sábado, 5 de dezembro de 2009

VACINA CONTRA A PESTE DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE



Ontem pela madrugada, o programa que ridicularizou e tem ridicularizado os assembleianos (e crentes de outras denominações) deste Brasil afora, foi ao ar novamente.

Como ato de repúdio e indignado com o silêncio "oficial", publico o texto abaixo, que servirá de vacina contra esta peste chamada de Teologia da Prosperidade e da Vitória Financeira.

Ascensão Pentecostal da Teologia da Prosperidade


1. Antecedentes Históricos da Teologia da Prosperidade


A Teologia ou Evangelho da Prosperidade (ou ainda da Vitória Financeira) tem suas origens nos Estados Unidos, onde por volta dos anos 30 e 40, através dos ensinos de Essek William Kenyon (1867-1948), pastor de várias igrejas na América e fundador de uma denominação própria, ele foi também escritor e radialista (MARIANO, 1999, p. 151). Seus ensinos eram focados na cura, saúde, abundância, prosperidade, riqueza e felicidade pelo poder da mente.


Mariano (idem, p. 152) afirma que Kenyon nunca pregou nem escreveu sobre prosperidade (talvez numa perspectiva doutrinária). Segundo ele, foi o evangelista Oral Roberts quem criou a noção de “Vida Abundante” e deu início à pregação da doutrina e evangelho da prosperidade, prometendo retorno financeiro sete vezes maior que o valor ofertado. Muito interessante, é o fato de que Oral Roberts passou a dar maior ênfase a tal mensagem a partir de 1954, quando ingressar na TV, suas despesas aumentaram consideravelmente. Nos anos 70, nos narra ainda Mariano que Kennet e Gloria Copeland radicalizaram, dando maior projeção ao evangelho da prosperidade, quando prometeram retorno centuplicado dos dízimos e oferta (BARRON, 1987 apud MARIANO, ibdem).


Foi Kenneth Hagin (1917-2003), nascido em McKinney, no Estado do Texas, Estados Unidos, que difundiria amplamente a Teologia da Prosperidade. Conforme Romeiro (1993, p. 15) o ministério de Hagin tornou-se um dos maiores do mundo e sua influência tem se espalhado por muitas partes do globo. Hagin foi um batista que creu nas doutrinas pentecostais, chegando a filiar-se à Assembleia de Deus nos Estados Unidos, vindo posteriormente a sair, para depois de peregrinar por várias igrejas, fundar a sua própria, juntamente com o Instituto Bíblico Rhema, centro divulgador de suas idéias.


No Brasil, segundo Mariano (ibdem, p. 157), a Teologia da Prosperidade iniciou a sua trajetória nos anos 70, penetrando em muitas igrejas e ministérios, em especial: Internacional da Graça, Universal, Renascer em Cristo, Sara Nossa Terra, nova Vida, Bíblica da Paz, Verbo da Vida, Cristo Salva, Cristo Vive, Nacional do Senhor Jesus Cristo, Adhonep, CCHN, Missa Shekinah. Cada instituição e liderança deglutiu, trabalhou e transmutou de diferentes modos as doutrinas desse “novo Evangelho”.


2. A Teologia da Prosperidade como Movimento Doutrinário


Como movimento “doutrinário”, a Teologia da Prosperidade se desenvolveu após os anos 70, encontrando espaço nos grupos evangélicos pentecostais. Sobre isto comenta Pieratt (1993, p. 21):


[...] o pentecostalismo não foi o pai desse novo evangelho, embora talvez possa ser chamado de padrasto, por causa da forma como o abraçou e seguiu seus ensinos. Então, a primeira pergunta que se levanta é por que as denominações pentecostais têm sido mais abertas a esse ensino do que qualquer outro grupo protestante. A resposta parece estar na tendência que elas têm de aceitar dons de profecia e profetas dos dias atuais que afirmam exercer esses dons. Por causa da abertura para visões, revelações e orientações espirituais contínuas fora da Bíblia, cria-se um espaço para a entrada das afirmações do evangelho da prosperidade.


