais são feitas muito mais dentro de uma matrix histórica (e.g. "calvinismo" ou "wesleyanismo") do que na leitura do próprio texto bíblico. Como teólogo, que passou por seminário de diversas escolas teologicas, chego a mesma conclusão que o irmão.
Abraços fraternais,
Matias

audenizesilva disse...

É bem verdade que temos mais recursos teológicos que em tempos passados. Porém não se pode esquecer que a Bíblia antes de ser uma literatura como qualquer outra é a Santa Palavra de Deus. O que nos faz lembrar a necessidade de interpreta-la sob a direção do Espírito Santo. Quem melhor interpretaria um texto que o próprio autor?

Audenize Silva