sexta-feira, 5 de junho de 2009

ESPAÇO DO LEITOR

Pregadores de Rosas, preguem os Espinhos!
Por Márcio Santos

Atualmente nós temos percebido uma extravagância de ensinamentos teológicos, complexos, presentes em diversos púlpitos das igrejas. Não estou me referindo àqueles que calorosamente se empenham em levar as Boas Novas de salvação, não. Refiro me a um movimento que não só tem tomado púlpitos, mas também espaço em muitos canais de rádios e TV. Com certeza você já deve ter ouvido falar algumas asneiras como estas: rosa “ungida”, chave da vitória, fogueira santa e etc. Confesso que a cada dia, sinto-me triste em saber que coisas tão banais tem enchido a mente das pessoas, ao ponto de acreditarem realmente que os mesmos são de fato, baseados na Bíblia – o que é engano.

Ultimamente estive por alguns minutos observando um determinado programa de TV, onde no qual o apresentador se dizia ser um pastor (é bom lembrar que há diferentes tipos de rebanhos...), incentivando aos fiéis de sua determinada denominação, a participarem de tal culto que iria ser realizado. O intrigante foi como ele exigiu com o que as pessoas chegassem nesta reunião, com uma camisa ao avesso e com um nó. Isso mesmo! Para aquele determinado “pastor”, a vitória na vida do proprietário da camiseta, era certeira. Ao ouvir e ver tudo isto, senti-me enojado com a pirataria evangélica, termo a qual atribuo a tais que assim agem. Não é de se espantar, esses indivíduos que muito aparecem em vários meios de comunicação expondo suas idéias, e alegando materialismo, são na verdade identificados como adeptos da Teologia da Prosperidade. Essa teologia está baseada em ensinamentos e doutrinas materiais. Lamenta-se saber que um meio tão importante para se conhecer a Deus – a teologia – está corrompida. A primeira característica neste tipo de teologia é, transformar psicologicamente a mente de um indivíduo que passa a freqüentar tais estudos, mostrando abundantemente determinados testemunhos e depoimentos de pessoas que compradas por dinheiro, alegam ter recebido casas, carros, empregos, mansões e outros bens, que não passam de materiais. Com isso, a pessoa imune à Palavra de Deus, passa a realmente acreditar que é real, e que de fato é possível ter as mesmas coisas daquele que testemunha falsamente. A partir deste ponto, começam desenfreidamente a participar de correntes, ampanhas e outras reuniões com títulos absurdos de serem dados a um genuíno culto ao Senhor.

Temos casos de irmãos que participaram de muitas destas igrejas “clandestinas”. Clandestinas por que se você passar a observar essas tais denominações, todas são centradas em salões e galpões alugados, preferindo não possuir um ponto específico para sediar seus cultos, fazendo-se estar aqui hoje, como não estar! Em seus ensinamentos, os ditos “pastores” levam as pessoas a crerem em muitas possibilidades de se alcançar o sonho material desejado, mas não ensinam a crer na salvação, algo prioritário de uma igreja genuinamente evangélica. Eles levam a mente das pessoas, diversas ordenanças, tornando-as como um acordo para se ter o desejado, ou seja, eles ensinam que para se adquirir o que se quer, é necessário cumprir algumas ordens, e na maioria delas é trazer quantias absurdas em dinheiro, sacrificando a família e os compromissos hodiernos. Mas não importa, se você quer mudar de vida (materialmente), obedeça. Que obedeça coisa alguma! Existem casos em que muitos líderes ameaçam as pessoas de serem perseguidas por demônios e espíritos malignos, onde na verdade o mesmo permanece é nele (Pv 6.19).

Medo, essa é a palavra que denota o sentimento daqueles que inocentemente aceitam a esses ensinos. E porque essas igrejas crescem tanto? Primeiro, por que lá não se convida ao pecador a aceitar a Cristo, e se arrepender. É chegar e sentar. Segundo, por que as suas mensagens são na verdade “massagens” no ego do ser humano. Quem é que não quer ouvir, “Não se preocupe, sua empresa via sair do vermelho!” ou “Você não é mais servo, você é filho e como filho você é herdeiro”? Daí o motivo pelo qual eles tanto ganham adeptos ano após ano, pelo simples fato que os mesmos anunciam a mensagem que todos querem ouvir.

SOU RICO, SOU PRÓSPERO?

Muitos são levados a entender que prosperidade é na verdade ter tudo isso e muito mais. Já outros entendem que se sou rico, sou muito íntimo de Deus. Alguns ensinam até que se você é pobre, você é amaldiçoado, e não é de Deus. É engano querido leitor. Não podemos interpretar a Bíblia, como estes mercenários preocupados com dinheiro, interpretam, pois se assim fora, onde ficariam os pobres? Todos no Inferno por não serem de Deus?