Uma afirmação muito interessante neste enunciado do Pieratt é o fato de que o evangelho da prosperidade não se sustenta na autoridade das Santas Escrituras, mas, na autoridade dos “profetas” da atualidade (ou dos carismas). O motivo disto é a sua fraca sustentação à luz de uma análise exegética e hermenêutica séria e ortodoxa, baseada numa interpretação histórico-gramatical da Bíblia. Observe o que escreveu Hagin: “O próprio Senhor me ensinou sobre a prosperidade [...] recebi isso diretamente do céu.” (in How God Taugh Me About Prosperith, 1991 apud ANKERBERG e WELDON, 1996, p. 32). Em Solving the Mystery of the Miracle Money (Resolvendo o Mistério do Dinheiro Milagroso), Robert Tilton afirma que: “As palavras deste livro não são minhas; são palavras do [...] Espírito Santos [...].” (apud idem, p.33).


Em qualquer época, toda reivindicação de autoridade profética, ou de veracidade da profecia, esteve relacionado à revelação de Deus em seus escritos inspirados:


Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma. Andareis após o SENHOR, vosso Deus, e a ele temereis; guardareis os seus mandamentos, ouvireis a sua voz, a ele servireis e a ele vos achegareis. (Dt 13.1-4, ARA)


Profecia e teologia devem caminhar de mãos dadas, sendo toda profecia passiva de julgamento (1 Co 14.29) pela teologia (interpretação e sistematização dos mandamentos). A voz de Deus nos mandamentos (texto inspirado), não pode destoar da voz de Deus na profecia (carisma inspirado). Desta forma, teologia e profecia se complementam, em vez de serem entendidas como manifestações antagônicas.


Outro fato digno de nota foi que a doutrina da prosperidade em sua origem, esteve intimamente relacionada à expansão do televangelismo norte-americano:


A origem das doutrinas sobre prosperidade manteve íntima conexão com a expansão do televangelismo norte-americano. Segundo Hadden e Shupe (1987, p. 66-69), em função do aumento da competição entre os televangelistas, o tempo na TV tornou-se muito caro para eles. O custo dos programas subiu mais que a audiência. Pressionados pelas despesas crescentes de seus projetos, que foram se tornando cada vez mais ambiciosos, os televangelistas refinaram as formas de levantar fundos, integrando os apelos financeiros à teologia, que, entre os anos 50 e 60, passou a absorver os ensinos de Hagin. Deste modo, as exigências econômicas do veículo de transmissão da mensagem religiosa acabaram por integrar e, em parte, moldar seu conteúdo. Não é a toa que a Teologia da Prosperidade ingressou no Brasil e se espraiou em diversos segmentos evangélicos por meio dos neopentecostais, justamente os mais ativos difusores do televangelismo entre nós. (MARIANO, ibdem)


Atualmente, no Brasil, o mesmo fenômeno acontece, sendo que o mais grave, é a sua promoção por parte de lideranças com cargos e funções de relevância em Convenções regionais e nacionais de ministros. O caso mais notório é o do pastor Silas Malafaia (atual vice-presidente da Convenção de Ministros das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB), que em seu programa “Vitória em Cristo”, além de anunciar por um bom tempo a “Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira” (Bíblia que promove abertamente a Teologia da Prosperidade ou da “Vitória Financeira”), convidou também o pastor Morris Cerullo (comentarista da referida Bíblia) para participar do seu programa, desencadeando com isto uma campanha de levantamento de ofertas, onde os participantes, com base na autoridade do “profeta de Deus”, contribuiriam com R$ 900,00 (novecentos reais), debaixo de promessas de uma abundante colheita financeira (leia em http://www.altairgermano.com/2009/08/teologia-da-prosperidade-aberta-e.html). O mais grave, é que diante de tais episódios os órgãos oficiais da denominação e Convenção, guardiões e especialistas da sã doutrina, simplesmente (ou misteriosamente) silenciaram sobre o assunto.


