domingo, 17 de janeiro de 2010

NAU À DERIVA


O projeto inicial, apesar de simples, era o ideal.

Seus idealizadores e executores tinham as mais louváveis e justificáveis intenções. Eram pessoas íntegras, sérias, não buscavam os seus próprios interesses.

A nau, pequena, mas devidamente organizada, com os seus comandantes e marinheiros a postos, partiu em direção ao seu destino.

Todos estavam certos do sucesso da missão.

A unidade, a fraternidade, o respeito e a consideração imperavam nos relacionamentos entre os tripulantes.

O tão esperado sucesso foi alcançado.

Com o tempo, a prosperidade do empreendimento manifestou-se em forma de crescimento e lucro.

Conselhos e Comissões começaram a ser formados para dar apoio administrativo, jurídico e até espiritual. No começo, esses grupos eram compostos apenas por especialistas nas respectivas áreas e funções.

Foi nesse exato momento que as coisas começaram a desandar.

A posição de comandante, por promover agora um status e privilégios antes não outorgados, começou a ser abertamente e ardentemente disputada. A indicação pacífica para o comando transformou-se numa ferrenha e disputada eleição, com direito à compra de voto, promessas de retribuições e favorecimentos. Milhões em dinheiro passaram a ser gastos nas campanhas eleitorais, e o pior, sem nenhuma prestação de contas transparente.

Os lucros da nau começaram a ser investidos em festas na própria nau, em viagens e em outros gastos particulares dos comandantes, deixando de ser investidos nos projetos iniciais e nobres.

Outros postos no comando passaram também a ser cobiçados. O desejo pelo poder, alimentado por uma vaidade narcisista e icariana, crescia cada vez mais.

Nesse amplo jogo de interesses e desejos, surgiu as negociadas, os acordos, o partidiarismo, as indicações de pessoas desqualificadas para cargos e funções importantes.

Órgãos que tinham sidos criados para dar apoio à nau, ganharam tanta força, que seus diretores, mesmo devendo submissão estatutária e regimental, se rebelaram e passaram a tomar decisões isoladas, sem consulta prévia alguma.

Membros do próprio comando pintaram e bordaram, dizendo e fazendo o que queriam, quebrando dessa forma todos os princípios estabelecidos para a boa ordem na nau. O estranho é que nada aconteceu. Parecia que todos estavam de alguma forma envolvidos com algo errado, temendo que a sua própria sujeira ou negócio ilícito pudesse vir à tona. Parece que todos se tornaram reféns de todos.

O segredo do ganho de tal força, conforme se comentava nos corredores e compartimentos da nau, era creditado ao fato dos tais comandantes e diretores saberem de "muita coisa", entre as quais, operações financeiras ilegais, uso indevido dos recursos e da máquina, cargos fantasmas remunerados, maquiamento na contabilidade, abuso do nepotismo e etc.

Setores importantes da nau passaram a ser controlados por parentes, familiares e amigos "fiéis", tudo isso para facilitar e ajudar o comandante a se manter no poder e a esconder as suas muitas "operações". O comandante perdeu o controle da situação.

Em meio a tudo isso, algo aconteceu e poucos perceberam ou, se perceberam, pelos mais diversos motivos se calaram: a nau perdeu a direção, mesmo possuindo ainda comandante, comando e marinheiros.

A nau não apenas perdeu o rumo, perdeu a credibilidade, perdeu o respeito dos de fora e dos próprios marinheiros.

É bem provável, pelo rumo das coisas, que em breve ela colida com um grande iceberg. Quando isso acontecer, veremos o que sobrará da nau.

Se a nau poderá ser reconstruída juntamente com o seu projeto original, ou se permanecerá para sempre submersa no oceano da história, o tempo é que nos dará essa resposta.

OBS: Esse texto é impróprio para ser reproduzido nos jornais e periódicos oficiais de naus que vivenciam a realidade aqui exposta.

19 comentários:

Pastor Geremias Couto disse...

Caro e nobre amigo Altair:

O problema é que o iceberg está à vista, mas muitos se negam a enxergá-lo!

Abraços.

Aninha e Paulo disse...

Caro pastor Altair, a paz do Senhor.

Espero que muitas consciências sejam despertadas com este texto.
Apenas me gerou uma dúvida no trecho abaixo:

"OBS: Esse texto é impróprio para ser reproduzido nos jornais e periódicos oficiais de naus que vivenciam a realidade aqui exposta." Pr Altair

Esta observação traduz uma resposta negativa dos "donos" dos jornais e periódicos oficiais, para uma tentativa de publicar este criativo texto?
Abraços
PAULO MORORÓ

Maurilio Gomes da Silva disse...