O maior exemplo bíblico disto tudo é sem sombra de dúvidas, Cristo (Zc 9.9). Quem disse a você que o Senhor Jesus em sua passagem terrena aqui na terra era rico? Até o barco onde o mestre ensinava na beira da praia não era seu (Lc 5.3); e o jumentinho no qual ele entrou montado em Jerusalém? Também não era seu (Lc 19.30-35), e Ele mesmo disse que não tinha onde se quer, deitar a sua cabeça (Mt 8.20). E na vez que precisou pagar o imposto quando não tinha dinheiro? Foi preciso mandar Pedro buscar uma moeda na boca do peixe (Mt 17.27), e ainda assim não foi motivo para não cumprir a sua missão de exercer na terra o seu lindo ministério (Ef 1.20-21; Fp 2.9).

Ainda assim, são inúmeros os exemplos da Palavra, mostrando que ser crente é nem sempre ter o que se quer ter. Nem mesmo o apóstolo Paulo, homem de Deus, ministro do evangelho, autoridade eclesiástica da igreja primitiva, não foi imune de muitas necessidades (2 Co 11.24-33), inclusive dependendo até dos irmãos para se socorrer em seus apertos (Fp 4.10-19). Contudo, ele declara que como crente, sabia claramente ter abundância e ter necessidade (Fp 4.12-13). Quando examinamos sua vida, não dá para não notar que ainda assim, foi muito próspero, mesmo sem todo o conforto que o mundo atual lhe oferecia. Foi um grande ganhador de almas, fundador de dezenas de igrejas, treinador de obreiros e por intermédio de suas espístolas, ajudou igrejas em todo o mundo. Quer mais? Lembremo-nos de muitas igrejas que eram pobres (2 Co 8.2; Ap 2.9) e não tinham maldições como afirmam esses falsos líderes, pelo contrário, eram ricas em Cristo! A cerca destas e outras igrejas, o médico Lucas assim testifica: “Assim , pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo “ (At 9.31). Quando se ensina e não se adverte, surgem inúmeros perigos. Chego a conclusão de que esses “pastores” incaltos da verdade, são verdadeiros semeadores de falácias.

Existem muitos perigos que devem ser observados quando se fala em riquezas. Destaco aqui um, que com toda essa pressão, ingere dentro do ouvinte o anseio de buscar cada vez mais algumas dessas muitas reuniões a fim de ter a fina força, dinheiro. Na verdade, você sabe qual é o fim de tudo isso? A distância de Deus (1 Tm 6.9-10), a avareza, lançando-o no inferno (1 Co 5.11; 6.10; Ef 5.5; Cl 3.5), tirando-lhe a tranqüilidade (Jó 27.19-20; Ec 5.12), e sem falar que as riquezas não são garantia de soluções aos mesmos problemas humanos (Pv 11.4).

QUAL É A VERDADEIRA PROSPERIDADE?

Nós somos odiados por esses falsos mestres por que não concordamos com métodos tão cruciais de serem aplicados ao povo, que em si tem uma necessidade maior. Depois de tudo isso, você pode estar se perguntando, mas na realidade qual é a legítima prosperidade? A princípio, a verdadeira prosperidade não está limitada à posse de bens materiais que estamos acostumados a ver diariamente. Asafe, um dos maiores músicos de todos os tempos literários bíblicos, deparou-se com uma grande aflição. Sua revolta era justamente ver a prosperidade dos ímpios e não poder também tê-los como servo de Deus. Ora, o Salmo 73, no versículo 2 mostra que quase os seus pés se desviaram, ou seja, pouco faltou para que assim como eles se destruíram, o salmista da mesma forma também se destruísse. E hoje, não é diferente com muitos cristãos, que na falta de alguma atividade, param e começam a observar as mordomias e privilégios (materiais) que os ímpios desfrutam. A realidade só começou a ser perceptível por Asafe, quando o mesmo sentiu a necessidade de orar e buscar ao Senhor (Sl 73.17). O salmista Asafe entendeu a real e verdadeira prosperidade na vida do homem temente a Deus, tornando-se muito, mas muito diferente da vista por ele nos ímpios. Veio então a sua memória a seguinte conclusão: saber que tenho um Deus infalível, capaz de me alimentar, é um privilégio jamais compatível com coisa alguma. "Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti... para mim, bom é aproximar-me de Deus..." (Sl 73.25-28).

A mesma resposta para tal indagação, encontramos na afirmação de Pedro a Jesus, quando muitos o abandonaram, restando apenas os discípulos: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna" (Jo 6.67-68). Ao contrário do que muitos pensam, ser próspero não quer dizer sinônimo de bem materiais. É ser dono e proprietário de riquesas sim, espirituais, afinal de contas não foi assim que recomendou Paulo, escrevendo aos colossenses, exortando-os a buscar as "coisas que são de cima"? (Cl 3.2). E se continuarmos examinado as posses e riquesas dos apóstolos, encontraremos facilmente, a maior prosperidade que falta hoje na vida de muitos que se auto se intitulam cristãos. Essa prosperidade é vista ainda na vida de Pedro, quando ia orar a hora anona em Jerusalém (At 3.1-6)."Eu não tenho prata e nem ouro mais o que tenho isso te dou..." é impressionante a sinceridade dos homens de Deus. A realidade da prosperidade é esta, ter a presença do Espírito Santo de Deus.