3. A Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira e Outros Escritos Numa Perspectiva Ortodoxa Pentecostal


Ao fazer uma análise teológica dos comentários da mesma sobre o tema “pobreza” e “Teologia da Prosperidade”, percebe-se alguns equívocos doutrinários, conforme abaixo:


Pobreza é escravidão! Ela amarra as pessoas, impedindo-as de terem as coisas que necessitam. A pobreza leva à depressão e ao medo. Não é a vontade de Deus que você viva na escravidão da pobreza. É hora de Deus acabar com a escravidão das dívidas e da pobreza no meio do seu povo! É chegado o momento da liberação de uma unção financeira especial, que quebrará as cadeias da escassez e o capacitará a colher com abundância! (Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira, introdução xxvii)


Tais idéias são equivocadas pelas seguintes razões:


- Pobreza é escravidão


Pobreza nem sempre é “escravidão espiritual”, aliás, na maioria dos casos trata-se apenas de uma condição sócio-econômica, fruto do pecado, da acomodação, da injustiça social, do egoísmo e de outras mazelas. Você pode ser pobre, e mesmo assim, não ser escravo da pobreza. Você pode ser pobre e ser feliz! João Batista (Mt 3.4), Jesus (Lc 2.21-24 com Lv 12.8), Pedro e João (At 3.1-6), Paulo (2 Co 6.10) e tantos outros servos de Deus, apesar de pobres não eram "escravos" da pobreza. É preciso lembrar que a riqueza também pode promover escravidão (Mt 6.19-24). Desta maneira, não é a pobreza ou a riqueza em si que torna alguém escravo, mas sim, a forma como lidamos com essas condições sócio-econômicas.


- A pobreza leva à depressão e ao medo


A pobreza "pode" levar alguém à depressão e ao medo, mas não necessariamente. Todos nós conhecemos pessoas que sobrevivem com poucos recursos financeiros, que não são depressivas nem vivem amedrontadas, pois confiam no Senhor que supre todas as nossas necessidades (Mt 6.31-34). Conhecemos também muitos ricos que são depressivos e amedrontados. A própria Bíblia adverte quanto ao males da riqueza mal adquirida e administrada (1 Tm 6.9-10).


- Não é a vontade de Deus que "você" viva na escravidão das dívidas e da pobreza no meio do seu povo


Você quem? Isso significa que todos os crentes deveriam ser ricos? Você quem? Aquele que comprou a referida Bíblia, ou foi alcançado por seus princípios e ensinamentos? Não amados, nem todos seremos ricos. As razões pelas quais isto não vai acontecer são as mais diversas e complexas possíveis e envolvem fatores sociais, pessoais, espirituais, circunstanciais e outros. Se você contribui com as suas ofertas e dízimos, é trabalhador honesto, se esforça para manter-se qualificado na profissão que exerce, administra com sabedoria o salário que recebe e mesmo assim não alcança a riqueza, não fique triste nem frustrado, contentai-vos com o que tendes (Fp 4.11; Hb 13.5). Seja rico para com Deus (Lc 12.21). Saiba que o mais importante nesta vida não é o quanto você tem, mas o que você é diante do Senhor. Se um dia você ficar rico, dê graças a Deus, se nunca isso acontecer, dê graças a Deus também (1 Ts 5.18).


- É hora de Deus acabar com a escravidão das dívidas e da pobreza no meio do seu povo


Por qual razão Deus só resolveu acabar com a escravidão das dívidas e da pobreza agora, se os fundamentos deste comentário sempre estiveram na Bíblia? Será que Jesus, Paulo, os demais apóstolos, os pais da igreja, os reformadores, os missionários que experimentaram fome e nudez pela causa do mestre nunca enxergaram isso? Deus os privou desta "visão" (aliás, mais uma daquelas visões que só trazem confusão e promovem heresias no Reino de Deus)? Somos uma geração "especial"? Outra coisa, quem disse que a riqueza acaba com as dívidas? Muitos ricos estão proporcionalmente mais endividados do que alguns pobres. A questão da dívida relaciona-se com a forma com de administrarmos os recursos e não em sermos pobres ou ricos.


