quarta-feira, 15 de julho de 2009

CONVENÇÕES DE MINISTROS OU PASTORES: REPENSANDO A PRÁTICA


A associação de ministros e pastores nas chamadas "Convenções Estaduais", "Convenções Regionais", "Convenções Nacionais" e "Convenções Mundiais", é uma prática antiga e comum na grande maioria das denominações evangélicas no Brasil e no mundo.

Em linha gerais, as referidas convenções foram criadas com o propósito de promover a comunhão, a unidade doutrinária, a postura ética, o crescimento espiritual, a defesa contra as heresias, a leitura dos grandes desafios da atualidade, estratégias de evangelismo e missões e outras nobres causas.

Sou pastor há dez anos, e desde então participo de convenções estaduais, regionais e nacionais, como também converso com companheiros de outras denominações e regiões do país sobre a prática convencional na atualidade. Minhas observações, seguidas das informações que me chegam, levam-me a entender que precisamos repensar a prática na reuniões convencionais, para que elas possam retornar aos propósitos iniciais, retomando assim sua importância para a vida e para o ministério pastoral, e consequentemente para a igreja.

Minhas reais preocupações giram em torno dos seguintes pontos:

1. Tempo e recursos financeiros gastos para a mobilização de obreiros (deslocamentos, anuidades, inscrições, alimentação e hospedagem), quando nada, ou pouca coisa é produzida para o crescimento ministerial e pessoal dos mesmos;

2. Elaboração e reformas estatutárias intermináveis, para atender ou adequar-se, em muitos casos, não às reais necessidades de contextualização da igreja, dos desafios sociais modernos, da urgência do avanço evangelístico, mas, para a criação ou abolição de cargos políticos, do novo período dos mandatos (vitalícios ou periódicos), da possibilidade ou não de alternância no poder, da consolidação ou redefinição dos limites das capitania e feudos eclesiásticos etc;

3. Disputas eleitorais que promovem a intriga, a inimizade, a traição, o oportunismo, a barganha, a compra de votos com promessas, vantagens, serviços e outras ofertas;

5. O uso de recursos financeiros (milhares de reais) de origem obscura, para bancar campanhas, e geralmente, sem nenhum relatório transparente posterior;

6. A criação de um sem número de comissões, conselhos, e consequentemente de cargos, que igualmente, nada ou muito pouco produzem. É preciso repensar a prática quando temos resposta para a pergunta "qual o seu cargo?", mas silenciamos diante da indagação "o que você faz?". O pior, se briga (literalmente), para simplesmente não fazer nada, se digladia apenas por um mísero e improdutivo cargo;

É preciso ter uma visão clara de que os talentos, os recursos espirituais, intelectuais e materiais que o Senhor graciosamente nos outorgou, precisam ser utilizados com sabedoria, prudência e responsabilidade. Prestaremos contas disto.

Sem diminuir a importância das Convenções (quando os seus papéis e propósitos originais são mantidos), muitas igrejas na atualidade crescem e prosperam, com líderes que não estão "ligados" às mesmas. A solidez doutrinária, o crescimento em qualidade espiritual, o crescimento quantitativo, não depende necessariamente de se estar ou não filiado a uma convenção. Por exemplo, há no contexto evangélico brasileiro, pastores filiados às Convenções (inclusive com cargo em mesas diretoras) pregando e ensinando heresias, e outros, não filiados, sendo mantenedores e defensores da sã doutrina.

Pasmem com o que vou revelar. Ouvi, dias atrás, de um membro de uma igreja cujo pastor não faz parte de uma convenção (nos termos aqui expostos), o seguinte: se o meu pastor se filiar a Convenção, eu vou procurar uma outra igreja, pois não acredito mais nas pessoas que lá estão. Percebam a gravidade do fato: as Convenções, que outrora davam credibilidade aos seus "associados", agora, começam a denegrir a imagem e a reputação dos mesmos.