Já encontramos na Bíblia, uma igreja materialista, ou seja rica, mas sem vida diante de Deus, vivendo uma vida aos olhos do Senhor miserável, suja e "pobre" espiritualmente. destaco aqui a seguinte observação, Deus não está nem aí pera o que possuímos ou deixamos de possuir querido leitor. A preocupação dEle em nossa vida é concernente a postura que assumimos diante de Sua face, tanto é que, quando o Seu olhar está voltado para a terra, não são os carros, casas, lindos prédios ou apartamentos que chamam a sua atenção. Somos nós que atentamente atraímos a sua atenção especial. A igreja de Laudicéia, pensava ao contrário disto, e igual aos conhecidos pregadores de rosas, daí o motivo pelo qual o Senhor a repreendeu severamente (Ap 3.17-18), enquanto que a igreja em Esmirna vivia na "pobreza material" era rica aos olhos do Senhor (Ap 2.9).

A verdadeira prosperidade também é vista como riquezas eternas, sem futilidade: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e o ferrugem consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam" (Mt 6.19-20). Que maior exemplo podemos tirar da Bíblia, senão o exemplo do rico e Lázaro? O "pobre" e coitado vivia perambulando nas ruas a porta do famoso ricão, enfeitado de enfermidades e problemas. A direfença foi percebida após a morte - período em que se vê claramente a consistência viva da real prosperidade. Como resultado, o rico em sua avareza e orgulho, apegado as suas posses, parti para o inferno sem Deus, sem paz e sem salvação, enquanto que o pobre Lázaro, após a morte teve o privilégio de ser transportado pelos anjos até o seio de Abraão (Lc 16.19-31). A você que é materialista e defende severamente tais ensinos, eu pergunto, o que trouxemos a este mundo para exigirmos de Deus tantas coisas? Sinto muito por você, mas além de falso e ipócrita, seus ensinos assim como os ricos, são vidas andando em terrenos escorregadios. Tanto faz está de pé hoje com os seus patrimônios, como amanhã perder tudo (1 Tm 6.7; Hb 13.14).

COMO POSSUIR A VERDADEIRA PROSPERIDADE?

Não estamos fazendo apologia a pobreza, na maioria das vezes somos interpretados assim por tais ignorantes da Bíblia. Não é pecado ser rico, que isso fique claro, desde que se saiba administrar como sabedoria, empregando-o também na obra de Deus. Aqui em Pernambuco, em nosso templo-central na Assembléia de Deus, ultimamente nosso amado pastor presidente Ailton José Alves, necessitou de uma importante ajuda para a obra missionária. A missionária e irmã Mísia, estava precisando de um barco para a locomoção do trabalho naquele país, e estava impossibilitada de recursos materiais para a tal compra do barco. Na reunião de obreiros, o pastor comunicou aos irmãos a necessidade e a noite repassou para igreja de modo geral a carência da obra no campo. Sem que menos esperasse o pastor Ailton foi surpreendido por uma irmã que se levantara no meio da igreja e passava para as mãos do pastor um cheque em milhares de dólares para a compra do barco. Ao ver a ação, chegamos a conclusão de que ser rico e ser amante da obra, é uma benção. A realidade é que essa verdadeira prosperidade está accessível a todos os crentes em Cristo Jesus, mas para tê-los se faz necessário observar tais pontos, como:

- Refletir nas ordenanças do Senhor (Js 1.8; Sl 1.3);
- Ser obediente a Palavra de Deus (Dt 29.9; 1 Cr 22.13; 2 Cr 31.21; 1 Rs 2.3);
- Reconhecer que a prosperidade vem de Deus (Ne 1.11; 2.20).

Agindo assim, o crente desfruta desta verdadeira harmonia celestial.

CONCLUSÃO

Os tempos são de fato, tempos trabalhosos. Doutrinas e ensinos são abundantes no meio secular levando as pessoas a crerem numa fantasia ilusória. Aprendemos que ser próspero não é só ter dinheiro no bolso, para gastar quando e como quiser, não! Quantos que assim procedem, não desfrutam a paz, uma tranquilidade especial e na maioria das vezes, são dependentes de medicamentos soníferos para dormirem, senão não teêm uma noite de sono tranqüila. Isso não é prosperidade, é apenas ter riquesas.

Não esqueçamos também, que somos mordomos e apenas administradores do Rei. Tudo aquilo o que o possuímos, não são nossos, mas sim de Deus. Quer ser prospero? Decida hoje o que bem lhe apraz: priorzar os bens terrenos ou as riquezas espirituais. No entanto, os que se voltam para Deus e seus caminhos, desfrutaram de muitas prosperidades no século presente como no século vindouro. Portanto, Paulo em sua sabedoria e experiência com Deus, faz questão de destacar que nós somos "...como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo, e possuindo tudo" (2 Co 6.10). Abraçe o mehor de Deus para a sua vida!

Márcio Santos
É diretor geral do Grupo Momentos de Paz, professor de EBD e
auxiliar de trabalho na Igreja Assembléia de Deus Recife em Chã Grande-PE.

Site:
www.marciosantos.br30.com

Um comentário:

antonio saraiva disse...

shalon pr.altair esses stao exluidos da sã doutrina [ infelismente ja soube de gente nossa q esta la].