- É chegado o momento da liberação de uma unção financeira especial


Percebe-se que se trata de mais uma "unção especial", como foi a "unção do riso", "unção do leão" e outras "unções", todas fruto de uma interpretação bíblica equivocada e tendenciosa, desassociada de uma análise exegética séria e genuinamente cristã (é bom lembrar que boa parte dos argumentos e notas da citada Bíblia está fundamentada no Antigo Testamento em promessas direcionadas para o povo de Israel). Não existe uma "unção especial financeira". O que a Bíblia nos revela é a bondade, generosidade, misericórdia e graça de Deus, que faz com ele derrame abundantemente suas dádivas sobre aqueles que contribuem com alegria e liberalidade, promovendo assim socorro aos necessitados, recursos para a obra missionária, manutenção do trabalho do Senhor e o suprimento de outras necessidades (2 Co 9.6-15).


Observe o comentário abaixo:


Se você estiver carregando um fardo financeiro pesado, Deus o libertará. Ele não quer que você lute semana após semana apenas para suprir necessidades básicas. Ele quer libertá-lo da ansiedade mental e da preocupação que oprimem sua mente. (Bíblia Batalha Espiritual e Vitória Financeira, p. 278)


Algumas coisas precisam aqui ser esclarecidas:


- A ênfase do referido comentário deixa de ser dada ao "fardo do pecado" (Mt 11.28-29) e passa ao "fardo financeiro".

- O comentário afirma que Deus não quer que “lutemos” para suprimento de nossas necessidades básicas, mas que deseja que sejamos ricos. Na verdade, o Senhor Jesus nos ensina que não devemos "lutar", no sentido dado pelo comentarista (lutar ansiosamente) por uma simples razão, é o próprio Deus que supre nossas necessidades básicas como comer, beber e vestir:


Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6.31-33)


- Diz ainda o referido comentário: "Ele quer libertá-lo da ansiedade mental e da preocupação que oprimem sua mente". Ora, não é a riqueza que nos livra da ansiedade, mas sim, nosso contentamento e confiança em Deus que em todas as coisas e situações nos fortalece:


Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece. (Fl 4.11-13)


- É necessário lembrar que ser rico, não é em si mesmo pecado (1 Tm 6.17-19), contudo, uma teologia que prioriza a riqueza na vida do cristão não é ortodoxa nem bíblica.


Observe agora a ligação entre a visão sobre pobreza da referida Bíblia com a teologia da Prosperidade. Comecemos observando alguns textos escritos ou falas em defesa da Teologia da Prosperidade:


"[...] um outro observou: ' Sabe, Jesus e os discípulos nunca andaram num Cadilac.' Não havia Cadilac naquela época. Mas Jesus andou num jumento. Era o Cadilac naquela época - o melhor meio de transporte existente. Os crentes têm permitido ao diabo lesá-los em todas as bênçãos que poderiam usufruir. Não era intenção de Deus que vivêssemos em pobreza. Ele disse que éramos para reinar em vida como reis. quem jamais imaginaria um rei vivendo em estrita pobreza? A idéia de pobreza simplesmente não combina com reis." (HAGIN, p. 48 apud PIERAT, 1993, p. 59)


E mais:


“[...] Filho de Deus, Jesus não andou em pobreza. Leia cuidadosamente a alimentação dos cinco mil. Quando eles viram os cinco mil, literalmente disseram isto. Agora eu sei que os teólogos farão com isso, mas eu não estou tentando impressionar os teólogos. Estou tentando impressionar pessoas que querem saber o que a Palavra de Deus diz. Estou tentando colocar alguma verdade em seu espírito. E você lê a narrativa, e ela literalmente diz: o discípulo disse: “Compraremos comida e alimentaremos todos estes? E eles disseram: ‘duzentos dinheiros seriam necessários para alimentar a todos. Iremos nós comprar a comida?’. Eles tinham o dinheiro na bolsa para alimentar cinco mil, mais as mulheres e crianças. Estou lhe dizendo, Jesus não liderou um ministério de pobreza”. (Jonh Avanzini, gravado em 14.12.91, no programa Beliver’s Voice of Victory, apud ROMEIRO, 1993, p. 42).


Perceba que a citação do texto de Jo 6.7 é tendenciosa e distorcida. A Bíblia Almeida Revista e Corrigida traduz da seguinte forma:


“Filipe respondeu-lhes: Duzentos dinheiros não lhe bastarão, para que cada um deles tome um pouco.”