Estou lendo (e recomendo) a terceira edição da obra de Thomas L. Friedman, intitulada "O Mundo é Plano", que nos revela o impacto essencial das mudanças tecnológicas que ocorre na atualidade. Dentre alguns destes impactos, está a exposição rápida, ampla e inevitável do privado, tornando-o cada vez mais público.

Os "atos secretos", as conversas de bastidores, as tramas silenciosas, tudo que é ruim, em qualquer segmento social, explode na web, causando os mais sérios danos. Bem que poderia estar acontecendo o contrário, como por exemplo, uma explosão evangelística, por meio do chamado marketing viral, das grandes redes sociais (orkut, twitter, facebook etc), das grandes ferramentas de imagens midiáticas, como o youtube, das novas plataformas de publicação de textos (sites, blogs etc).

Podemos mudar o quadro? Sim.

As Convenções de ministros, pastores e líderes são importantes? É óbvio.

As Convenções podem recuperar a credibilidade comprometida? É claro.

Agora, isso não acontece apenas com discurso, acontece , antes, com ações concretas, legítimas e transparentes, resultado de reflexão crítica e mudanças observáveis. A nossa capacidade de saber ouvir críticas e analisar criticamente, é diretamente proporcional a possibilidade de transformação.

É hora de repensar a prática, redifinir os objetivos e agir.

É hora de reconstruir.

Do contrário...

Cabedelo-PB, 15/07/2009

12 comentários:

Quebra queixo to disse...

A Paz do Senhor Pastor
Achei interessante tudo isso que o senhor escreveu, vou expressar a minha humilde opinião quanto a esse fatos; com certeza tudo que vem acontecendo nessas conveções tem nos deixado tristes,observa-se explicitamente a briga pelo poder,status e tantas outras coisas, obras puramente da carne, é lamentável mas existe uma hipocrisia muito grande entre alguns ministros. Agora imaginemos; pastores que não falam uns com os outros, e tudo por que, inveja, ânsia de aparece na foto. É triste olhar para esse panorama, agora o que nos resta é orar e nos matermos olhando sempre para o mestre Jesus, acredito que essa situação é irreversível, o próprio contexto mostra isso. Agradeço a Deus por ser só crente mesmo, sou feliz meu nome está escrito no livro da vida, louvado seja o nome de Jesus. Conclamo a todos, vamos orar por esses homens, e Deus lhes mostre que não é necessário isso para vivermos felizes, a biblía nos diz para não amarmos o mundo e nem as coisas que no mundo há, pois tudo que há no mundo se resume em concupiscência da carne, dos olhos e soberba da vida, em quais desses se enquadra esses últimos acontecimentos?
Deus abenções a Todos e nos dê graças para vencermos. Fraternalmente em Cristo Jesus
Pb. Higo Mendes
Palmas-TO 15/07/2009.

Anônimo disse...

Parabéns.
Exelente texto que retrata a realidade atual.

Nill disse...

Como eu já hava dito no Orkut, se faz necesário repensar a forma de organização da Assembléia de Deus. A situação em que nossa denominação está hoje é porque a atual forma de organização dá margem para isso. A começar pela falta de transparência de muitos líderes.

Lembro-me de ter lido em um estudo sobre a vida do Rei Davi em uma Bílbia que, em parte, tentava justificar os erros do salmista, levando em consideração o poder que um rei tinha na época. Aí paro pra pensar: Será que muitos de nossos líderes não estão com síndrome de Rei. Ou seja: "Eu sou o Estado, o Estado Sou Eu." Transcrevendo: Eu sou a Igreja, a Igreja sou Eu.
Dá-se muito poder a um líder de Convenção. Além de que a falta de alternância provoca muitos vícios.

Acredito que as coisas só vão melhorar quando uma pessoa neutra na briga política assumir a Presidência daConvenção.

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Pr. Altair Germano,
Graça e Paz!
Aplausos de pé!!!!
Parabéns pelo texto!

