sábado, 18 de julho de 2009

JESUS, A LUZ DO CRENTE. Subsídio para Lição Bíblica

A nossa terceira lição bíblica, retoma as argumentações de João contra os gnósticos, e de maneira mais específica, os docetistas.

O GNOSTICISMO

O termo gnosticismo se origina do grego gignoskein, e fala-nos de uma movimento religioso que enfatizava um tipo de conhecimento especial, superior, místico ou esotérico.

"Gnosticismo designa o movimento histórico e religioso cristão que floresceu durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga Gnose (palavra grega que significa conhecimento), com influências do neoplatonismo e dos pitagóricos. Este movimento reivindicava a posse de conhecimentos secretos (a "gnose apócrifa", em grego) que, segundo eles, os tornava diferentes dos cristãos alheios a este conhecimento. Originou-se provavelmente na Ásia menor, e tem como base as filosofias pagãs, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia. O gnosticismo combinava alguns elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas, mistérios de Elêusis, bem como os do Hermetismo, com as doutrinas do Cristianismo. Em seu sentido mais abrangente, o Gnosticismo significa "a crença na Salvação pelo Conhecimento" (Joan O'Grady)." (wikipédia)

É através da obra de Irineu, Contra as heresias, que temos acesso a maiores informações sobre esta doutrina herética:

CRISTO UM AEON

No pensamento gnóstico, Cristo não seria o Verbo de Deus, no sentido pleno, mas um dentre muitos salvadores ou pequenos deuses (aeons):

"Os gnósticos, de um modo geral, acreditam que o Universo manifestado principia com emanações do Absoluto, seres finitos chamados de Æons que se reúnem no Pleroma. No princípio tudo era Uno com o Absoluto, então em um determinado momento, emanaram do Absoluto estes æons (éons), formando o pleroma. O pleroma dos gnósticos é um plano arquetípico, abaixo do qual está o plano material, manifestado. Assim, o que antes era Uno e vivia no pleroma, se despedaça em partes. Este estado de infelicidade, pela descida no pleroma (e separação do Todo Uno), é o que ocasiona o sofrimento do homem neste mundo.

Um dos éons (Sophia) deu à luz o Demiurgo (artesão em grego), que criou o mundo material "mau", juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem. Os gnósticos ensinavam que a salvação vem por meio de um desses éons, geralmente apresentado como o décimo terceiro éon (identificado com o Cristo), distinto dos doze éons que regem o mundo decaído.

Segundo a doutrina, Cristo se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Segundo algumas linhas gnósticas, Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico, nem foi sujeito à fraqueza e às emoções humanas, embora parecesse ser um homem, enquanto a principal linha de gnosticismo cristão, a Valentiniana defende a tese próxima do nestorianismo doutrina cristã, nascida no Século V, segundo a qual há em Jesus Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, sendo Cristos (o ungido) o éon celestial que a um tempo se une a Jesus. Alguns historiadores afirmam que o apóstolo João se refere a esse assunto quando enfatiza que "o Verbo se fez carne" (Jo l .14) e em sua primeira epístola que "todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus..." (l Jo 4.3). Os escritos joaninos são do final do primeiro século, quando nasceu o gnosticismo. No entanto, muitas comunidades gnósticas tinham o Evangelho de João em alta conta." (wikipédia)

O DOCETISMOS

O docetismo, doutrina defendida por Basílides, Valentino, Patripassianos e Sabelinaos, tem sua origem no final do primeiro século:

"Docetismo (do grego δοκέω [dokeō], "para parecer") é o nome dado a uma doutrina cristã do século II, considerada herética pela Igreja primitiva, que defendia que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação teria sido apenas aparente. Não existiam docetas enquanto seita ou religião específica, mas como uma corrente de pensamento que atravessou diversos estratos da Igreja. Esta doutrina é refutada para a Igreja Católica e pelos protestantes no Evangelho de São João, no primeiro capítulo, onde se afirma que "o Verbo se fez carne". Autores cristãos posteriores, como Inácio de Antioquia e Ireneu de Lião deram os contributos teológicos mais importantes para a erradicação deste pensamento, em especial o último que, na sua obra Adversus Haereses defendeu as ideias principais que contrariavam o docetismo, ou seja, a teologia do Cristocentrismo, a recapitulação em Cristo do Homem caído em pecado e a união entre a Criação, o pecado e a Redenção.A origem do docetismo é geralmente atribuída a correntes gnósticas para quem o mundo material era mau e corrompido e que tentavam aliar, de forma racional, a Revelação diposta nas escrituras à filosofia grega. Esta doutrina viria a ser condenada como heresia no Concílio Ecumênico de Calcedônia." (wikipédia)

Em resumo, as principais idéias defendidas pelo gnosticismo doceta são:

- O dualismo cósmico entre espírito e matéria, bem e mal;
- A identificação da matérial com o mal;
- A crença na ignorância generalizada das pessoas sobre sua própria origem e condição;
- Certos indivíduos possuem fagulhas de divindade, sendo propensos a aquisição de um conhecimento especial e superior;
- Jesus não era realmente humano, não teve um corpo de carne, nem o Cristo morreu na cruz;
- A salvação não é pela fé, nem pelas obras, mas pelo "conhecimento especial" (gnosis);
- A ressurreição é um evento espiritual e não físico;

A APOLOGIA JOANINA

Desde o evangelho, quando afirma "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (Jo 1.1), e ainda "E o Verbo se fez carne e habitou enbtre nós..." (Jo 1.14), e mais, João 19.38-40 e 20.25-27, João combate o gnosticismo doceta.

Em suas epístolas, isto fica claro e evidente, em passagens como:

"Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo." (1 Jo 4.1-3)

"Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo." (2 Jo 7)

Diante do exposto, se entende que não é o fato de alguns homens possuírem uma "luz especial" em si mesmos, que os habilita a ter um "conhecimento especial" de sua origem, da criação, do criador, do Cristo, da salvação.

É a "luz" que emana de Deus, que se encarna, que fala, que revela, que toca, que ama, que encontra, que cura, que liberta, que perdoa, que sofre, que morre, que ressucita, é essa luz (1 Jo 1.5-7; Jo 1.4-12) que nos possibilita:

-conhecermos o Pai, seu plano de salvação, o Salvador;
-entendermos a sua Palavra;
-andarmos nele e nela;
-vivermos nele e nela, para a sua glória;
-testemunharmos dele e dela

Amém!

2 comentários:

Eudes Pereira-Abreu e Lima-PE disse...

Parabéns pelos 800.000 acessos. Este blog é uma bênção nas mãos de Deus.

lazaro disse...

pastor ALTAIR GERMANO e com muito prazer q/ escrevo essas palavras para lhe dezer essa pagina tem sido uma benção para minha vida e em minhas aula aqui onde congrego q/ DEUS continue te abencoando. esse q/ vos escreve e o irmão LÁZARO; AQUI EM SÃO PAULO. À PAZ DO SENHOR.