A Almeida Revista e Atualizada diz:


“Respondeu-lhe Filipe: Não lhe bastariam duzentos denários de pão, para receber cada um o seu pedaço.”


A Bíblia de Jerusalém narra:


“Respondeu-lhe Filipe: Duzentos denários de pão não seriam suficientes para que cada um recebesse um pedaço”.


Na NTLH lemos:


“Filipe respondeu assim: para cada pessoa poder receber um pouco de pão, nós precisaríamos gastar mais de duzentas moedas de prata.”


Por fim a NVI relata:


“Filipe lhe respondeu: Duzentos denários não comprariam pão suficiente para que cada um recebesse um pedaço.”


Perceba quem em nenhuma das versões acima o texto passa a idéia, ou expressa claramente que eles tinham tal quantia. O que Filipe faz é simplesmente um cálculo de quanto seria necessário para alimentar a multidão. Mesmo se naquela ocasião eles dispusessem deste valor, não significaria que sempre tinham dinheiro em abundância.


Observe ainda a seguinte declaração:


Deus quer que seus filhos usem a melhor roupa. Ele quer que eles dirijam os melhores carros e quer que eles tenham o melhor de tudo[...] simplesmente exija o que você precisa. (Kennteh Hagin, New Thressholds of faith, 1985, p. 55 apud Idem, p. 43)


Agora compare com o que está publicado como comentário na Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira:


"Jesus veio destruir as obras do Diabo: 'Para isso o Filho do Homem se manifestou: para destruir as obras do Diabo' (1 Jo 3.8). O pecado, a enfermidade, a pobreza e a morte são jugos do Inimigo! Você não tem de ficar amarrado à pobreza! Jesus veio libertá-lo de todo jugo que o Inimigo queira impor sobre você!" (p. 278)


O que há em comum entre os textos citados? A resposta é clara: todos estão construídos sobre os fundamentos da Teologia da Prosperidade. A lógica desta teologia é simples: doença e pobreza são do diabo. Se o Cristão está doente ou vive em pobreza, encontra-se debaixo do jugo do inimigo, ou nem é crente de verdade (ou o suficiente):


Se alguma coisa não estiver dando certo, é porque não contém qualquer virtude ou substância que dá vida. Descarte-a, por não ser um pensamento correto [...] (é) cristianismo de baixo nível [...] (TILTON apud ANKERBERG e WELDON, 1996, p. 72).


Seguindo esse raciocínio, segue abaixo uma lista ampliada de personagens bíblicos que viveram debaixo do jugo do Inimigo:


- Eliseu (2 Rs 13.14-21) Enfermidade

- João Batista (Mt 3.4) Pobreza

- Jesus (Lc 2.21-24 com Lv 12.8) Pobreza (imagina que nem ele escapou!!!!)

- Lázaro (Jo 11.1-5) Enfermidade

- Pedro e João (At 3.1-6) Pobreza

- Paulo (2 Co 6.10) Pobreza

- Epafrodito (Fp 2.27) Enfermidade

- Timóteo (1 Tm 5.23) Enfermidade

- Trófimo (2 Tm 4.20) Enfermidade


Certamente conhecemos na atualidade, homens e mulheres de Deus (como os citados acima), que se encontram enfermos ou vivem em situação de pobreza (alguns inclusive vivenciam as duas situações). Será que todos eles estão debaixo do jugo de Satanás. Embora o Inimigo possa promover enfermidades e pobreza, nem toda enfermidade e pobreza surgem da parte dele:


"Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados." (Lm 3.39)


Se não fizermos exames de saúde periódicos ou não tivermos uma boa educação alimentar, e isto resultar numa enfermidade, a culpa é do Diabo? É claro que não, a culpa é nossa!


Se não administrarmos bem as finanças, não tratarmos com cuidado o orçamento doméstico, se fizermos um mau investimento, a culpa sempre será do Inimigo?

Volto a ressaltar que fatores sociais, econômicos, culturais e pessoais são a causa de muitos sofrimentos e privações na vida do cristão.


