quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

QUEM PODE BATIZAR NAS ÁGUAS: A QUESTÃO HISTÓRICA E DENOMINACIONAL

(IMAGEM: Samuel Nystrom, presidente da Convenção Geral de 1933)

""Nunca se teve notícia, nem na história bíblica e muito menos na da assembleiana de um membro da igreja batizar outro. Será que os padrões assembleianos serão desprezados? Que o legado deixado por nossos pioneiros será jogado às traças? Isso é um verdadeiro absurdo e por isso não pude deixar de expressar-me, pois trata de ataque à base doutrinária e, sem ela, seríamos reduzidos ao Movimento G-12. Desde o princípio, a partir da escolha dos apóstolos, está patente o selo do Espírito: '…veio sobre eles o Espírito Santo e falavam em línguas…' (At 19.6) e ainda sobre a direção da escolha: '… pareceu bem ao Espírito Santo e a nós' (At 15.28)."

Com esta citação do blog FRONTEIRA FINAL, do ilustre companheiro e pastor Antônio Mesquita, foi que iniciei os comentários de meu post QUEM PODE BATIZAR NAS ÁGUAS: A QUESTÃO BÍBLICA (1).

"Nunca se teve notícia, nem na história bíblica..."

A questão acima, sobre os precedentes bíblicos já foi resolvida, onde se pode claramente ver na Bíblia (conforme post acima citado) diáconos e leigos (discípulos ou membros comuns) batizando.


Como falei, depois de tratar da questão do ponto de vista bíblico (o que já seria suficiente), passaria a tratar da questão do ponto de vista histórico e denominacional, provando que as afirmações contidas na citação acima não se sustentam biblicamente, historicamente e nem denominacionalmente.

A QUESTÃO HISTÓRICA

Quem afirma que os batismos em águas narrados em Atos dos Apóstolos, realizados por "leigos" ou por "diáconos" foi decorrente da falta de organização da igreja, desconhece o fato de que a sequência da história prova o contrário. O respeitado historiador da igreja, Kenneth Scott Latourette, em sua obra "Uma História do Cristianismo", HAGNOS, vol. 1, p. 258, afirma:

"Tertulianos, escrevendo não longe do final do século 2 ou no começo do século 3, descreve o batismo. Evidentemente, ele fora posteriormente elaborado. O rito devia ser administrado por um bispo ou um presbítero, ou ainda por um diácono designado por ele, ou, na ausência desses, por um leigo".

A QUESTÃO DENOMINACIONAL

"[...] muito menos na da assembleiana [...]"

A presente citação não se sustenta. Observemos as razões:

1. Na resolução da Convenção de 1933, realizada de 9 a 16 de abril, no Rio de Janeiro, sobre o Direito de batizar, administrar a Ceia e unção (Publicada na edição nº 10 do Mensageiro da Paz, da 2ª quinzena de maio de 1933), lemos:

"Esta convenção reconhece unicamente como regra de sua fé, a ser obedecida, a Bíblia Sagrada (grifo nosso). Assim sendo, resolveu adotar como regra geral, onde houver trabalho do Senhor já firmemente estabelecido, que a Ceia do Senhor, o batismo e a unção de enfermos (grifo nosso) sejam feitos pelos que foram consagrados para o ministério e o ancionato.

Entretanto, nos lugares onde o trabalho estiver apenas iniciado, ou onde o mesmo esteja pouco desenvolvido, o pastor com a igreja do campo podem autorizar a fazê-lo um dos membros que tenha um bom testemunho (grifo nosso). Na falta do pastor, o ancião por todos reconhecido como tal pode substituí-lo." (História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, CPAD, Silas Daniel, p. 79-80)

Perceba que esta resolução de 1933 declara se fundamentar na Bíblia Sagrada. Dessa forma, afirmar que na história da Assembleia de Deus o ato de um membro batizar em águas é jogar o legado dos pioneiros às traças é desconhecer as decisões convencionais dos próprios pioneiros.

Perceba ainda que a resolução autoriza não apenas o batismo nas águas, mas também a ministração da Ceia do Senhor e da unção nos casos citados.

Até onde sei, tal resolução ainda se encontra em vigor e continua sendo observada por vários pastores assembleianos no Brasil.

O que se teria a discutir, não é o fato de um membro assembleiano poder ou não batizar em águas, pois isto já aconteceu (está acobertado pela própria CGADB) e muitos pastores sabem disso, inclusive, alguns me confirmaram isto por e-mail, mas, por questões pessoais e institucionais pediram para não serem citados.

A discussão então seria: por quais motivos um pastor autorizou um membro batizar, quando não havia a necessidade expressa na resolução (havia ou não a necessidade?).

2. Observe ainda as afirmações abaixo, de ilustres pastores e teólogos das Assembleias de Deus:

"
N. Lawrence Olson, em sua obra O Batismo Bíblico e a Trindade, publicado pela CPAD em 1985, asseverou: “o batismo nas águas é um mandamento, tanto para pregadores, como para o povo de Deus em geral” (p.13)." (Fonte: Blog do Ciro)

"O batismo foi ordenado por Jesus Cristo. Foi ele quem mandou que os seus discípulos batizassem (cf. Mt 28.19; Mc 16.16). Os discípulos saíram e pregaram por toda a parte, batizando em cumprimento à oredem recebida (cf. Mc 16.20; At 2.41; 8.12; 10.47). [...] O batismo deve ser praticado assim como foi nos dias dos apóstolos". (Eurico Bergstén, Introdução à Teologia Sistemática, CPAD, 1999).

"BATISMO LEIGO. Batismo ministrado por leigos católicos em momentos de emergência, quando o clérigo designado acha-se ausente. Nesse caso o batismo é considerado válido pelas autoridades romanas. Aliás, o leigo tem a obrigação de efetuar o batismo em tal circunstâncias. O batismo leigo também é observado em algumas denominações evangélicas". (Claudionor de Andrade,
Dicionário Teológico, CPAD, 1998.

Pois é nobres leitores, o batismo nas águas realizado por um membro das Assembleias de Deus, que parecia ser "um verdadeiro absurdo", "um desprezo aos padrões assembleianos", "um jogar às traças o legado dos pioneiros", "um ataque à base doutrinária" e "um reducionismo ao G-12", na realidade é plenamente legitimado nas Assembleias de Deus no Brasil.

Esclarecido os fatos, e já pensando ter escapado da "Santa Inquisição" (pelo menos por hora), voltemos ao ponto real da questão:

1. Era necessário um membro da igreja batizar, autorizado por um pastor, nas circunstâncias narradas no blog Fronteira Final?

Só quem pode responder isto é o pastor que autorizou e os presentes no batismo. Como já provamos, havendo necessidade, tanto a Bíblia, como a CGADB (que não é maior que a Bíblia) aprovam.

2. O pastor é conhecedor da resolução de 1933?

Somente ele pode responder.

3. Caso não tenha havido uma real necessidade, o que aconteceu?

Aconteceu o descumprimento de uma resolução convencional (que não foi o simples fato de um membro batizar). O que fazer? Conforme a práxis convencional, chama-se o pastor e o adverte em relação ao fato.

4. E isso acontecerá?

O tempo dará a resposta.

Abraços e paz do Senhor!

Um comentário:

Junior Saraiva disse...

Eu acho que toda regra tem exerção { eu já fiz 2 velório a mando das familia.não havia autoridade e
clesiástica]



abrços antonio saraiva