As mudanças são possíveis, porém é necessário que aqueles que tem voz, briguem por isso, exijam, ponham sua posição diante dos pares, e isso a começar das convenções regionais.
Nas convencões de ordem nacional, será uma consequência natural.

Mais uma vez, parabéns pelo post!

Um grande abraço!
Seu conservo em Cristo,
Pr. Carlos Roberto

Moisés disse...

Pr Altair... parabens pelo exposto, porém os nossos dirigentes não querem abrir mão do monopolio assembleiano. ainda bem quem salva é JESUS! moises, natal -rn

Obede da Silva Alves disse...

PASTOR ALTAIR GERMANO, A PAZ DO SENHOR. QUERO TE PARABENIZAR PELO POST E CONCORDO COM O IRMÃO TOMAMOS RUMOS ESTRANHOS EXISTE MUITOS LUGARES QUE AQUELA OREDEM "SAI DELA POVO MEU" JÁ SE FAZ URGENTE. QUE DEUS CONTINUI TE ABENÇOANDO.

TIAGO VIEIRA disse...

A Paz do Senhor Pastor Altair,

Obrigado por esta ótima postagem.

Paulo Mororó disse...

Caro pastor Altair, a Paz do Senhor.

Excelente texto. Não só um texto, uma reflexão espiritual profunda. Quisera eu que todos os líderes assembleianos tivessem acesso à esta mensagem. Acredito piamente que o senhor foi usado como um atalaia celestial específico neste tema.
Falo sempre que o seu blog é uma bênção.
Seus questionamentos sobre o valor e motivos das convenções,fez-me lembrar os questionamentos do povo e de Deus sobre a prática do jejum,contido no capítulo 58 de Isaías. Gosto destes trechos:
O POVO:"...Por que jejuamos nós e tu não atentas para isto?" v.3
DEUS RESPONDE: "...Eis que para contendas e debates, jejuais e para dardes punhadas impiamentes; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto." v.4
È muito benéfico quando alguém em meio a um multidão confusa,perdida em seus rituais e contendas políticas, tem uma iluminação espiritual tão linda como esta sua. Assim como no caso do jejum citado acima, sua postagem clama por uma atenção de Deus nas convenções.È uma aurora espiritual entre as lideranças!
Uma pergunta óbvia: PARA QUE E/OU PARA QUEM SERVEM AS CONVENÇÕES?
Louvado seja Deus pela sua postagem!
Um abraço
PAULO MORORÓ

Donald Dolmus disse...

Dios le bendiga siervo.

Reciba por este medio un fraternal saludo desde Managua, capital de Nicaragua.

Shalom

Donald Dolmus

Blog do Zé disse...

Pastor Altair, a Paz do Senhor meu amado.
Muito interessanto sua abordagem sobre esse assunto que toma conta dos meios de comunicação, como é o caso "Sarney". É realmente urgente repensar essas "convenções" ou acabar de uma vez por toda, se for para o bem da denominação e saude esperitual dos irmãos já tão cansados de tantos escanadalos divulgador na midia, pra nossa vergonha. Deus abençoe o amado irmão e que contunue sintonizado no Espírito Santo abençoado vidas através da sua postura de autentico ensinador cristão.

Alessandro Justino Santana disse...

Pastor Altair, é ALTAmente oportuno este texto sobre convenções e seria bom que os olhos da comunidade evangélica do Brasil, especialmente aqueles que tem o poder para decidir, estivessem voltados para este tema.

Grande será o nosso crescimento espiritual, quantitativo, intelectual e moral se assim fizermos.

Fiquem na Paz de Cristo!

Terra de Gigantes disse...

Paz do Senhor pastor. Interessante esta sua postagem...
Na verdade (desculpe talvez parecer muito cético), às vezes acredito que em pouco tempo os pastores que ainda tiverem amor ao Reino de Deus irão muito de vez em quando a uma reunião convencional (principalmente nacional), pois o que menos é tratado é sobre o Reino de Deus; só se fala do Reino dos homens... Se nada mudar, quando formos será apenas para rever alguns amigos de regiões distantes do país.