A prosperidade é uma doutrina bíblica (Dt 28.1-14; Js 1.8; Sl 1.1-3, 1 Co 16.1-2 etc), mas, uma vez desassociada de seu contexto, reduzida ao simples fator financeiro e transformada em mera barganha, resultará em distorções e prejuízos de ordem espiritual e material para os seus propagadores e seguidores.


Que o Senhor continue nos livrando destes “ventos de doutrina” que nos induzem ao erro e ao engano (Ef 4.14).


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Baseado nas argumentações aqui expostas torna-se claro que a ascensão da Teologia da Prosperidade no meio pentecostal brasileiro (com ênfase nas Assembleias de Deus), dá-se, principalmente em razão da:


- Desconfiança ou ignorância sobre a necessidade da formação teológica de suas lideranças e de seus ministros;

- Desconhecimento das bases históricas e teológicas do Evangelho ou Teologia da prosperidade;

- Ênfase desmedida nos dons espirituais, em detrimento de uma análise e interpretação bíblica séria e profunda;

- Descasos e omissões de Conselhos e Comissões especializadas, que por questões políticas ou despreparo, não se posicionam firmemente contra as condutas e posicionamentos teológicos equivocados;

- Oportunismo ou desespero de alguns pastores e televangelistas, que se aproveitam da realidade econômica do país e de suas desigualdades sociais, associadas à falta de criticidade de seus seguidores, tornando-os objetos de fácil engano e manipulação.


BIBLIOGRAFIA


ANKEBERG, John; WELDON, John. Os fatos sobre o Movimento da Fé: qual a sua origem, o que ensina, a quem prejudica: Porto Alegre-RS: Chamada da Meia-Noite, 1996.


Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2007.


Bíblia de Estudo NTLH. Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri-SP, SBB, 2005.


Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida Edição de 1995. Flórida-EUA: CPAD/ Life publishers, 1995.


Bíblia Sagrada Nova Versão Internacional. Edição Especial projeto Minha Esperança Brasil. São Paulo: SBI-STL Brasil, 2008.


Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri-SP: SBB, 1996.


Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2. ed. Barueri-SP: SBB, 1996.


MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyla, 1999.


PIERATT, alan B. O Evangelho da Prosperidade: análise e resposta. São Paulo: Edições Vida Nova, 1993.


ROMEIRO, Paulo. Supercrentes: o evangelho segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os profetas da prosperidade. 6. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1996.


21 comentários:

vaninho2006 disse...

Parabens homem de corage este pastor Silas Malafaia (atual vice-presidente da Convenção de Ministros das Assembleias de Deus no Brasil – CGADB), mesmo con os critico de plantao ele nao para de abençoar o povo

gilsonelias disse...

Pr Altair é lamentavel, na minha opinião a igreja esta passando por sua pior fase,na minha igreja recentemente apareceu um pastor dizendo-se abençoado, falou das sua poses exemplo: um apartamento no morumbi no valor de mais de R$100.000,00, um automóvel que fiacava num determinado aeroporto no valor de R$85.000 e outro em outro local no valor de 70.000.00, e o mais simples era o que ele estava usando no dia da campanha, um ecosport.E determinou que as pessoas fizessem um voto de fé, seria destribuido dois tipos de envelopes um na cor vermelho e ouro na cor branca, quem pegasse o envelope vermelho Deus iria dar a mesma benção que deu para ele em 60 dias e teria que ser R$305,00 e o branco colocariam o que pudessem e levaria até um ano para receber, conheço as pessoas que fizeram o voto e nenhuma recebeu nada!, e o dito falou que se não recebessem no prazo determinado ele não era profeta de Deus. Fico horrorizado com esse tipo de atitudes e bem como os lideres aceitam isso nas igreja, só nos resta continuar pregando a palavra e repugnando esse tipo de ação que ão meu ver não tem nada de Deus e mais com atitudes dos falsos apóstolos que Pedro fala em sua carta.
abraços e paz!

ALTAIR GERMANO, disse...

Prezado Vaninho,

seu posicionamento diante deste post retrata a condição de muitos admiradores de homens, que infelizmente, ou não têm condições de refutar biblicamente os argumentos aqui levantados, ou simplesmente colocaram os homens e os ditos "profetas" num nível de autoridade maior do que a Bíblia.

