terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

QUEM PODE BATIZAR NAS ÁGUAS: A QUESTÃO BÍBLICA (2)

MISSIONÁRIO JOEL CARLSON BATIZANDO NO RIO BEBERIBE (PE)
IMAGEM: www.admoreno.com.br


"Cremos que um cristão verdadeiro, em casos extremos, como na ausência de um obreiro poderá realizar o batismo, mas esta pessoa deve ter conhecimentos para tal e conhecer o/a candidato/a ao batismo, para ter convicção de que o mesmo estaria compromissado realmente com Cristo, e o oficiante também deve primeiro ter passado pela experiência de conversão em Cristo (cf 2Co 5.17)."

"O teólogo Jaziel Guerreiro Martins, formado pela Faculdade Teológica Batista do Paraná, em sua obra Manual do Pastor e da Igreja (MARTINS, Jaziel Guerreiro, Manual do Pastor e da Igreja/Jaziel Guerreiro Martins – Curitiba: A. D. Santos Editora, 2002. 374p.), mostra não ser conservador quanto ao tema, mas afirma o seguinte: “Por tradição, os ministros realizam os batismos e os chamados ‘leigos’ acham isso plenamente natural, pois os pastores são líderes da pregação e do ensino e tomam por obrigação do ministério a celebração da ceia do Senhor e a realização dos batismos, podendo-se adicionar cerimônias fúnebres e casamentos. Entretanto, isso não quer dizer que a realização dessas tarefas seja monopólio daqueles que fazem parte do ‘clero’. Em Atos 8 tem-se o caso de Filipe que batizava, e ele não pertencia ao grupo dos apóstolos; era um dos sete escolhidos em Atos 6, ou seja, um diácono”.

Note-se que Filipe, embora não fosse membro do apostolado, era diácono, oficial da Igreja, e sua atuação foi de um evangelista, como é citado comumente.

'A igreja local é que deve ter a palavra final sobre a questão. Ela pode autorizar, se assim o quiser, uma pessoa leiga para batizar, em caso de necessidade”. O escritor cita casos de lugares distantes, outros locais onde não existem pastores… 'Nestes casos, é plenamente possível que tais líderes efetuem os batismos, caso a igreja os autorize, em caráter excepcional. Entretanto, se não há necessidade, a melhor decisão é que o pastor continue realizando batismos, pois já é algo tradicional em nosso meio, e sempre que possível a tradição deve ser mantida, embora ela não seja lei nem regulamento final sobre a questão', diz Jaziel.'"

As duas citações acima são do último post publicado no blog Fronteira Final, sobre o assunto aqui tratado, com o título "QUEM PODE E QUEM DEVE BATIZAR".

Quero parabenizar o meu companheiro Antônio Mesquita, pois nesta segunda abordagem, percebe-se claramente o equilíbrio e a biblicidade necessárias num assunto tão importante que é o batismo em águas. Obviamente, não concordamos em todos os pontos, mas respeito as posições do nobre companheiro.

Sobre a questão do batismo no Espírito Santo como prerrogativa para o ingresso no corpo de oficiais das Assembleias de Deus, destaquei apenas o fato das injustiças cometidas (e são fatos concretos), e fiz uma abordagem escriturística (embora muito objetiva) sobre o assunto. Respeito a posição da denominação, pois do contrário não faria parte dela. Mas, o fato de respeitar tal posição não me impede de emitir opinião que entendo ser bíblica, mesmo que contrarie a "boa tradição".

Quanto as perguntas retóricas feitas no mesmo post, todas elas já estão respondidas em QUEM PODE BATIZAR NAS ÁGUAS: A QUESTÃO BÍBLICA.

Mantenho meu respeito pelos pontos nos quais divergimos. Sou sabedor da seriedade e integridade do nobre companheiro. Tentei postar comentário no Fronteira Final, mas, por alguma razão não consegui. Não estou familiarizado com o Wordpress.

Só gostaria de respeitosamente fazer mais uma observação, desta feita sobre a frase abaixo, lá postada:

"Qual seria então o critério daqui para frente… Vamos imitar os nossos irmãos tradicionais e nos igualar a eles no que tange a essa questão?;"

Penso, com todo respeito, que ela deveria ser melhor esclarecida ou colocada, pois passa a idéia de que pelo fato de exigirmos o batismo no Espírito Santo para o ingresso no corpo de oficiais da igreja, somos melhores ou estamos num nível superior de espiritualidade em relação aos irmãos e igrejas tradicionais.

O batismo no Espírito Santo não prova espiritualidade e integridade moral de ninguém, nem coloca instituição alguma num patamar superior a outra. Prova disto são os últimos escândalos de nível nacional e em canal de TV aberta e "encoberta", promovidos por pastores assembleianos batizados no Espírito Santo.

Se hoje somos uma grande denominação, sem dúvida alguma o poder do Espírito cooperou para isto. Se não zelarmos e continuarmos a buscar esta maravilhosa dádiva divina com sabedoria e biblicidade, ela será extinta de nosso meio. A história já nos deu prova disto.

Penso que este salutar debate só tende a enriquecer os amados leitores.

Com temor e tremor,

Altair Germano.

4 comentários:

Victor Leonardo Barbosa disse...

Olá pastor Altair, a Paz do Senhor!

Concordo com sua posição, pois tanto a Bíblia quanto a história, pelo menos a meu ver, dão respaldo para a prática da ministração do batismo por leigos. Claro que é necessário haver maior análise sobre o caso e tampouco defendo a "liberalização geral". Porém creio que leigos podem batizar, desde que estejam comprometidos com a congregação local e tenham a autorização da liderança eclesiástica.

Forte abraço e Paz do Senhor!

Ciro Sanches Zibordi disse...

Caro amigo Altair Germano,

Ainda não tinha lido o seu texto, o que fiz agora, fazendo a leitura das partes 1 e 2.

Os nossos textos se corroboram mutuamente, como o irmão já pode constatar no [Blog do Ciro] e quiçá no Pastor Ciro Responde.

Parabéns pela imparcialidade e pelo compromisso com a sã doutrina.

Em Cristo,

CSZ

Luiz disse...

Amado Pastor,
Que tal um post sobre o batismo com o Espírito Santo na história da igreja. Desde já agradeço sua atenção.
Que Cristo continue te abençoando!
Luiz Gomes

Danilo Fernandes disse...

Mas o beberibe tava limpo que era um beleza... Hoje no trecho do Recife este batismo seria impossivel.