Pastor e amigo Altair, saudações em Cristo !!!

Parabéns pelo artigo de profunda reflexão.

Abraços.
Maurilio - EBD (J.Paulista)

ALTAIR GERMANO, disse...

Caro amigo e pastor Geremias do Couto,

estes prefrerem morrer na nau, desde que com "poder".

abraços.

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre Mororó,

se textos críticos mais leves, outros doutrinariamente e teologicamente ortodoxos (perspectiva denominacional rsrsrs), e ainda outros devocionalmente coerentes são por vezes rejeitados e engavetados por editores e redatores destas naus, imagina o que não fazer com este "despertador de consciências".

Por isso, textos como este nem envio para análise.

Abraços,

ALTAIR GERMANO, disse...

Nobre amigo e irmão Maurílio,

se a reflexão não gerar transformação, que gere preocupação, pois para tudo há um tempo e um limite.

Deus está no controle da situação, embora a nau, humanamente falando, está sem rumo certo.

Abraços.

neusa disse...

Meu caro Pr. Altair
Esta historia eu já vi em algum lugar do passado, é só uma questão de tempo.. a ânsia do juntar.. juntar.. e juntar, e "marinheiros" supostamente fieis, na esperança de um dia quem sabe virar o capitão.. prefiro eu morrer soldado a colidir neste iceberg e cair nesta agua que certamente estara bem fria.

Pr. Carlos Roberto disse...

Nobre companheiro Pr. Altair Germano,

A paz do Senhor!
Reflexão atual, pertinente e necessária.
Corroboro com as palavrass do nobre amigo pr. Geremias do Couto.
Que os integrantes da tripulação não se esqueçam que Deus está soberano no controle maior, e Ele querendo, antes da nau bater em um iceberg, um simples vento levanta um "cisco" e muda toda a situação.

Bem, a história do "cisco" fica para outro dia.

Parabéns pela excelente reflexão!

Um grande abraço!
Pr. Carlos Roberto

Antonio disse...

shalon! pr altair
Esta nau me fez lembrar os americanos nos tempos q eles tinhan temor do Senhor. ( ia me esquecendo oje é estudo do matutino de paratibe 2 orem e divulguem]

Elisomar disse...

Com certeza estão excluindo o Comandante deste Barco...Jesus.

SERGIANO -NABE disse...

Aqui em tocantins, infelizemente, temos visto essa concupiscência pelo comando de uma nau muuuito grande que navega por essas bandas de cá.
Misericórdia Senhor Jesus!
Abraços pastor Altair, fique com a Paz do Senhor!

Moisés Pena disse...

É....e as vezes alguns são os próprios icebergs e não percebem..isso tb é um problema..

Elias charamba disse...

PR. Altair, graça e paz!

Boa reflexão, agora pergunto: será que é preciso ser mais explícito?
Tá dado o recado.
Quem tem entendimento, ouçam o que se está sendo publicado.

Abraços Elias Charamba

irmao rubens disse...

Pr Altair concordo com td que disse sobre a nau a deriva,mas minha grande preocupaçao é que eu e tantos outros estamos dentro dessa nau,o que fazer alem de interceder?

Elisomar disse...

Irmão Rubens,
Será que o senhor é aquele irmão que encontrei na assembléia de Deus tradicional de Manaus, no culto de final de ano?
Se for, falei do senhor para o pastor Altair.
Já estamos de volta e com saudades daí.

Daladier Lima disse...

Prezado Pr. Altair,

Ás vezes, o problema é que alguém desce da nau num barquinho pequeno, para não cair no desfiladeiro. E depois quer transformar a pequena embarcação em grande nau, repetindo os mesmos problemas!

Pastor Jessé Sobral disse...

Caro Pr. Altair.

O Hino 467 da Harpa Crista diz: "Solta o cabo da nau, toma os remos nas maos e navega com fé em Jesus..."

Só que pelo jeito esta nau está solta, os remos estao perdidos, e a fé, bem a fé é para os crentes, esses citados já perderam a fé, a esperanca e o amor, e por que nao dizer o carater e a integridade.

Cuidemos da nossa nau.

Depois destas tempestades, cremos que Deus nos dará bonanca.

No amor de Cristo.

Pr. Jessé Sobral

Miriam disse...

Déjà vu.
Miriam Anna

irmao rubens disse...

a paz do Senhor irma Elisomar,eu nao sou esse Rubens que teve ai em Manaus,alias nunca tive nessa cidade.Eu sou de Sao Paulo.