Deus te abençoe e te ilumine.

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Gilsonelias,

agora estão colocando na TV gente para dar testemunho do "milagre financeiro", mas, sobre os que se sentiram frustrados e enganados, os que não alcançaram "o milagre", desses ninguém fala.

Abraços!

Pb.João Eduardo disse...

Á paz do senhor Jesus!. Quero parabenizá-lo pelo blog, visito todos os dias. Quero saber do senhor se a CGADB não vai tomar nenhuma providência com respeito ao Pr. Silas malafaia (Pastor???), pois ele esta envergonhando a Deus e aos assembleianos, que vergonha!!! pregou tanto contra esse evangelho (evangelho???)e hoje é adepto dessa heresia.
Quem ama a Deus e sua palavra nunca pregará essas heresias e modismos. Pr.Altair continue escrevendo contra isso, precisamos de homens de coragem como o senhor e o Pr.Ciro Sanches, que levantem a voz contra essas aberrações. Abraços - Fique na paz de Cristo.

Mario Sérgio disse...

Parabéns pela postagem! Infelizmente por falta de boa base teológica de grande parte de evangélicos, juntamente com a esperteza de alguns pregadores, essa teologia da prosperidade tem se infiltrado nas igrejas. Continue meu caro pastor, a denunciar esses abusos.
Deus lhe abençoe!

Adriano Wink Fernandes disse...

Pr. Alrair. Paz!
Estamos vivendo um tempo ímpar de confusões e distorções teológicas. É um tempo vaticinado pela Palavra de Deus. Podemos ver isso nas cartas de Paulo, Judas, Pedro, etc... Jesus foi claro ao afirmar que esses tempos seriam marcados pelo "engano religioso". O lamentável é que a maioria, tanto do povo como dos homens que compõem o corpo eclesiástico, não tem dado atenção a isso. Assim esses modismos, inovações, novas (e sedutoras) teologias tem livre acesso nas igrejas.
Esses dias fui num culto intitulado "culto da vitória" e entre tantas campanhas que fazem, agora estão na CAMPANHA PARA PEDIR O PRESENTE DE Natal. Sinceramente, não suportei ficar até o final do culto (culto?). Para onde vamos? A Palavra está escassa nos púlpitos; exceto em campanhas ou congressos especiais. Mas pergunto? Qual a igreja que pode ser sadia teologicamente ouvindo a genuína Palavra somente em momentos 'especiais'?

Que Deus tenha misericórida!

vaninho2006 disse...

seu posicionamento diante deste post retrata a condição de muitos admiradores de homens, que infelizmente, ou não têm condições de refutar biblicamente os argumentos aqui levantados, ou simplesmente colocaram os homens e os ditos "profetas" num nível de autoridade maior do que a Bíblia.

Deus te abençoe e te ilumine.

amem meu amado pastor faño minha suas palavras acima e que Deus me ilumine a mim E oS membros dos conselhos de dotrina, Educação e Cultura, Ética e Disciplina, de Apologética da CGADB, para tênhan condições de refutar biblicamente os argumentos aqui levantados, pois segundo suas palavras os mesmos simplesmente colocaram os homens e os ditos "profetas" como o pastor Silas Malafaia num nível de autoridade maior do que a Bíblia con o silencio " OFICIAL "..

ou estou errado..?

se estiver espero sua corecao

ALTAIR GERMANO, disse...

Amado Vaninho,

a competência para tratar desta questão "oficialmente" é do Conselho de Doutrina e da Comissão de Apologética.

Estou aguardando o pronunciamento oficial dos tais.

A minha posição todos já conhecem.

Mesmo assim, penso que o irmão pode embasar biblicamente o seu ponto de vista, ou não?

Cedo-lhe o meu espaço para isso.

Bíblia na mão e vamos lá!

Abraços,

Paulo Mororó disse...

Louvado seja Deus pela sua coragem profética e apologética. Enfrentar as manhas e manias da "Elite" não é fácil. Vários "modismo" como este, não são encarados por questões de conveniência da política eclesiástica. Tais fatos descansam no berço da omissão ministerial e convencional.Porém, Jeová também é o Senhor da Justiça. Ele levanta reinos e abate reinos.
Um abraço.
PAULO MORORÓly

.. disse...

