sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

REFÉNS DA COMPLEXIDADE E DO PESO DA MÁQUINA: A IMPOTÊNCIA DE ALGUMAS LIDERANÇAS EVANGÉLICAS NO BRASIL


"Ao menos metade deles eram retos, piedosos, e desejavam dar uma liderança digna à cristandade. A maioria deles foi capaz e diversos lutaram para reformar a Igreja. [...] Todavia, o sistema era demasiado para os papas. Diversos deles sucubiram, ao menos a ponto de colocar seus parentes em postos lucrativos e importantes. A real complexidade e o peso da máquina, que fora construída com a prosperidade da cristandade e dos milhões de indivíduos que constituíam sua população como seu propósito, acarretavam abusos que mesmo os mais fortes e os de mente mais elevada dos pontífices de Avinhão não podiam eliminar e, raramente, impediam. O papado pagava o preço de ter utilizado a espécie de poder que parecia essencial à realização de seus objetivos, mas que acarretava contradições com a ética cristã e com os princípios espirituais". (kenneth Scott Latourette)

O quadro narrado acima diz respeito a realidade da igreja no século XIV, nos anos que antecederam a Reforma Protestante. Mais uma vez a história nos alerta para alguns males que se observam na atualidade evangélica brasileira.

Ao contrário dos que muitos pensam, alguns Papas assumiram suas funções bem intencionados. Acontece que a igreja, em decorrência das transformações ocorridas ao longo dos anos para dar sustenção ao seu poderio espiritual e secular, se transformou numa grande máquina cujas engrenagens estavam demasiadamente firmadas.

O sistema politico eclesiástico estava apodrecido por corrupções, compra e venda de cargos eclesiásticos, partidos internos, nepotismo, pompa e luxo, imoralidade sexual e etc. A máquina eclesiástica estava tão engrenada, que por bem intencionado e íntegro que fosse, o Papa ao assumir a "Cadeira de Pedro" não conseguia mudar o sistema, pelo contrário, acabava se tornando refém do modelo construido inicialmente nos anos do Imperador Constantino.

Por essa época (Séc. XIV), os cardeias ganharam força e passaram a tirar e colocar Papas de acordo com os benefícios que isso lhes dariam. A confusão foi tanta em tornos de interesses pessoais, que no ano de 1309 foi dado início ao que se designou de "O Cativeiro Babilônico da Igreja", período em que os papas governavam a igreja a partir de Avinhão.

No ano de 1378 o quadro se agravou. A corrupção e os interesses dentro da "máquina" fizeram com que dois papas governassem simultaneamente a igreja, um em Roma (Urbano VI) e o outro em Avinhão (Clemente VII), dando início ao Grande Cisma. Cada um deles reivindicava a legitimadade de seu cargo e abominava o outro. Parte da Europa seguiu o papa romano (A Itália central e norte, a maior parte da Alemanha, Inglaterra, Escandinávia, Boêmia, Polônia, Flandes, e Portugal), enquanto a outra parte seguiu o papa de Avinhão (Espanha, França, Escócia e parte da Alemanha).

Em 1409 aconteceu o mais absurdo. Após o tumultuado Concílio de Pisa, que tentou acabar com o Grande Cisma, três papas passaram a governar a igreja ao mesmo tempo: Gregório XII, Bento XIII e Alexandre V. O Cisma papal só acabou em 1417 com a eleição do Papa Martinho V no Concílio de Constança.

Hoje, no Brasil, em muitas denominações evangélicas, lamentavelmente a história se repete. O desejo pelo poder, associado aos interesses pessoais de muitos, produziram cismas nas mais sérias igrejas. Não são poucas as que já possuem dois "Papas"(Líder Nacional), sendo que algumas já caminham para o que chamo de "Crise de Pisa", ou seja, uma terceira (ou quarta, quinta...) grande divisão, com o surgimento de um terceiro Papa nacional.