Aplausos pela coragem!!!

carlos disse...

Paz do Senhor Pr.Altair.Minha preocupação tem sido o silêncio da Convenção,é uma barbaridade sem tamanho.Sugiro ao senhor que,quando puder conversar com o Pr.José Wellington,dizer para ele publicar alguma posição no mensageiro da paz.Não é possivel que a CGADB continue em silêncio.Falta para o vaninho2006 prestar mais atenção no que escreve,quem abençoa o povo?Silas Malafaia?estás equivocado rapaz;Somente à Deus a Glória.

Matias Borba disse...

Bom, meu desejo quanto a isso?
Desejo profundamente que o Sr. Silas malafaia deixe a vice-presidencia da CGADB!
Já que acabar com a maldita interpretação da teologia da prosperidade, então que este homem deixe de ser um dos líderis da denominação!!!!

Só não sei se existe coragem para descredenciar um homem deste que, usa a tv para manipular as pessoas a seguirem o evangelho que ele criou na tv.

Lamentável demais!!!!

LUIS ANDRE DE BARROS disse...

Pr. Altair, acerca da resposta ao comentário do Irmão Vaninho; o problema reside em alguns líderes acho que devemos analisar outra coisa séria, que se chama “pragmatismo dentro da igreja”... Paz!

Heitor disse...

A Paz do Senhor !
Pr.Altair,
Parabéns pela sua coragem em defender a sã doutrina bíblica. Somo a minha pergunta a de alguns que postaram aqui : Em outros acontecimentos lamentáveis também, a CGADB se pronunciou a respeito via Mensageiro da Paz (CPAD). E agora ? vai deixar o povo de DEUS e especificamente os assembleianos confusos ?
Geralmente quem se cala consente ...

Segredo de Davi disse...

Graça e Paz de Cristo, Fico muito feliz pela sua vitória nas áreas acadêmicas como mestre, creio que um dia chegarei a esse ponto.

Gostei deste post e gostaria de saber, se existe algum Slide ou artigo completo para o meu estudo pessoal.

No mais agradeço e que Deus continue te usando com equilíbrio e sabedoria em defesa da fé.

Precisamos de um avivamento da Bíblia em nossa igrejas.

Jefferson Sales

vaninho2006 disse...

pena que nao foi divulgadoo meu ponto de vista biblicamente
mais amem
sigo aqui con Bíblia na mão

ALTAIR GERMANO, disse...

Prezado Vaninho,

por alguma razão não recebi vosso comentário. O irmão pode reenviar.

Abraços!

Rev disse...

Bola pra frente pastor Altair, lí o seu post e estou junto no pensamento. Bela vacina, muita gente vai ser curada, outros não. Parabens! Saúde e paz!

Delio Visterine disse...

Acho a tal teologia da prosperidade o sinal mais claro de nós não estamos preparados para viver o evangelho. Ventos de doutrinas nos varrem mais fácil do que imaginamos. Enquanto a igreja passou as últimas décadas preocupada com usos e costumes e coisas do tipo: não toques nisso, não coma aquilo, não beba isso e coisas semelhantes a estas, a teologia da prosperidade foi ganhando espaço simplesmente pela via do amor ao dinheiro. Esse negócio veio chegando aos poucos e nada foi feito e porque? Por causa do deus grana, onde o amor a este é o princípio de todos os males.
O protestantismo tem trocado Jesus pelo deus grana e isso está bem marcado entre nós. Praticamente todas as denominações evangélicas de alguma forma, umas mais e outras menos, já aderiram ao tal movimento.
Herege agora ou em bem pouco tempo será considerado todo o que falar contra tal teologia, por que ela acabará sendo o evangelho da maioria. Isso não é uma profecia, é fato.

binho disse...

Querido, continue assim, pois o Senhor vai te honrar, infelizmente as Igrejas atuais tem se enveredado pelos caminhos da riqueza, sem escrupulo e pudor, fico chocado com as idéias que surgem a cada dia nas Igrejas, continue militando nesta fé que o Senhor irá de abençoar, tem todo o meu apoio e admiração..