Bons presidentes de igrejas e convenções, capazes, bem intencionados, íntegros e piedosos, acabam se tornando reféns das "máquinas modernas" e dos atuais "cardeais de terno e gravata". Pensam em tentar mudar o sistema, mas, por alguma razão se percebem impotentes ou impossibilitados.

Da história podemos tirar boas lições e maravilhosos aprendizados, ou podemos repetir tragicamente e obstinadamente os seus grandes erros.

A decisão está com cada um de nós!

3 comentários:

Márcio Cruz disse...

Paz do Senhor, Ir. Altair.

"Ah, se tivéssemos a humildade de aprender com os erros do passado".

"O pior servo é aquele que crê que não tem mais o que aprender".

"Não vos enganeis; de Deus não se zomba; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará - Gl 6.7".

"E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas - Hb 13.4".

"Mas nada há encoberto, que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser conhecido - Lc 12.2".


Em Cristo,

Ir. Márcio Cruz.


*obrigado pelo material para EBD. Papai do ceu te recompense.

Atalaia disse...

--Pois é, colocar parentes em cargos lucrativos...Veja em que se transformou "a Igreja" seja Católica ,seja evangélica.
--Quem te viu,quem te vê,Igreja...
Todavia Jesus não se deixou cooptar,antes bateu de frente com o judaismo decadente,contra os fariseus e contra o sinédrio!!!
--Eu penso que se o cabra é frouxo,então ele deve pular fora,abdicar do cargo,antes que além de frouxo ele se torne desonesto.
Na verdade ,na verdade este sistema está esgotado e padece de erros estruturais irreconciliáveis,ou seja ,a podridão é endêmica no cristianismo,sendo atualmente epidêmica,e permanecendo este modelo,vai continuar a podridão,pois este sistema cristão apodrecido se auto-alimenta!(cantores,pregadores,que cobram muito dinheiro para darem o que de graça receberam do Senhor)
Na verdade as igrejas CATÓLICAS/EVANGÉLICAS são uma TRISTE CARICATURA da igreja cristã planejada e fundada por Jesus.
Triste realidade !!!
----Igreja-Empresa nunca vai dar certo!!!Pois uma foi comissionada para ganhar almas,a outra para ganhar dinheiro.----Igreja-Estado(pastores.deputados.)nunca vai dar certo(não precisa explicar,né!).----Da mesma forma que lei e graça não combinam...
----Pregação e lucro financeiro também não combinam assim como----Louvor e lucro financeiro também não combinam.
Solução para aqueles que não querem reformar o atual sistema igrejeiro: Congregar com o nariz tampado,devido ao mal cheiro que o sistema exala !!!!!!!!!!!!!!!!!!
Segunda opção: faça como Jesus, saia do sistema,cure no sábado,chame os fariseus de hipócritas,pregue a verdade nua e crua(não sua versão ligth antropocêntrica)negue sua legitimidade,pregue em ruas ,montes,casas,não somente em sinagogas,vire a mesa dos cambistas...e azorrague neles!!!
No reino de Deus o maior é o menor,na atual igreja,o maior é o maior mesmo!Chame Herodes de raposa,os néscios de néscios,os hipócritas de hipócritas,as raças de vívoras de raça de víboras,enfim, seja odiado por causa do nome de Jesus!
Apregoe que esta geração não pode servir a Deus e a Mamon!
CUIDAI VÓS QUE JESUS VEIO TRAZER PAZ À TERRA??? NÃO,ANTES DISSENSÃO!
DAQUI EM DIANTE CINCO ESTARÃO DIVIDIDOS NUMA CASA:TRÊS CONTRA DOIS E DOIS CONTRA TRÊS.
Apregoai: Ai de vós, pastores...
Se vc fizer isto,certamente será perseguido,mas é melhor ser perseguido por aprovar a verdade do que ser aplaudido por estes sacripantas pervertedores da igreja e do evangelho de Jesus Cristo!

Danilo Fernandes disse...

Otimo texto. O protestantismo brasileiro perdeu a memória.